A tensão migratória em Ceuta continua a afetar a rotina da cidade espanhola no norte da África, semanas depois de uma entrada irregular em massa pela fronteira com o Marrocos. Com a volta às aulas prevista para 8 de setembro, moradores relatam receio, enquanto o governo espanhol promete reforçar a segurança e acelerar a análise dos casos dos migrantes que permanecem no território.
Entrada amplia a pressão
Segundo estimativa atribuída ao governo espanhol, cerca de 70 mil migrantes cruzaram irregularmente a fronteira do Marrocos para Ceuta entre o fim de julho e o início de agosto. A cidade autônoma tem 83 mil habitantes, de acordo com o relato.
A maior parte das pessoas que chegou retornou voluntariamente ao país vizinho nos dias seguintes. Ainda assim, aproximadamente 5 mil migrantes permaneciam no enclave, conforme a estimativa oficial citada.
A permanência desse grupo passou a concentrar o desafio administrativo das autoridades. Os casos precisam ser resolvidos por acolhimento ou retorno, a depender das circunstâncias de cada pessoa.
Moradores relatam insegurança
Marina Rovira, moradora de Ceuta, descreveu à CNN um ambiente de medo e piora da segurança. Ela afirmou que mulheres passaram a evitar sair sozinhas e relatou o uso de spray de pimenta como precaução.
O receio também alcança famílias com crianças em idade escolar. Rovira, mãe de três filhos entre 3 e 7 anos, questionou a segurança do retorno às aulas diante da presença de migrantes, soldados e policiais na cidade.
Por isso, ela lançou uma petição na plataforma Change.org para pedir que as escolas permaneçam fechadas até a normalização da situação. Segundo seu relato, a iniciativa superou 5.500 assinaturas, muitas delas de outros pais de Ceuta.
Protestos elevam o conflito
A crise também provocou manifestações e episódios de hostilidade contra os recém-chegados. Em uma quinta-feira, dia 27, manifestantes contrários ao fluxo migratório tentaram impedir a Cruz Vermelha de distribuir alimentos.
Na mesma ocasião, parte de um acampamento improvisado por migrantes em uma praia local foi incendiada, segundo o material fornecido. O episódio expôs a deterioração da convivência na cidade.
Ceuta contava com um contingente de 1.600 policiais e agentes da Guarda Civil. No entanto, a presença das forças de segurança não foi suficiente para acalmar parte dos moradores, conforme os relatos apresentados.
Governo promete reforço nas escolas
O Ministério da Educação, Formação Profissional e Desporto informou que reforçaria o policiamento nas áreas escolares. A medida inclui o transporte dos estudantes e os acessos às escolas.
Ao mesmo tempo, a oposição criticou a condução da crise pelo governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez-Feijóo, acusou o Executivo de ausência e de má gestão diante de uma situação que classificou como sem precedentes.
Em entrevista à rádio Cadena Ser na segunda-feira, dia 31, Sánchez reconheceu a responsabilidade do governo pela situação em Ceuta. Ele também afirmou acreditar que a cidade sairá fortalecida da crise.
Retornos avançam lentamente
O prefeito-presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, cobrou mais recursos e capacidade do governo central para administrar os processos. Em 20 de agosto, ele afirmou que entre 25 e 30 retornos eram processados por dia.
Na avaliação de Vivas, esse ritmo não permitiria resolver a situação em curto prazo. Ele disse que, mantida essa velocidade, seriam necessários pelo menos um ano para que o número de pessoas que chegou a Ceuta deixasse a cidade.
Sánchez declarou estar consciente de que os recursos disponíveis eram insuficientes. No entanto, sustentou que os procedimentos precisam seguir a lei e respeitar a dignidade humana.
Solução depende de análise individual
O governo espanhol não indicou uma data para concluir o trabalho administrativo relacionado aos migrantes que seguem em Ceuta. Sánchez disse apenas que a gestão dos casos seria concluída dentro de prazos razoáveis.
Além da resposta policial, a solução depende da definição individual sobre acolhimento ou retorno. Dessa forma, o desfecho da crise envolve tanto a segurança imediata da cidade quanto a tramitação administrativa dos processos.
Enquanto isso, a proximidade do calendário escolar mantém a preocupação entre famílias. A promessa de reforço policial busca garantir a retomada das aulas, mas ainda não dissipou o temor relatado por parte dos moradores.


