BB, Caixa Econômica Federal e as cooperativas Ailos, Sicoob, Sicredi e Unicred firmaram um Acordo de Cooperação Técnica com o Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONS). A iniciativa busca criar uma infraestrutura digital baseada em blockchain para tornar mais ágeis etapas do crédito imobiliário.
O projeto prevê o uso de tokenização para transformar contratos e registros em ativos digitais seguros. Segundo as instituições, a tecnologia pode acelerar a troca de dados entre os participantes do ecossistema e reduzir entraves burocráticos no financiamento de imóveis.
Acordo reúne bancos e cooperativas
O Banco do Brasil e a Caixa participam da cooperação ao lado dos grupos cooperativos Ailos, Sicoob, Sicredi e Unicred. O ONS também integra o acordo, por sua atuação no Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis.
A parceria reúne instituições de perfis distintos em torno de uma infraestrutura comum. Dessa forma, o foco não está em uma solução isolada de cada banco ou cooperativa, mas na integração entre agentes envolvidos nas operações imobiliárias.
O acordo técnico estabelece uma etapa de trabalho conjunto. Agora, os participantes devem definir as jornadas de negócio, os modelos de integração e as soluções tecnológicas necessárias para viabilizar a proposta.
Tokenização busca agilizar operações
A tokenização é apresentada no projeto como um mecanismo para digitalizar contratos e registros de forma segura. Com isso, os dados podem circular mais rapidamente entre os participantes das operações de financiamento imobiliário.
O objetivo declarado é reduzir a burocracia do processo de crédito imobiliário. Além disso, a estrutura baseada em blockchain pretende apoiar o compartilhamento de informações entre os agentes conectados à iniciativa.
O gerente-geral de tecnologia do Banco do Brasil, Julierme de Souza, avaliou que a tokenização pode integrar processos e ampliar eficiência, segurança, rastreabilidade e valor para o mercado. A declaração expressa a expectativa do banco sobre a futura infraestrutura.
Testes devem começar em março
Os testes da solução estão previstos para março do próximo ano, conforme as informações divulgadas sobre o acordo. Nessa fase, os participantes deverão verificar o funcionamento da estrutura proposta.
Um dos objetivos dos testes é assegurar a interoperabilidade entre as instituições. Em termos práticos, a iniciativa pretende permitir que os diferentes participantes possam operar e trocar dados dentro de uma mesma infraestrutura.
Antes dessa etapa, bancos, cooperativas e o ONS devem avançar nas definições operacionais e tecnológicas. Por isso, o acordo ainda representa um projeto em desenvolvimento, e não uma mudança já aplicada às operações de crédito imobiliário.
Projeto mira modernização do mercado
As instituições associam a iniciativa à modernização do mercado imobiliário brasileiro. O ponto central é aproximar os procedimentos de crédito e de registro eletrônico por meio de uma base digital compartilhada.
O financiamento imobiliário envolve contratos, registros e troca de informações entre diferentes agentes. Nesse contexto, a proposta busca organizar essa circulação de dados com recursos de blockchain e ativos digitais tokenizados.
Os efeitos práticos para consumidores, cartórios e operações ainda dependerão do desenho da solução e dos testes previstos. Ainda assim, a cooperação indica que as instituições pretendem desenvolver um padrão de integração voltado especificamente ao crédito imobiliário.


