Caixa-preta aponta alerta sobre velocidade antes de acidente da Amazon em Miami

Gravador de voz registrou preocupação de um piloto durante a aproximação; cinco trabalhadores morreram após avião de carga sair da pista.

Da
Redação
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Investigação do NTSB apura a saída de pista de um Boeing 767 operado para a Amazon no Aeroporto Internacional de Miami.Via REUTERS
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A caixa-preta do avião da Amazon que saiu da pista no Aeroporto Internacional de Miami, em 6 de setembro, registrou preocupação de um dos pilotos com a velocidade da aeronave antes do pouso. O acidente com o Boeing 767 operado pela 21 Air deixou cinco mortos, todos ocupantes de uma van de equipe de limpeza atingida na área do aeroporto.

Em atualização divulgada na noite de 9 de setembro, o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) informou que alertas automáticos de velocidade foram ouvidos na cabine. A investigação ainda busca esclarecer as ações adotadas pela tripulação nos segundos finais antes de o cargueiro ultrapassar a pista, colidir com veículos e pegar fogo.

Gravador registra alerta de velocidade

Segundo o resumo do gravador de voz da cabine divulgado pelo NTSB, um dos pilotos afirmou, cerca de dois minutos depois de receber autorização para pousar, que a aeronave estava rápida demais. O órgão relatou comentários adicionais sobre a velocidade durante o restante da gravação.

O NTSB acrescentou que não houve resposta verbal coerente aos comentários registrados. Além disso, o sistema de alerta de proximidade do solo emitiu avisos automatizados de que o Boeing 767 descia em velocidade excessiva.

Os investigadores recuperaram tanto o gravador de voz quanto o gravador de dados de voo na cauda do avião e acessaram o conteúdo em laboratório, em Washington. Enquanto o gravador de dados descreve o comportamento da aeronave, as conversas na cabine ajudam a reconstituir a sequência que antecedeu a saída de pista.

Pouso termina além da pista

O cargueiro, com peso informado de cerca de 104 toneladas, ultrapassou o fim da pista em alta velocidade. Na sequência, atingiu uma van com trabalhadores de limpeza, uma cerca aeroportuária, barreiras de concreto e um veículo utilitário esportivo antes de parar e pegar fogo.

A van trafegava por uma via de serviço do aeroporto, segundo a presidente da NTSB, Jennifer Homendy. Já o SUV foi atingido do lado externo da cerca do complexo aeroportuário.

Depois de tocar a pista, um piloto pediu uma arremetida, procedimento que interrompe o pouso para uma nova aproximação. No entanto, de acordo com o NTSB, a aeronave estava a apenas cinco segundos de ultrapassar o final da pista.

Dados mostram toque irregular

O investigador principal do NTSB, Chihoon Shin, informou em 8 de setembro que dois conjuntos de trem de pouso tocaram a pista quando o avião se deslocava a mais de 290 km/h. O terceiro conjunto, localizado na parte traseira esquerda, só tocou o solo nove segundos depois.

As entrevistas com a tripulação nos ajudarão a esclarecer alguns pontos […] em relação a ações que eles podem ter realizado, mas não verbalizaram.”

Chihoon Shin, investigador principal da NTSB

Aeronaves são projetadas para pousar primeiro com os trens traseiros. Por isso, a cronologia dos contatos com a pista integra os elementos examinados pelos investigadores.

Quinze segundos antes do fim da gravação, a aeronave estava perto de 225 km/h quando os freios das rodas foram liberados e as manetes de potência foram levadas à posição máxima. Quatro segundos depois, as manetes voltaram à marcha lenta e os freios foram acionados novamente.

Investigação apura comandos da tripulação

O NTSB planejou entrevistar os dois pilotos e o piloto-chefe adjunto da 21 Air. As conversas devem ajudar o órgão a entender o uso das manetes de potência e eventuais ações que não tenham sido verbalizadas na cabine.

Shin disse que os relatos da tripulação são necessários para esclarecer a operação dos comandos durante a aproximação e o pouso. A investigação também não encontrou indícios de uso de freios aerodinâmicos ou reversores de empuxo, sistemas destinados a reduzir a velocidade da aeronave.

Em 8 de setembro, equipes do NTSB recolheram destroços, fizeram medições, examinaram motores e cabine e recuperaram evidências em um estacionamento próximo ao ponto onde o avião parou. Os investigadores também recuperaram o gravador de dados de um dos veículos atingidos.

Autoridades reconstituem rota e operação

Além da área do acidente, o NTSB visitou a torre de controle e o centro de controle de aproximação por radar que direciona aeronaves para o aeroporto. Os investigadores também foram ao centro de operações da 21 Air em Miami e ouviram o despachante responsável pelo planejamento pré-decolagem e pelo monitoramento do voo entre San Juan e Miami.

O avião transportava mais de 14 toneladas de carga, principalmente lentes de contato, informou o órgão. A aeronave era operada para a Amazon pela 21 Air.

Uma das pistas do Aeroporto Internacional de Miami permaneceu fechada após o acidente, enquanto outra foi reaberta para decolagens na noite de 8 de setembro. A NTSB afirmou que prioriza a coleta de evidências que podem se perder com o tempo.

Mortes levam caso à Justiça

As cinco vítimas fatais trabalhavam para a Professional Ocean Service Corp., empresa de limpeza subcontratada por companhias aéreas, segundo o gabinete da xerife de Miami-Dade. Os mortos foram identificados como Rolando Alemán León, Yoel Rodríguez Naranjo, Julio C. Pineda, Carlos Acosta Fajardo e Javierkys Reyes Quevedo.

A viúva de Rodríguez Naranjo, Yaraisi Santiso Morejón, abriu em 9 de setembro uma ação por morte decorrente de negligência no condado de Miami-Dade contra os pilotos, a Amazon e a 21 Air. Na ação, seus advogados alegam que falhas simultâneas contribuíram para a tragédia.

Três feridos continuavam hospitalizados na manhã de 8 de setembro, conforme o gabinete da xerife. Ridoel Averhoff Díaz, passageiro da van, e Eugenio Corredor, ocupante do outro veículo, estavam em estado crítico; Roosevelt Sebastián Perdomo Torres, também passageiro da van, estava em condição estável.

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