NTSB aponta alertas antes de acidente com avião da Amazon nos EUA

Gravação da cabine indica que pilotos discutiram a velocidade e receberam avisos automáticos antes de o Boeing 767 ultrapassar a pista em Miami.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
O NTSB investiga as circunstâncias do acidente com um Boeing 767 operado para a Amazon Prime Air em Miami.Via REUTERS
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) informou que a tripulação de um Boeing 767 operado para a Amazon Prime Air recebeu alertas sobre a aproximação antes de a aeronave ultrapassar a pista em Miami, no domingo (6). O acidente matou cinco pessoas e deixou outras cinco feridas depois que o cargueiro atingiu dois veículos no solo.

Segundo a atualização divulgada pelo órgão na quarta-feira (9), um dos pilotos disse que o avião estava rápido demais pouco mais de um minuto antes do toque na pista. A investigação ainda está em andamento, e o NTSB não identificou, no relato da gravação da cabine, qual dos dois ocupantes era o comandante ou o primeiro oficial.

NTSB relata sequência de alertas

Antes do pouso, o sistema da aeronave emitiu duas vezes o alerta automático de taxa de descida. Depois, conforme o NTSB, soaram cinco avisos de proximidade do terreno.

Os dados preliminares indicam que, em determinado momento da aproximação, o avião perdeu 400 pés de altitude em quatro segundos. Enquanto os alertas tocavam, um dos pilotos continuou a comentar a velocidade da aeronave.

O outro piloto não deu uma resposta verbal clara, de acordo com o conteúdo da gravação de voz da cabine divulgado pelo conselho. O registro se tornou um dos elementos analisados pelos investigadores na reconstrução dos momentos anteriores ao acidente.

Avião ultrapassa pista em Miami

O Boeing 767 ultrapassou a pista em cerca de 1.300 pés, o equivalente a aproximadamente 396 metros, informou o NTSB. Em seguida, atingiu dois veículos que estavam em solo.

Quinze segundos após o toque, um dos pilotos pediu para abortar o pouso. As manetes foram então elevadas a um nível compatível com a potência de uma arremetida, segundo a atualização da investigação.

Naquele momento, a aeronave se aproximava do fim da pista e mantinha velocidade de 222 km/h, conforme dados do Flightradar24 baseados nas informações preliminares do NTSB. Quatro segundos depois, as manetes voltaram à posição de marcha lenta.

Eles tiveram vários sinais de que a aproximação não estava estabilizada, mas continuaram em vez de arremeter.”

Anthony Brickhouse, consultor de segurança aeroespacial

Dados mostram saída do pavimento

Após a redução das manetes, a gravação registrou sons semelhantes aos produzidos quando o avião deixa a superfície pavimentada da pista, informou o órgão americano. A sequência ocorreu depois da tentativa de interromper o pouso.

O NTSB também havia dito, na terça-feira (8), que os dados registrados não indicavam o acionamento dos freios aerodinâmicos nem dos reversores de empuxo. Esses sistemas podem auxiliar na desaceleração da aeronave após o toque.

O avião era operado pela empresa 21 Air, sediada em Miami. A companhia não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre as informações divulgadas pelo NTSB.

Investigação ouve os dois pilotos

Investigadores entrevistaram o comandante e o primeiro oficial durante boa parte da quarta-feira antes de divulgar os detalhes da gravação de cabine. O NTSB informou que o comandante tem 55 anos, habilitação para o Boeing 767 desde maio e 7.145 horas de voo.

O primeiro oficial, de 37 anos, obteve a habilitação para o modelo em abril de 2025 e acumula 2.655 horas de voo, segundo o conselho. A atualização não atribui responsabilidade individual aos pilotos.

O cargueiro fazia o terceiro voo do dia. Antes do acidente, às 13h53 no horário de Miami, a aeronave havia voado de Cincinnati para Miami, de Miami para San Juan, em Porto Rico, e retornava de San Juan.

Especialista questiona continuidade da aproximação

Anthony Brickhouse, consultor de segurança aeroespacial, afirmou que os dados divulgados até agora apontam uma possível falha no gerenciamento de recursos da cabine. O treinamento busca assegurar comunicação clara e coordenação de decisões entre os pilotos.

Na avaliação do especialista, os alertas registrados indicavam que a aproximação não estava estabilizada. Por isso, ele questionou por que a tripulação seguiu com o pouso em vez de arremeter.

Brickhouse também ressaltou que acidentes aéreos costumam envolver mais de um fator. Dessa forma, as entrevistas e os dados de voo integram a apuração que deve examinar as decisões tomadas pela tripulação e o funcionamento da aeronave.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *