O contrato firmado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master reacendeu o debate sobre a chamada “advocacia do acesso” em Brasília. Advogados ouvidos pela CNN Brasil relacionaram o caso à busca de interlocução com gabinetes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Segundo a reportagem, o acordo prevê 36 parcelas de R$ 3,6 milhões e foi celebrado com o banco ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. As fontes consultadas pela CNN avaliam que os valores ajudam a iluminar uma dificuldade estrutural enfrentada por clientes e advogados que buscam contato com magistrados das cortes superiores.
Contrato amplia o debate
O contrato de Viviane Barci de Moraes com o Master tornou-se o ponto de partida para discussões sobre o peso de relações profissionais e pessoais no acesso a gabinetes. A CNN informou que advogados classificam esse ambiente como um mercado de acesso em Brasília.
Nessa leitura, clientes estariam dispostos a pagar valores elevados por profissionais que tenham circulação e interlocução junto a pessoas ligadas aos tribunais. A questão, segundo as fontes, vai além de um caso individual e alcança a dinâmica de atuação perante STF e STJ.
Viviane Barci de Moraes é esposa de Alexandre de Moraes, ministro do STF. Já Daniel Vorcaro é citado pela CNN como ex-banqueiro ligado ao Banco Master.
Digitalização restringe contatos
Advogados ouvidos pela CNN disseram que a rotina de contato com gabinetes mudou profundamente na última década. Antes, segundo essa avaliação, era mais simples despachar presencialmente no STF e no STJ.
A digitalização dos processos alterou esse fluxo. Uma advogada penalista afirmou à emissora que a maior facilidade para apresentar habeas corpus ampliou a demanda e tornou inviável a análise individual de todos os casos.
Além disso, a pandemia restringiu ainda mais os contatos presenciais. De acordo com a mesma fonte, mesmo após o período mais agudo da crise sanitária, a dinâmica de acesso continuou mais fechada.
Clientes buscam interlocução
Com canais de comunicação mais restritos, clientes passaram a procurar advogados com trânsito em gabinetes, conforme os relatos reunidos pela CNN. Esse trânsito envolveria relações com parentes, auxiliares ou ex-assessores de ministros.
O jurista Miguel Reale, ex-ministro da Justiça, descreveu à emissora a existência de uma rede formada por ex-assessores de integrantes dos tribunais. Para ele, essa rede se conecta a um mercado voltado ao acesso aos gabinetes.
O debate expõe uma diferença entre o acesso formal ao sistema de Justiça, facilitado pela digitalização, e a interlocução direta com estruturas dos tribunais. Na avaliação dos advogados citados, a segunda dimensão se tornou mais disputada.
PF apura diálogos citados
A CNN informou que diálogos sob investigação da Polícia Federal indicariam uma suposta intimidade entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. A reportagem apontou que o conteúdo pode suscitar discussão sobre tráfico de influência ou advocacia administrativa.
A referência a essas possíveis condutas aparece no contexto da apuração mencionada pela emissora. Não se trata, portanto, de uma conclusão apresentada como definitiva no material.
O caso reúne, assim, o contrato com o Master, a discussão sobre os mecanismos de contato com tribunais superiores e os diálogos investigados pela Polícia Federal. Esses elementos sustentam o debate relatado por advogados e pelo jurista ouvidos pela CNN Brasil.


