A advogada Dalide Barbosa Alves Corrêa passou a ocupar uma nova frente de atenção no caso Banco Master depois que documentos de uma auditoria interna do Banco de Brasília, o BRB, apreendidos pela Polícia Federal registraram pagamentos de R$ 33 milhões ao escritório Alves Corrêa em 2024. O material foi encontrado no contexto das investigações sobre as operações entre o BRB e o banco controlado por Daniel Vorcaro.
Segundo a documentação revelada pelo Estadão, diálogos entre executivos do Master citam Dalide em uma justificativa interna que usava a expressão “canal direto com o STF”. A própria reportagem ressalta que as mensagens não explicam o significado da expressão e não identificam ministro do Supremo Tribunal Federal relacionado a esse trecho.
Dalide nega ter atuado para o Banco Master perante o STF ou ter procurado ministros da Corte para tratar de interesses da instituição. A defesa afirma que os serviços jurídicos prestados estavam ligados a causas de empresas cujos ativos creditícios haviam sido adquiridos pelo banco, com atuação em primeira e segunda instâncias.
Documentos registram os pagamentos
A auditoria analisada pela Polícia Federal foi encomendada pelo BRB para examinar a operação envolvendo o Master. Os papéis registram que as despesas do banco com escritórios de advocacia subiram de R$ 76 milhões em 2023 para R$ 215 milhões em 2024.
Dentro desse total, o escritório associado a Dalide recebeu R$ 33 milhões em 2024. O valor aparece entre as maiores despesas jurídicas citadas no material apreendido.
Até agora, a existência do pagamento não equivale a uma conclusão de irregularidade. A Polícia Federal continua analisando o conjunto de documentos, e não há decisão pública que declare ilícito o contrato do escritório de Dalide com o Master.
O ponto ainda sem resposta documental pública é o significado dado pelos executivos à expressão “canal direto com o STF”, já que as mensagens divulgadas não apontam ministro específico nem comprovam atuação da advogada na Corte em favor do banco.
Dalide construiu carreira em Brasília
Dalide Barbosa Alves Corrêa é advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal sob o número 7.609. Registros profissionais também a identificam como sócia-administradora da Alves Corrêa & Veríssimo Advocacia.
Cadastro empresarial atribuído à Receita Federal informa que a sociedade foi aberta em Brasília em junho de 2016, tem serviços advocatícios como atividade e Dalide como sócia-administradora desde a constituição.
A advogada também foi diretora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, o IDP, instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes. Reportagens sobre sua trajetória indicam que ela deixou a direção do instituto em 2017.
O vínculo profissional anterior com o IDP é um dos elementos que aumentaram a repercussão das mensagens internas do Master. Isso, porém, não comprova por si só que Dalide tivesse acesso institucional ao Supremo em nome do banco.
Defesa rejeita vínculo com STF
A advogada afirma que jamais atuou no Supremo Tribunal Federal para o Master. A versão apresentada por sua defesa é de que o trabalho do escritório dizia respeito a processos de empresas relacionadas a créditos adquiridos pela instituição financeira.
Essa distinção é relevante porque a mensagem de executivos do banco foi usada internamente como justificativa de pagamento, mas não apresenta descrição detalhada de um serviço específico perante o STF. A auditoria registra a despesa e o diálogo, enquanto a natureza jurídica completa dos serviços ainda depende da análise dos contratos e dos processos correspondentes.
Gilmar Mendes também foi citado nas reportagens por causa da passagem de Dalide pelo IDP. As informações publicadas indicam que o ministro estava afastado profissionalmente dela desde a saída da advogada da instituição.
Caso Master segue no Supremo
O Banco Master está no centro de diferentes procedimentos judiciais e investigações. No STF, uma das petições recentes envolve relatório da Polícia Federal produzido a partir de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro e diálogos que teriam relação com o ministro Alexandre de Moraes.
Em 15 de setembro, um pedido de vista do ministro Flávio Dino suspendeu a discussão sobre o julgamento conjunto de duas petições relacionadas ao caso. O Supremo informou que o mérito dos processos ainda não havia sido analisado naquela sessão.
Esse contexto é separado da situação específica de Dalide Corrêa. Os documentos sobre os R$ 33 milhões integram a apuração mais ampla das relações financeiras e jurídicas do Master, mas não autorizam concluir que a advogada tenha cometido irregularidade ou exercido influência indevida sobre ministros.
A investigação deverá esclarecer quais serviços foram efetivamente prestados, como os honorários foram definidos e o que os executivos do banco pretendiam dizer ao usar a expressão registrada nas mensagens. Até que haja conclusão oficial, essas questões permanecem sob apuração.


