PGR apoia saída de pai de Vorcaro da prisão para exames médicos

Henrique Moura Vorcaro, preso desde maio na Operação Compliance Zero, alega possível crise de diverticulite; manifestação prevê saída temporária sob regras do presídio.

Da
Redação
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A Procuradoria-Geral da República se manifestou favoravelmente à saída temporária de Henrique Moura Vorcaro da prisão para a realização de exames médicos. Pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, Henrique está preso desde 14 de maio no âmbito da Operação Compliance Zero e alegou sintomas compatíveis com uma possível crise de diverticulite.

O parecer foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. A manifestação não pede a revogação da prisão preventiva. O que a PGR admite é uma saída específica, limitada à realização dos exames solicitados por médico particular, sob regras definidas pelo estabelecimento prisional.

PGR aceita saída para exames

Na manifestação, Gonet afirma que não vê impedimento para que Henrique deixe temporariamente a unidade prisional para realizar os exames indicados por seu médico.

“A Procuradoria-Geral da República não enxerga óbice à saída do investigado para realização dos exames solicitados pelo médico particular.”

Paulo Gonet, procurador-geral da República

O parecer ressalva, porém, que a movimentação deve obedecer às normas do presídio, que ficará responsável por estabelecer como a saída será operacionalizada.

Com isso, a PGR separa duas questões: a continuidade da prisão preventiva e a necessidade de permitir atendimento médico específico fora da unidade.

Defesa alega possível diverticulite

A defesa informou que Henrique apresentou sintomas de uma possível crise de diverticulite, condição que envolve inflamação ou infecção de pequenas bolsas formadas na parede do intestino grosso.

Os advogados pediram consulta com um coloproctologista e exames relacionados ao quadro. Segundo informações levadas ao processo, Henrique já havia sido atendido por equipe de saúde após apresentar sintomas.

A avaliação anterior não apontou urgência médica, e houve prescrição de antibióticos. Mesmo assim, a defesa insistiu na necessidade de investigação complementar com o profissional que acompanha o paciente.

O parecer favorável da PGR não significa reconhecimento de gravidade médica nem autorização automática de saída; a decisão final cabe ao STF.

Prisão começou em maio

Henrique Moura Vorcaro está preso desde 14 de maio, quando foi alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero.

A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional associados ao núcleo ligado ao Banco Master.

Henrique presidia a Multipar, empresa que passou a ser citada nas apurações sobre movimentações financeiras ligadas à família Vorcaro.

Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontaram movimentações superiores a R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 em operações envolvendo contas relacionadas ao núcleo investigado.

Conta atribuída entrou na investigação

O nome de Henrique ganhou peso adicional no inquérito depois de a Polícia Federal apontar movimentações associadas a uma conta atribuída a ele.

Segundo informações encaminhadas ao Supremo, investigadores suspeitam que valores bilionários tenham sido ocultados em estruturas financeiras relacionadas ao grupo familiar.

Esses elementos fazem parte de uma investigação ainda em andamento e não representam condenação definitiva dos envolvidos.

A defesa dos investigados tem contestado pontos da apuração e apresentado pedidos ao STF relacionados às medidas cautelares e à manutenção das prisões.

Parecer não revoga preventiva

O principal ponto da manifestação da PGR é que a autorização médica pode ser concedida sem modificar a situação processual de Henrique.

Em outras palavras, a saída seria temporária e exclusivamente vinculada aos exames, com retorno à prisão depois do atendimento.

Esse tipo de autorização depende de decisão judicial e de logística definida pela administração penitenciária, inclusive escolta e horários.

A posição da PGR, portanto, é favorável ao atendimento fora da unidade, mas não altera o entendimento sobre a custódia cautelar imposta no processo.

STF decidirá pedido da defesa

Com o parecer da Procuradoria, o pedido segue para análise no Supremo Tribunal Federal, onde tramita o caso relacionado às investigações do Banco Master.

A Corte deverá avaliar a documentação médica, os argumentos da defesa e as condições propostas para eventual deslocamento do preso.

Se a saída for autorizada, o presídio deverá definir a forma prática de cumprimento, inclusive medidas de segurança e retorno após a consulta.

Até a decisão judicial, Henrique permanece preso. O parecer da PGR representa apenas uma manifestação favorável a uma saída pontual para exames, sem efeito automático sobre a prisão preventiva.

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