A pesquisa sobre a crise migratória em Ceuta mostra que a maioria dos espanhóis desaprova a resposta do governo de Pedro Sánchez à chegada em massa de migrantes ao enclave espanhol no norte da África. O levantamento do instituto 40dB, divulgado na segunda-feira (7), aponta que 72% dos entrevistados responsabilizam o governo espanhol pela crise, enquanto apenas 14,2% avaliam positivamente sua condução.
O estudo ouviu 2 mil pessoas para o jornal El País e a rádio SER. Além da avaliação sobre a crise, os resultados registram avanço do Partido Popular (PP) e do Vox nas intenções de voto, enquanto o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Sánchez, recuou. Os dados também revelam apoio majoritário a controles de fronteira mais rígidos.
Pesquisa mede a reprovação ao governo
Segundo o levantamento, dois terços dos entrevistados consideram que a resposta de Sánchez foi lenta demais. A avaliação negativa ocorre após a travessia em massa registrada no fim de julho, quando migrantes cruzaram irregularmente a fronteira entre Marrocos e Ceuta.
O Marrocos aparece como o principal responsável pela crise para 89% dos participantes. Em seguida, foram citados grupos de tráfico de pessoas, com 75%; a disseminação de desinformação nas redes sociais, com 74%; e os próprios migrantes que fizeram a travessia, com 73%.
O governo espanhol foi responsabilizado por 72% dos entrevistados. Ainda assim, o resultado não indica que todos atribuam a crise a um único agente, já que os participantes puderam apontar diferentes responsáveis.
Direita amplia vantagem nas intenções de voto
As intenções de voto combinadas para o PP e o Vox chegaram a 50,2%. Segundo a pesquisa, essa foi a primeira vez durante a atual legislatura que uma possível aliança entre os dois partidos ultrapassou a marca de 50% em um levantamento do instituto.
O PP registrou 32,4%, ante 32% na pesquisa anterior da 40dB, realizada em julho. O Vox alcançou 17,8%, contra 17,2% anteriormente. Por outro lado, o PSOE caiu de 28% para 27,6%.
Assumimos a responsabilidade, eu inclusive, pela situação em Ceuta”
Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha
O bloco de centro-esquerda somou 36,1%, de acordo com os dados divulgados. A diferença entre os blocos aparece, portanto, associada tanto ao crescimento dos partidos de direita quanto à queda do apoio ao partido de Sánchez.
Vox lidera avaliação sobre imigração
O Vox foi apontado por 27% dos entrevistados como o partido mais capaz de lidar com a imigração. O resultado colocou a legenda à frente do PSOE, citado por 18,4%, e do PP, escolhido por 13,9%.
A preferência ocorre em meio à pressão por medidas mais duras nas fronteiras espanholas. Sete em cada dez participantes disseram preferir controles fronteiriços mais rigorosos à proteção de migrantes vulneráveis.
Além disso, 82% apoiaram o aumento de cercas e da vigilância nas fronteiras da Espanha. O levantamento, no entanto, não detalha no material fornecido como as perguntas foram formuladas nem a margem de erro da pesquisa.
Ceuta enfrenta tensão após as travessias
Ceuta tem cerca de 83 mil habitantes e registrou forte tensão depois da chegada de migrantes no fim de julho. O material informa que aproximadamente 70 mil pessoas cruzaram irregularmente a fronteira para alcançar o território espanhol, número que não é detalhado pela pesquisa de opinião.
Em um dos episódios citados, manifestantes contrários ao fluxo migratório tentaram impedir a distribuição de alimentos da Cruz Vermelha. Parte de um acampamento improvisado por migrantes em uma praia também foi incendiada.
A situação ocorreu apesar da presença de cerca de 1.600 policiais e agentes da Guarda Civil. Moradores relataram medo e insegurança antes do início do ano letivo, previsto no material para 8 de setembro.
Nesse ritmo, o número de pessoas que chegaram a Ceuta em pelo menos um ano não conseguiria sair”
Juan Jesús Vivas, prefeito-presidente de Ceuta
Moradores cobram segurança nas escolas
A moradora Marina Rovira lançou uma petição para pressionar o governo a manter as escolas de Ceuta fechadas até que a cidade retome a normalidade. Segundo o material, a iniciativa reunia mais de 5.500 assinaturas.
Rovira é mãe de três crianças, com idades entre 3 e 7 anos, e afirmou que a presença de policiais e soldados não foi suficiente para afastar a preocupação de famílias com o retorno às aulas.
O Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto anunciou que reforçaria a presença policial no transporte escolar e no acesso às escolas. Ainda assim, a medida não acalmou todos os pais, segundo o relato apresentado.
Governo promete acelerar os retornos
A gestão da crise também enfrenta dificuldades administrativas. O material afirma que quase 5 mil migrantes aguardavam uma definição sobre acolhimento ou devolução, conforme as circunstâncias de cada caso.
O prefeito-presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, declarou em 20 de agosto que entre 25 e 30 processos de retorno eram tratados diariamente. Ele pediu mais recursos e capacidade ao governo espanhol para lidar com o volume de casos.
Sánchez reconheceu a insuficiência dos recursos disponíveis, mas disse que as autoridades atuavam dentro da lei e com respeito à dignidade humana. O primeiro-ministro afirmou que pretendia acelerar o trabalho administrativo, sem indicar uma data para a conclusão dos procedimentos.


