Protestos anti-imigração danificam veículos policiais no Reino Unido

Centenas de manifestantes bloquearam ruas em Portsmouth após a chegada de 140 migrantes em pequenas embarcações vindas da França

Da
Redação
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Veículos da polícia e do Ministério do Interior foram danificados após protestos contra a chegada de migrantes em Portsmouth.REUTERS
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Protestos anti-imigração deixaram veículos da polícia e do Ministério do Interior danificados no terminal de balsas de Eastney, em Portsmouth, no Reino Unido, nesta segunda-feira (7). Centenas de pessoas bloquearam ruas na noite anterior para tentar impedir a passagem de migrantes que chegaram em pequenas embarcações vindas da França.

A manifestação ocorreu após a chegada de 140 migrantes que atravessaram o Canal da Mancha. O episódio marcou o segundo protesto anti-imigração em dois dias no país, depois de homens mascarados interromperem o tráfego no porto de Dover, no sábado (5).

Manifestantes bloqueiam ruas em Portsmouth

Os protestos ocorreram na região do terminal de balsas de Eastney, em Portsmouth. Além dos veículos danificados, uma pilha de coletes salva-vidas foi deixada no local depois da mobilização.

Segundo o material, centenas de manifestantes bloquearam as ruas durante a noite de domingo (6). O objetivo declarado era impedir a passagem de migrantes que haviam desembarcado após a travessia marítima.

A mobilização foi convocada por grupos de direita. Esses grupos, segundo a informação fornecida, utilizariam aplicativos de mensagens como Signal e Telegram para organizar os atos.

Atos anteriores interrompem o tráfego em Dover

Um dia antes do protesto em Portsmouth, homens usando máscaras interromperam o tráfego no porto de Dover. Eles gritavam “Parem os barcos”, em referência às embarcações usadas por requerentes de asilo para atravessar o Canal da Mancha.

Dover é apresentada no material como a rota habitual das pequenas embarcações que partem da França em direção à Inglaterra. A chegada a Portsmouth, por outro lado, foi descrita como uma mudança incomum no trajeto observado pelas autoridades.

As pessoas têm o direito de realizar protestos pacíficos. Aquelas que não querem a entrada ilegal de pessoas no Reino Unido têm o direito de protestar.”

Donna Jones, comissária de Polícia e Criminalidade de Hampshire

A sequência dos protestos ampliou a pressão sobre o governo britânico em torno da migração pelo Canal. O Partido Trabalhista, que está no poder, enfrenta a oposição do Reform UK, que prometeu impedir a chegada de migrantes em barcos.

Autoridade alerta sobre possível nova rota

Donna Jones, comissária de Polícia e Criminalidade de Hampshire, afirmou que manifestações pacíficas são permitidas, mas disse que a presença de pessoas usando balaclavas provocou medo e preocupação. Ela também classificou como pacífica grande parte do ato da noite anterior.

A autoridade afirmou ainda que a chegada de uma embarcação desse tipo a Portsmouth era extremamente incomum. Segundo Jones, aquela teria sido a primeira ocorrência desse tipo observada na região.

Jones demonstrou preocupação com a possibilidade de traficantes de pessoas escolherem Portsmouth para evitar os procedimentos de triagem realizados quando os migrantes desembarcam em Dover. A hipótese foi apresentada por ela como uma possibilidade, não como uma conclusão confirmada.

Travessias aumentam risco no Canal da Mancha

Dezenas de migrantes embarcaram em botes infláveis na madrugada de domingo (6), segundo o material. Eles tentavam atravessar o Canal da Mancha para chegar ao Reino Unido.

Policiais franceses monitoraram a movimentação a pé e em barcos de patrulha. Uma lancha tentou impedir a partida das embarcações, enquanto várias delas conseguiram deixar a costa francesa.

Ao mesmo tempo, dezenas de migrantes permaneceram na praia porque não conseguiram embarcar. O Canal da Mancha é uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, e suas correntes fortes já provocaram mortes durante tentativas de travessia.

É extremamente incomum que uma embarcação desse tipo chegue a Portsmouth; nunca vimos isso antes.”

Donna Jones, comissária de Polícia e Criminalidade de Hampshire

Frontex reforça patrulhas marítimas

A agência Frontex informou na sexta-feira (4) que enviaria barcos ao Canal da Mancha e ao Mar do Norte para auxiliar nas buscas e no resgate de migrantes. O anúncio ocorreu dias depois de uma reunião entre líderes da França e do Reino Unido sobre a questão migratória.

De acordo com o material, a agência enviará dois barcos espanhóis entre setembro e outubro. Depois, uma embarcação da Lituânia deverá integrar as operações até janeiro, ao lado das patrulhas francesas.

O reforço ocorre em uma área onde traficantes frequentemente sobrecarregam botes infláveis, que ficam com pouca capacidade de flutuação. Em agosto, a guarda costeira francesa resgatou 157 pessoas de uma embarcação que pegou fogo.

Reino Unido amplia acordo com a França

Os governos britânico e francês anunciaram em abril um acordo de segurança de fronteira com duração de três anos. O Reino Unido se comprometeu a pagar até 660 milhões de libras, cerca de 4,5 bilhões de reais, para tentar conter as travessias pelo Canal.

Parte do financiamento está condicionada a resultados, segundo o material. A cooperação ocorre em meio às acusações de partidos de oposição e ativistas anti-imigração de que sucessivos governos não conseguiram reduzir a chegada de requerentes de asilo.

No ano passado, os dois países também concordaram com um projeto-piloto chamado “um entra, um sai”. Pelo modelo, a França aceitaria o retorno de pessoas sem documentos que chegassem ao Reino Unido em pequenos barcos, enquanto o Reino Unido receberia o mesmo número de requerentes de asilo considerados legítimos e com laços familiares no país.

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