O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de que pessoas investigadas na Operação Transparência atribuíam ao deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) capacidade de influenciar a composição da Corte. A avaliação consta da decisão que autorizou a terceira fase da operação da Polícia Federal, deflagrada em 14 de setembro.
Segundo o documento, a conclusão decorre de mensagens examinadas na investigação, incluindo conversa entre o parlamentar e a advogada Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. A defesa de Cezinha afirmou que ele está à disposição das autoridades e que demonstrará não ter cometido irregularidades no devido processo legal.
Decisão cita conversa de 2025
O diálogo mencionado por Dino ocorreu após Mariângela encaminhar, em 16 de outubro de 2025, uma notícia ao deputado. O conteúdo tratava de reunião de Cezinha com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com Jorge Messias, então advogado-geral da União.
Naquele período, Messias era apontado como possível candidato a uma vaga no STF. Em seguida ao envio da notícia, a advogada mandou uma mensagem ao deputado que foi considerada relevante na decisão.
Para Dino, a troca deve ser lida em conjunto com outras conversas recolhidas pela Polícia Federal. Dessa forma, o ministro concluiu que os investigados poderiam enxergar Cezinha como alguém capaz de atuar sobre a própria formação do Supremo.
Investigação apura suposta articulação
A decisão também registra a hipótese investigativa de uma parceria entre Mariângela e Valéria Rodrigues Linhares, mulher de Cezinha. Segundo a apuração, elas buscariam decisões favoráveis em processos no STF com auxílio do deputado.
Tu vais fazer mais um!”
Mariângela Fialek, advogada, em mensagem enviada a Cezinha de Madureira
O material descrito por Dino associa Cezinha a contatos pessoais e diretos com ministros de tribunais superiores. A investigação trata essa dinâmica como uma linha de apuração, não como conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos envolvidos.
Os ministros mencionados nas mensagens não são investigados na Operação Transparência. A decisão afirma que não há elementos de que magistrados tenham pedido, aceitado ou recebido vantagem indevida, nem de que tenham tomado decisões contrárias à lei.
PF analisa contatos com ministros
Segundo a decisão, a Polícia Federal identificou um padrão em que peças processuais e memoriais eram enviados ao deputado. Posteriormente, surgiam mensagens nas quais ele dizia ter conversado, despachado ou feito pedido a um ministro.
Um dos diálogos destacados ocorreu em 12 de junho de 2025. Na ocasião, Cezinha disse que falaria por vídeo com o ministro Kassio Nunes Marques e que havia avisado uma pessoa que tinha um tema a tratar com ele.
Para os investigadores, os aparelhos do parlamentar podem ajudar a identificar quem seria essa pessoa e qual assunto estaria em discussão. O trecho integra os fundamentos usados para autorizar a nova etapa da operação.
Defesa diz que fatos serão esclarecidos
A defesa de Cezinha de Madureira declarou que o deputado permanece à disposição das autoridades. Além disso, sustentou que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo legal.
Os advogados afirmaram que será demonstrada a inexistência de irregularidades atribuídas ao parlamentar. A manifestação responde aos elementos descritos na decisão judicial que autorizou a terceira fase da Operação Transparência.
A investigação, por sua vez, segue concentrada nas mensagens e nos dispositivos que podem esclarecer os contatos citados no material analisado. A decisão delimita que a referência a integrantes dos tribunais decorre da alegada influência dos investigados, sem imputação de conduta ilícita aos magistrados.


