A AirBaltic entrou voluntariamente com pedido de proteção judicial sob o Chapter 11 do Código de Falências dos Estados Unidos, em Nova York, para reestruturar dívidas em meio à crise desencadeada pela guerra com o Irã. A empresa da Letônia informou que os voos devem continuar conforme a programação durante o processo supervisionado pela Justiça.
A companhia afirmou ter garantido € 350 milhões em financiamento para sustentar as operações enquanto negocia sua reorganização. O processo ocorre após o aumento dos custos do combustível de aviação e diante de uma estrutura financeira que, segundo documentos apresentados ao tribunal, reúne dívida, passivos de arrendamento e obrigações tributárias.
Empresa aciona o Chapter 11
O Chapter 11 oferece proteção contra credores e permite que empresas nos Estados Unidos tentem reorganizar suas obrigações financeiras sob supervisão judicial. No caso da AirBaltic, o pedido foi protocolado em Nova York.
A companhia descreveu a medida como parte de uma tentativa de sobreviver à crise no setor aéreo. Em documento apresentado ao tribunal, o conselho atribuiu as dificuldades a uma combinação de fatores financeiros e geopolíticos.
O CEO Erno Hilden afirmou que a companhia pretende negociar com as partes envolvidas nos próximos meses. Segundo ele, a empresa espera que a reestruturação produza uma melhora de € 44 milhões no lucro anual.
Financiamento sustenta as operações
O pacote de € 350 milhões foi informado pela AirBaltic como apoio às operações durante a reestruturação. A liberação ainda depende de aprovação do tribunal, de acordo com Hilden.
Entre as instituições financeiras citadas pela empresa estão Strategic Value Partners, Barclays, Hayfin Capital Management, Morgan Stanley e Oaktree Capital Management. A taxa do financiamento é de cerca de 12%.
Antes do pedido judicial, os detentores de títulos deveriam votar em um plano para levantar até € 257 milhões em nova dívida super-sênior. Essa operação teria vencimento em fevereiro de 2027 e taxa de 25%.
Passivos pressionam o caixa
Documentos do processo apontam aproximadamente US$ 583 milhões em dívidas financiadas e passivos de arrendamento financeiro. Além disso, a companhia teria € 106 milhões devidos em impostos sobre a folha de pagamento, taxas e tributos aéreos.
Em 2025, a receita da AirBaltic foi de aproximadamente € 779 milhões. Os números ajudam a dimensionar a pressão sobre a companhia enquanto busca uma composição com credores.
O primeiro-ministro da Letônia, Andris Kulbergs, disse que os detentores de títulos que representavam mais de 70% do valor da dívida optaram pela liquidação. Segundo ele, essa decisão antecedeu a abertura do processo de recuperação.
Os valores financeiros citados no processo e pela empresa estão organizados abaixo.
| Valores financeiros da AirBaltic | |
|---|---|
| Item | Valor informado |
| Financiamento para reestruturação | € 350 milhões |
| Dívidas e passivos de arrendamento | US$ 583 milhões |
| Receita em 2025 | € 779 milhões |
Fonte: AirBaltic e documento apresentado ao tribunal
Guerra eleva custo do combustível
Segundo a empresa, a guerra entre Estados Unidos e Irã levou à duplicação dos preços do combustível de aviação. O cenário desencadeou a pior crise no setor de viagens aéreas desde a pandemia de Covid-19, conforme a avaliação apresentada no material do processo.
A AirBaltic informou que manterá os voos programados durante a recuperação judicial. A empresa espera concluir o processo até junho do próximo ano.
Investidores e executivos do setor vinham alertando para o risco de quebra de companhias com balanços mais fragilizados. A AirBaltic é apontada como a segunda aérea a recorrer à falência em meio à guerra com o Irã, após o colapso da Spirit Airlines em maio.
Governo mantém busca por investidor
A AirBaltic é controlada majoritariamente pelo governo da Letônia. A Lufthansa detém uma participação minoritária de 10% na empresa.
Kulbergs declarou que o governo continua procurando um investidor estratégico. Ao mesmo tempo, a aérea reduz a frota e reorganiza as obrigações financeiras.
O primeiro-ministro afirmou que € 380 milhões captados por títulos emitidos em 2024 já haviam sido gastos em abril. Ele acrescentou que um empréstimo emergencial de € 30 milhões do governo se esgotou em junho.
O chefe do governo também citou tentativas de arrendar aeronaves excedentes. Para ele, a operação das rotas entre os países bálticos e a Letônia exigiria cerca de 30 aviões, e não 100.
Frota passa por redimensionamento
A empresa possui uma frota de cerca de 50 aeronaves Airbus A220-300. Antes da crise, a AirBaltic pretendia ampliar esse total para 100 aviões.
O analista de aviação Simonas Bartkus afirmou que a companhia esperava desenvolver o tráfego de conexão entre Rússia, Bielorrússia e Ucrânia por Riga. Segundo ele, essa possibilidade deixou de estar disponível.
Na avaliação de Bartkus, a empresa se tornou grande demais para seu mercado e o aumento do custo do combustível tornou a situação crítica. Já o analista John Strickland comparou o caminho escolhido pela AirBaltic ao processo de recuperação da SAS entre 2022 e 2024.
Para Kulbergs, a proteção judicial cria prazo e instrumentos para executar a reorganização. O governo letão considera a medida uma alternativa para preservar a viabilidade da companhia.


