Zoo de Cuba raciona comida e reduz reprodução para salvar animais

Reserva com quase mil animais enfrenta apagões, falta de combustível, escassez de medicamentos e saída de veterinários

Da
Redação
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Reserva com quase mil animais enfrenta apagões, falta de combustível, escassez de medicamentos e saída de veterinários
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O Zoológico Nacional de Cuba, nos arredores de Havana, passou a racionar alimentos, reduzir programas de reprodução e depender cada vez mais de doações para manter quase mil animais, entre eles rinocerontes, tigres, jaguares e hipopótamos. A instituição enfrenta falta de combustível, apagões prolongados, escassez de medicamentos e perda de funcionários especializados.

O parque ocupa cerca de 345 hectares e funciona como uma reserva genética de relevância internacional. Entre seus grupos reprodutivos estão rinocerontes-negros, rinocerontes-brancos, zebras-de-Grant e grandes felinos, além de espécies ameaçadas cuja manutenção exige alimentação e cuidados veterinários constantes.

A crise ganhou novo peso depois que o zoológico chegou a ficar 23 dias sem eletricidade, o que também comprometeu o abastecimento de água. Mesmo assim, a direção afirma que os animais continuaram recebendo comida e água por meio de soluções emergenciais, como caminhões-pipa e doações privadas.

Carne é racionada para grandes felinos

Os carnívoros do zoológico consomem, em conjunto, cerca de meia tonelada de carne por dia. Um tigre adulto precisa de aproximadamente sete quilos diários, mas a oferta irregular levou os tratadores a distribuir o alimento com cautela para evitar que os estoques acabem rapidamente.

Dois filhotes de tigre-de-bengala, um deles branco, estão entre os animais que exigem atenção especial. O responsável pelos grandes felinos afirmou que os filhotes poderiam estar em melhores condições e explicou que a equipe prefere controlar as porções para garantir alimentação por mais tempo.

Os herbívoros também pressionam a logística do parque. Eles necessitam de cerca de 2,5 toneladas de produtos frescos por dia, em um momento em que transporte, armazenamento refrigerado e fornecimento regular de insumos estão mais difíceis.

Doadores privados ajudam a preencher parte dessa lacuna. Uma moradora cubano-americana que vive na ilha entrega carne semanalmente, mas relatou que em alguns dias a quantidade disponível ainda não é suficiente para todos os animais.

Zoo reduz reprodução para conter custos

A direção decidiu desacelerar programas de reprodução porque cada novo filhote significa mais comida, medicamentos e pessoal. A medida atinge justamente uma instituição que abriga grupos genéticos considerados valiosos para a conservação.

Preferimos tener el número que tenemos en estos momentos y que estén lo mejor posible”.

Yoel Machado, chefe de bem-estar animal do Zoológico Nacional de Cuba

O zoológico abriga o único grupo reprodutor de rinocerontes-negros fora da África, além de uma importante população de rinocerontes-brancos e a maior manada de zebras-de-Grant das Américas.

Apesar das restrições, houve novos nascimentos nos últimos meses, incluindo tigres, hienas, chacais e uma dromedária negra chamada Esperanza, primeiro exemplar desse tipo nascido em Cuba em cerca de três décadas.

Apagões e saída de veterinários agravam crise

Mais de um terço dos técnicos veterinários deixou o parque em busca de salários maiores em outras atividades, sobretudo no setor privado. Alguns passaram a trabalhar em clínicas particulares ou fora da área de conservação.

A falta de combustível também dificulta a chegada dos funcionários. Parte da equipe passou a recorrer a bicicletas, scooters e motos elétricas para percorrer o trajeto até a reserva, localizada a cerca de 20 quilômetros do centro de Havana.

Os apagões recorrentes criam outro problema: sem refrigeração contínua, conservar grandes quantidades de carne torna-se mais difícil. A interrupção de energia também afeta bombas e sistemas ligados ao abastecimento de água.

Sanções ampliam pressão sobre a economia cubana

Cuba enfrenta uma crise econômica e energética marcada por escassez de combustível, alimentos e medicamentos. O governo cubano atribui parte relevante dessas dificuldades ao endurecimento das sanções dos Estados Unidos e às restrições que afetam comércio, transporte e financiamento internacional.

Washington ampliou em 2026 o programa de sanções contra entidades e pessoas ligadas ao governo cubano e autorizou medidas que podem atingir terceiros que mantenham determinadas relações comerciais com alvos bloqueados. Ao mesmo tempo, o Tesouro americano afirma que suas regras preservam autorizações para atividades humanitárias e que as medidas não têm como objetivo impedir o envio de alimentos, medicamentos ou dispositivos médicos à ilha.

No zoológico, porém, a combinação de falta de combustível, cortes de energia, carência de insumos e perda de pessoal já alterou o funcionamento cotidiano. A prioridade declarada pela administração é manter os animais existentes em condições adequadas, mesmo que isso signifique limitar temporariamente a expansão dos programas de reprodução.

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