A Paraíba criou um mercado de R$ 6 milhões para o leite de cabra em pó. A cooperativa Coopac, do Assentamento Che Guevara, em Casserengue, iniciou em setembro de 2026 a operação da primeira linha de industrialização desse produto no estado.
Os governos estadual e federal anunciaram a compra de R$ 6 milhões em leite de cabra em pó, com divisão igual entre Paraíba e União. A aquisição será realizada pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e atenderá famílias contempladas por políticas de segurança alimentar.
Coopac inicia produção em setembro
A nova linha amplia a estrutura da Nutrilê, agroindústria inaugurada em junho de 2023 para processar derivados do leite caprino. A unidade já fabrica queijos e iogurtes.
Segundo o material divulgado, a agroindústria processava 50 mil litros de leite por mês antes da expansão. A partir deste mês, a capacidade prevista chega a 45 mil litros por dia.
A operação transforma a cooperativa em uma das principais estruturas da cadeia do leite caprino na Paraíba. Além disso, cria uma alternativa industrial para um produto que antes dependia mais do consumo fresco.
Compra pública garante mercado
A compra anunciada pelos governos estadual e federal será executada por meio do PAA. O programa direcionará o leite em pó a famílias atendidas por ações de segurança alimentar.
O valor total de R$ 6 milhões será dividido igualmente entre os governos. Dessa forma, cada parte responderá por R$ 3 milhões em aquisições do produto.
O acordo oferece mercado assegurado para a produção inicial da cooperativa. Ao mesmo tempo, vincula a expansão industrial a uma política pública de abastecimento e apoio à agricultura familiar.
Leite em pó reduz efeito da sazonalidade
A industrialização em pó enfrenta um dos principais gargalos da caprinocultura: a variação da oferta ao longo do ano. Nos períodos de maior produção, o mercado de itens frescos pode não absorver todo o volume disponível.
Com a transformação em pó, o excedente pode ser armazenado por mais tempo. Por isso, a cooperativa busca manter a captação do leite mesmo quando a oferta supera a demanda por queijos e iogurtes.
A estratégia também pode ajudar a reduzir oscilações na renda dos criadores, conforme a descrição do projeto. A regularidade da compra cria uma referência de escoamento para os produtores associados.
Cooperativa amplia base de produtores
A Coopac começou as atividades em 2019 com cerca de 30 produtores, segundo informações reproduzidas pelo portal Movimento Econômico. A cooperativa foi formalizada em 2021.
Desde então, chegou a 390 associados distribuídos por mais de 14 municípios da Paraíba. O grupo também passou a fornecer iogurte para a alimentação escolar de mais de 20 cidades.
Esse histórico conecta a nova linha a uma cadeia que já possui experiência no processamento e na venda de derivados caprinos. Agora, a cooperativa pretende ampliar a participação de agricultores familiares na produção de leite em pó.
Expansão pode alcançar 1,8 mil produtores
A direção da Coopac projeta uma rede superior a 1,8 mil produtores conforme a fábrica alcance escala. A expectativa depende do crescimento da operação industrial e da ampliação da base de fornecedores.
O investimento total na linha de leite em pó foi de R$ 5 milhões. A estrutura, portanto, começa a operar após uma etapa de expansão da agroindústria já existente.
A projeção de crescimento reforça a função regional do empreendimento. Além de atender às compras públicas anunciadas, a unidade pode ampliar a participação de produtores de diferentes municípios na cadeia caprina.
Agricultura familiar ganha nova etapa
A produção de leite em pó acrescenta uma etapa de maior processamento à agricultura familiar paraibana. Antes concentrada em produtos frescos e derivados, a cooperativa passa a trabalhar também com uma mercadoria de maior estabilidade de armazenamento.
O modelo combina investimento industrial, compras públicas e organização cooperativa. Enquanto o PAA assegura a demanda inicial, a capacidade ampliada permite receber volumes maiores de leite dos associados.
Para a cadeia do leite caprino, a mudança representa uma tentativa de reduzir perdas nos períodos de maior oferta. Para os agricultores familiares, a expansão abre uma nova frente de comercialização vinculada à produção regional.


