Contrato do Banco Master previa R$ 131 milhões a escritório de Viviane Barci

Documento divulgado após retirada de sigilo no STF aponta previsão de 36 parcelas; dados da Receita registram R$ 80,2 milhões em repasses declarados.

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Redação
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Documento divulgado no âmbito das investigações do Banco Master menciona contrato com o escritório Barci de Moraes.
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O contrato do Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes previa pagamentos de R$ 131 milhões por serviços jurídicos. Segundo documento tornado público após a retirada de sigilo das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), o valor líquido estimado, após impostos, seria de R$ 108 milhões.

Dados levantados pela Receita Federal, porém, apontam R$ 80,2 milhões declarados em repasses entre a instituição financeira e o escritório Barci de Moraes. As informações integram o documento das investigações sobre o banco, divulgado na noite de quinta-feira (10).

Contrato previa 36 parcelas mensais

O acordo previa 36 pagamentos mensais e sucessivos de R$ 3,6 milhões. Pela soma das parcelas, o valor contratado chegaria a R$ 131 milhões.

Depois dos descontos tributários, o escritório receberia R$ 108 milhões líquidos, conforme a previsão descrita no contrato.

A contratação envolvia a prestação de serviços jurídicos pelo escritório de Viviane Barci de Moraes ao então Banco Master. Viviane é esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Receita registrou R$ 80,2 milhões declarados

A Receita Federal identificou R$ 80,2 milhões declarados como repasses entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.

O valor declarado é inferior ao total previsto no contrato. O material divulgado não equipara os dados fiscais ao valor integral que seria pago ao longo das 36 parcelas.

Os pagamentos foram levantados a partir da declaração de Imposto de Renda da instituição financeira, que era comandada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Intervenção encerrou pagamentos previstos

Os repasses foram interrompidos após o Banco Central extinguir o Banco Master, em novembro de 2025. Assim, o cronograma de pagamentos previsto no contrato não seguiu adiante.

A divulgação do documento ocorreu no âmbito das investigações sobre o banco, depois que o STF retirou o sigilo do material na quinta-feira (10).

Daniel Vorcaro está preso desde março, conforme as informações reunidas no documento citado. O material relaciona os registros fiscais da instituição aos pagamentos analisados.

Escritório cita atuação jurídica ampla

Em nota divulgada em março, o escritório Barci de Moraes afirmou ter realizado ampla consultoria e atuação jurídica para o Banco Master. Segundo a banca, o trabalho resultou em 36 pareceres jurídicos e opiniões legais.

A CNN Brasil informou anteriormente que Alexandre de Moraes teve acesso ao contrato e fez edições antes da assinatura. A emissora procurou a assessoria do ministro sobre esse ponto e aguardava resposta.

Ao ser questionado sobre os valores, o escritório contestou a divulgação das informações e ressaltou o caráter sigiloso dos dados fiscais. A manifestação não detalhou os repasses registrados pela Receita Federal.

Documento reúne dados da investigação

O documento divulgado pelo STF reúne informações da investigação sobre o Banco Master, incluindo dados obtidos a partir da declaração de Imposto de Renda da instituição.

A previsão contratual de R$ 131 milhões, o cálculo de R$ 108 milhões líquidos e os R$ 80,2 milhões declarados são dados distintos presentes no material. Dessa forma, o documento permite separar o valor originalmente contratado dos repasses informados ao Fisco.

O caso envolve o Banco Master, o escritório Barci de Moraes, a Receita Federal, o Banco Central e o STF. A retirada do sigilo tornou públicos os dados mencionados nas investigações.

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