Dona da Serra Verde aposta em computação quântica para terras raras

USA Rare Earth firmou parceria com Pasqal e Riven Systems para buscar moléculas capazes de tornar a separação dos minerais mais eficiente e barata.

Da
Redação
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USA Rare Earth firmou parceria com Pasqal e Riven Systems para buscar moléculas capazes de tornar a separação dos minerais mais eficiente e barata.Divulgação/Serra Verde
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A USA Rare Earth, controladora da mineradora Serra Verde, em Goiás, firmou uma parceria com a francesa Pasqal e a americana Riven Systems para desenvolver tecnologias de separação de terras raras com apoio de computação quântica, inteligência artificial e laboratórios automatizados. O projeto ainda está em fase de pesquisa e desenvolvimento.

A meta é identificar novas moléculas extratantes capazes de separar elementos de terras raras com maior seletividade do que os processos usados atualmente. Se a pesquisa avançar, as empresas esperam reduzir etapas de processamento, equipamentos, consumo de insumos e custos operacionais.

Projeto busca novas moléculas

A separação de terras raras é uma das etapas mais complexas da cadeia mineral porque os elementos possuem propriedades químicas muito semelhantes.

O projeto pretende combinar experimentos automatizados com modelos de aprendizado de máquina e computação quântica para acelerar a busca por compostos mais eficientes.

A Riven Systems será responsável por realizar milhares de testes em laboratório e gerar dados sobre a seletividade dos extratantes.

A computação quântica não será usada diretamente dentro da planta industrial, mas como ferramenta de pesquisa para acelerar a descoberta de novas soluções químicas.

Pasqal testará modelos quânticos

A Pasqal utilizará sua plataforma de computação quântica para comparar modelos quânticos com abordagens clássicas de aprendizado de máquina.

O objetivo é descobrir se a tecnologia consegue encontrar combinações químicas promissoras de forma mais rápida ou precisa.

Os melhores candidatos identificados pelos modelos serão submetidos a testes físicos no laboratório automatizado da Riven.

Depois disso, os compostos mais promissores deverão ser validados no centro de pesquisa e desenvolvimento da USA Rare Earth, no Colorado.

Separação é gargalo da cadeia

A produção de um concentrado misto é apenas uma etapa do processo. Para uso em ímãs, eletrônicos e equipamentos avançados, os elementos precisam ser separados individualmente.

Essa fase exige muitas etapas químicas e pode demandar grandes volumes de equipamentos e reagentes.

A China domina boa parte dessa capacidade global, especialmente no caso de terras raras pesadas como disprósio, térbio e ítrio.

A parceria tenta reduzir essa dependência ao buscar processos que possam ser economicamente competitivos fora da Ásia.

Serra Verde integra estratégia global

A USA Rare Earth concluiu recentemente a aquisição da Serra Verde, operação localizada em Minaçu, Goiás.

A mineradora brasileira produz concentrado misto e ganhou relevância por conter elementos usados na fabricação de ímãs permanentes.

Apesar de a controladora comandar a Serra Verde, o comunicado da parceria não cita especificamente o minério brasileiro entre os insumos da primeira fase de testes.

Os materiais iniciais previstos incluem o projeto Round Top, no Texas, carbonatos mistos de terceiros e resíduos da fabricação de ímãs.

Empresas miram plantas menores

As companhias afirmam que moléculas mais seletivas podem diminuir o número de estágios necessários para separar os elementos.

Isso poderia resultar em instalações menores, menos consumo de reagentes e redução de custos de implantação e operação.

“AI and autonomous labs are the next frontier in critical mineral processing.”

Orion Archer Cohen, CTO da Riven Systems

O potencial econômico ainda depende de resultados experimentais e de validação em escala maior, já que não há cronograma de aplicação comercial divulgado.

Pesquisa tenta reduzir dependência chinesa

A iniciativa ocorre em meio a uma corrida de Estados Unidos e aliados para diversificar cadeias de minerais críticos.

Terras raras são usadas em setores como defesa, energia, semicondutores, veículos elétricos, data centers e equipamentos industriais.

A USA Rare Earth pretende integrar mineração, metais, ligas e fabricação de ímãs em uma cadeia ocidental menos dependente da China.

A parceria com Pasqal e Riven é uma aposta tecnológica dentro desse plano, mas ainda precisará demonstrar que os ganhos obtidos em laboratório podem ser transferidos para uma operação industrial competitiva.

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