Yara inaugura unidade de captura de carbono na Holanda com investimento de € 200 milhões

Projeto em Sluiskil poderá retirar até 800 mil toneladas de CO₂ por ano da produção de amônia e armazená-las sob o Mar do Norte

Da
Redação
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Projeto da Yara em Sluiskil, na Holanda, captura CO₂ da produção de amônia para armazenamento sob o Mar do Norte.
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A Yara inaugurou nesta segunda-feira (7), na fábrica de Sluiskil, na Holanda, uma unidade industrial de captura e armazenamento de carbono (CCS). O projeto recebeu investimento de 200 milhões de euros e poderá capturar até 800 mil toneladas de CO₂ por ano durante a produção de amônia.

O dióxido de carbono será separado dos gases industriais, transportado por navios até a Noruega e armazenado a 2,6 quilômetros abaixo do fundo do Mar do Norte. Segundo a empresa, a iniciativa deve retirar aproximadamente 12 milhões de toneladas de CO₂ da atmosfera ao longo de 15 anos.

A Yara amplia a captura de carbono

A unidade de Sluiskil é apresentada pela Yara como a maior instalação industrial de captura de carbono da Europa. A companhia também afirma que a fábrica está entre as primeiras unidades de fertilizantes do mundo a usar CCS para reduzir suas emissões.

O projeto foi instalado em uma fábrica que produz amônia, principal matéria-prima dos fertilizantes nitrogenados. Essa etapa industrial utiliza gás natural e gera grandes volumes de dióxido de carbono como subproduto.

Com os novos equipamentos, a empresa pretende capturar cerca de 50% das emissões da fábrica antes que elas cheguem à atmosfera. O fertilizante, portanto, não passa a capturar carbono por si só; a mudança ocorre na forma como ele é produzido.

O CO₂ percorre quatro etapas

O processo começa com a separação do dióxido de carbono dos gases gerados na produção de amônia. Em seguida, o material é comprimido e resfriado até assumir a forma líquida, o que facilita o armazenamento e o transporte.

Depois dessa etapa, o CO₂ liquefeito permanece temporariamente na fábrica de Sluiskil. Navios operados pela Northern Lights transportam a carga até o terminal de Øygarden, na costa da Noruega.

Por fim, o dióxido de carbono é injetado em uma formação geológica porosa localizada a 2,6 quilômetros abaixo do fundo do Mar do Norte. Camadas de rocha devem manter o material armazenado de forma permanente, segundo a descrição do projeto.

A produção de fertilizantes muda de perfil

A amônia está na base de produtos como ureia, nitrato de amônio, sulfato de amônio e fosfatos de amônio, incluindo MAP e DAP. Por isso, a redução de emissões na fabricação da amônia afeta uma etapa relevante da cadeia de fertilizantes.

A composição química do produto utilizado pelos agricultores não muda com a adoção do CCS. A diferença está na pegada de carbono associada à produção, já que parte do dióxido de carbono deixa de ser lançada diretamente na atmosfera.

Segundo a Yara, os fertilizantes produzidos com menor intensidade de emissões poderão atender cadeias de alimentos, combustíveis marítimos e aplicações industriais. A companhia, no entanto, aponta que ampliar esse tipo de produção continua sendo um desafio.

Hoje, na Europa, o carbono custa cerca de 84 euros por tonelada.”

Svein Tore Holsether, presidente e CEO da Yara

Os produtos de baixo carbono da empresa, feitos com alternativas como biometano, hidrogênio e CCS, ainda representam uma parcela mínima de seu portfólio. A Yara produziu 20,8 milhões de toneladas de fertilizantes no último ano, conforme o material divulgado sobre o projeto.

O mercado europeu sustenta a conta

A fábrica de Sluiskil já emitia CO₂ dentro do limite permitido pelo sistema europeu de comércio de emissões, conhecido como ETS. Com a captura de aproximadamente metade das emissões, a unidade passa a ficar abaixo de sua cota.

Essa redução pode diminuir a necessidade de compra de permissões para emitir carbono. Além disso, a empresa poderá comercializar parte das permissões que deixar de utilizar no mercado europeu.

O presidente e CEO da Yara, Svein Tore Holsether, afirmou que a lógica econômica foi decisiva para o investimento. Segundo ele, o preço europeu do carbono ajuda a compensar o custo da captura, do transporte e do armazenamento.

Holsether também defendeu a participação dos governos para criar demanda por produtos de baixo carbono. Na avaliação apresentada pelo executivo, sem incentivos financeiros, empresas que mantêm emissões podem conservar uma vantagem de custo sobre aquelas que investem para reduzi-las.

A Europa busca reduzir dependências

Durante a inauguração, autoridades europeias associaram o projeto à política climática e à estratégia industrial do continente. O comissário europeu para Clima, Impacto Zero e Crescimento Sustentável, Wopke Hoekstra, defendeu a produção de fertilizantes mais baratos, limpos e europeus.

Hoekstra afirmou que cerca de 80% do gás natural e 95% do petróleo consumidos na Europa são importados. De acordo com ele, essa dependência expôs a vulnerabilidade do continente depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

O comissário classificou Sluiskil como uma das primeiras fábricas de fertilizantes do mundo descarbonizadas com CCS. Ele também relacionou o projeto aos interesses de empresas, regiões e da indústria europeia.

O primeiro-ministro da Holanda, Rob Jetten, citou os conflitos na Ucrânia e no Irã ao defender a redução da dependência europeia de cadeias externas em setores estratégicos. A declaração foi feita durante a inauguração da unidade.

O projeto enfrenta o desafio da escala

A capacidade prevista para Sluiskil é de até 800 mil toneladas de CO₂ capturadas por ano. Mantido o ritmo estimado, a Yara calcula que o projeto poderá alcançar cerca de 12 milhões de toneladas armazenadas durante os próximos 15 anos.

O resultado depende da operação integrada entre a fábrica, o transporte marítimo e o armazenamento geológico na Noruega. A cadeia precisa funcionar de forma contínua para que o carbono separado não seja liberado antes da etapa final.

Ao mesmo tempo, a viabilidade financeira depende do preço do carbono e da existência de incentivos para produtos com menor intensidade de emissões. A própria empresa afirma que essas condições são necessárias para ampliar a tecnologia.

A inauguração ocorreu após uma viagem de jornalistas convidada pela Yara, informação divulgada no material que deu origem à pauta. As declarações sobre custos, escala e benefícios econômicos foram atribuídas à empresa e às autoridades presentes no evento.

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