Cartões se preparam para pagamentos por agentes de IA

Visa, Mastercard e Elo testam estruturas para que assistentes digitais pesquisem, escolham e paguem compras, mas adoção em escala ainda enfrenta desafios.

Da
Redação
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Bandeiras de cartões desenvolvem testes e infraestrutura para transações conduzidas por agentes de inteligência artificial.
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Os pagamentos por agentes de IA passaram a orientar investimentos e testes de Visa, Mastercard e Elo no Brasil. A aposta é que assistentes digitais possam, no futuro, pesquisar produtos, comparar opções e executar transações dentro de regras definidas pelo consumidor ou por empresas.

As iniciativas ainda estão em estágio inicial. Executivos do setor apontam que segurança, confiança e adaptação cultural serão decisivas para transformar o comércio agêntico em uma prática disseminada, em um mercado que já acelerou sua digitalização com o Pix.

Bandeiras disputam espaço na nova cadeia

Os cartões se consolidaram como intermediários entre consumidores, bancos e comerciantes ao longo da expansão dos pagamentos eletrônicos. Agora, as bandeiras buscam preservar essa função em uma cadeia que pode incluir agentes de inteligência artificial como participantes ativos da compra.

Nesse modelo, a IA não se limitaria a sugerir itens. Um assistente poderia comparar preços, selecionar uma oferta e encaminhar o pagamento, enquanto a infraestrutura das bandeiras cuidaria de autenticação, segurança e autorização da transação.

A mudança, porém, não elimina a necessidade de redes de pagamento. Pelo contrário, Visa, Mastercard e Elo trabalham para que suas estruturas se tornem a base operacional dessas compras automatizadas, em vez de atuar apenas no momento final de uma transação feita diretamente pelo usuário.

Autonomia exige confiança do consumidor

A delegação de uma compra completa a um sistema de IA representa uma mudança em relação à jornada já assimilada no comércio eletrônico. Hoje, o consumidor normalmente busca a loja, escolhe o produto e autoriza a operação antes da entrega.

Acredito que a autonomia total – do tipo em que você só percebe a compra quando o produto chega à sua casa – ainda vai levar um tempo.”

Eduardo Merighi, vice-presidente de tecnologia da Elo

Para Eduardo Merighi, vice-presidente de tecnologia da Elo, a autonomia integral ainda dependerá de tempo e de confiança. “Acredito que a autonomia total – do tipo em que você só percebe a compra quando o produto chega à sua casa – ainda vai levar um tempo.”

Segundo o executivo, questões culturais e desafios de segurança ajudam a explicar essa cautela. Por isso, experiências em curso mantêm algum grau de intervenção humana, sobretudo na autorização final do pagamento.

Elo amplia piloto com a Decolar

A Elo expandiu para 5 mil clientes um agente de IA desenvolvido em parceria com a agência digital de viagens Decolar. A ferramenta conduz a busca e a jornada de compra de passagens aéreas e também se integra a canais como o WhatsApp.

Apesar da automação, o usuário ainda precisa confirmar a aquisição na etapa de conclusão. Dessa forma, o teste combina a assistência da IA na pesquisa e na seleção com uma decisão final tomada pela pessoa que fará a compra.

A companhia é controlada por Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econômica Federal. A iniciativa mostra uma aplicação voltada ao consumidor final em um segmento no qual a comparação de rotas, preços e condições é parte relevante da experiência de compra.

Visa e Mastercard testam infraestrutura

Visa e Mastercard realizaram, em março, os primeiros testes no Brasil de transações em tempo real ligadas a pagamentos agênticos. A Visa também trouxe ao país um programa para certificar emissores e credenciadores envolvidos nesse tipo de operação.

As ferramentas estão aprendendo muito rápido e o momento de investir é agora.”

Pablo Fourez, diretor digital da Mastercard

Em vez de montar uma rede separada, a Visa pretende adaptar sistemas já existentes, como interfaces de tokenização e autenticação biométrica. Em junho, a empresa anunciou parceria com a OpenAI para habilitar comércio agêntico inicialmente nos Estados Unidos.

Leandro Garcia, diretor-executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, afirmou que não há previsão informada para a chegada dessa solução ao país. “Ainda não sabemos quando [essa solução] virá para o Brasil, mas estamos nos preparado tecnologicamente para recebê-la.”

A Mastercard, por sua vez, concentra esforços no Agent Pay, infraestrutura voltada a segurança, autenticação e confiança. A empresa também anunciou o Agent Pay For Machines, destinado a pagamentos corporativos autônomos dentro de orçamentos previamente definidos, além de uma solução para adaptar sites de lojistas à leitura por agentes.

Mercado projeta expansão até 2030

O comércio agêntico voltado ao consumidor pode movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões no mundo até 2030, segundo estimativa da consultoria McKinsey & Company citada no material. A projeção ajuda a explicar a corrida das empresas para construir padrões técnicos e mecanismos de proteção.

O Brasil aparece como mercado promissor na avaliação de executivos do setor, em razão da digitalização dos pagamentos e da experiência recente com o Pix. Ainda assim, testes locais não significam que a autonomia plena esteja próxima de se tornar rotina.

Pablo Fourez, diretor digital da Mastercard, observa que mudanças relevantes na adquirência costumam levar anos para alcançar escala global. Ao mesmo tempo, ele avalia que a rápida evolução das ferramentas de IA encurta parte desse ciclo. “As ferramentas estão aprendendo muito rápido e o momento de investir é agora.”

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