Gripe aviária atinge leões-marinhos ameaçados em colônia na Austrália

Quatro animais, incluindo um filhote, testaram positivo para H5 em importante área reprodutiva; mais de 900 aves morreram nas mesmas ilhas

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Redação
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Leões-marinhos-australianos estão entre as espécies afetadas pela circulação do H5 na Austrália do SulABC South East SA/Caroline Horn
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Quatro leões-marinhos-australianos, incluindo um filhote, testaram positivo para gripe aviária H5 em uma importante colônia reprodutiva nas ilhas North Page e South Page, próximas à Kangaroo Island, no sul da Austrália. Os animais estavam entre leões-marinhos encontrados mortos durante operações de vigilância na região.

As novas confirmações elevaram para cinco o número de casos conhecidos da doença nessa espécie no estado da Austrália do Sul. O primeiro havia sido confirmado em 13 de setembro em Seal Bay, também na Kangaroo Island.

A detecção preocupa porque o leão-marinho-australiano é uma espécie ameaçada e existe apenas na Austrália. Estimativas oficiais apontam população inferior a 12 mil animais, com cerca de 85% concentrados na Austrália do Sul.

Vírus chega a colônia reprodutiva

As ilhas Pages abrigam uma das principais colônias reprodutivas da espécie. O governo australiano classifica o leão-marinho-australiano como ameaçado de extinção e destaca que as fêmeas retornam à mesma colônia onde nasceram para se reproduzir.

Essa fidelidade ao local de nascimento reduz a capacidade de recuperação quando uma colônia sofre perdas significativas. Além disso, a espécie tem ciclo reprodutivo longo e reprodução em intervalos maiores do que os observados em vários outros pinípedes.

Os quatro animais positivos foram encontrados nas ilhas North Page e South Page. O governo da Austrália do Sul registra as detecções de H5 em formato de “eventos”, que podem envolver um ou mais animais, de acordo com os protocolos nacionais.

A vigilância que identificou os animais integra uma operação ampliada ao longo do litoral e das ilhas do estado para acompanhar a propagação do vírus entre aves e mamíferos marinhos.

Mais de 900 aves morreram na região

As mesmas ilhas registraram uma mortalidade em massa de andorinhas-do-mar-de-crista, com cerca de 900 aves encontradas mortas. O episódio já havia sido associado à circulação do H5 na área antes da confirmação nos leões-marinhos.

A presença simultânea do vírus em aves e mamíferos aumenta a preocupação de autoridades ambientais, especialmente durante períodos de reprodução e concentração de animais em colônias costeiras.

As autoridades australianas mantêm um sistema nacional de atualização dos eventos confirmados de gripe aviária H5 em fauna silvestre, com dados enviados pelos governos estaduais e territoriais.

Espécie já vinha em declínio

O leão-marinho-australiano sofreu forte redução populacional após décadas de caça comercial nos séculos 18 e 19 e nunca recuperou completamente sua distribuição histórica.

O governo federal estima que a população atual esteja abaixo de 12 mil indivíduos. Em algumas colônias, levantamentos recentes apontaram quedas importantes na sobrevivência de filhotes e redução continuada da população.

Especialistas destacam que a combinação de baixa abundância, reprodução lenta e forte fidelidade das fêmeas às colônias torna a espécie especialmente vulnerável a surtos de doenças.

Governo amplia vigilância e prevenção

O Departamento de Meio Ambiente da Austrália do Sul informou que mantém ações para reduzir o risco à fauna, incluindo vigilância e medidas de proteção em áreas de reprodução.

O governo estadual também trabalha com autoridades federais em estratégias para avaliar vacinação de mamíferos marinhos. Uma campanha separada de vacinação de aves já estava em andamento no Cleland Wildlife Park.

As autoridades orientam moradores e visitantes a não tocar em aves ou mamíferos encontrados doentes ou mortos. A recomendação é manter distância, registrar a localização e comunicar ocorrências à linha nacional de emergência para doenças animais.

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