A cifra que ampliou o alcance da investigação é de R$ 11,6 bilhões, valor das movimentações identificadas pela Receita Federal em estruturas sob suspeita na Carbono Oculto. A nova fase reúne 40 alvos e examina fundos, fintechs e empresas que teriam sido usados para ocultar patrimônio e controle societário.
Receita rastreia bilhões suspeitos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os valores foram identificados a partir do cruzamento de informações fiscais e financeiras analisadas na operação.
Segundo ele, os recursos passaram por diferentes camadas de fundos, empresas e instituições financeiras, em estruturas que podem ter servido para blindagem patrimonial e lavagem de dinheiro.
A força-tarefa é coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, com participação da Receita, do Gaeco e cooperação de outros órgãos de investigação.
Durigan disse que sistemas automatizados e ferramentas de inteligência artificial devem aumentar a capacidade de detectar padrões semelhantes em futuras apurações.
Operação mira quarenta pessoas
Entre os 40 alvos citados na investigação estão Humberto Tupinambá, sócio do Banco Genial, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro.
A presença de pessoas ou empresas como alvo não significa condenação. A operação busca reunir provas sobre fluxos financeiros, beneficiários e eventuais mecanismos de ocultação.
Os investigadores analisam operações realizadas por fundos, fintechs e empresas de fachada que teriam servido como etapas intermediárias de movimentação de recursos.
Setor de combustíveis aparece
A apuração também alcança a aquisição de distribuidoras de combustíveis e o controle de uma usina sucroalcooleira. Segundo a Receita, estruturas empresariais teriam sido usadas para esconder quem era o adquirente real.
O Ministério da Fazenda afirmou que a investigação procura identificar a origem dos valores, o caminho percorrido pelo dinheiro e quem se beneficiou das operações.
Essa etapa conecta o mercado financeiro ao setor de combustíveis, área que já vinha aparecendo em investigações sobre lavagem de dinheiro e crime organizado.
Força-tarefa amplia análise
A Carbono Oculto teve fases anteriores voltadas a empresas, fundos e pessoas relacionadas a operações consideradas atípicas. A nova etapa amplia a análise sobre a arquitetura financeira usada nas transações.
Os documentos apreendidos, dados bancários e informações fiscais devem ser confrontados para definir se houve crime, quais valores têm origem ilícita e quem participou de cada operação.
A investigação segue em andamento e eventuais responsabilidades individuais dependerão das provas reunidas pelo Ministério Público, pela Receita e pelos demais órgãos envolvidos.
Durigan afirmou que a Receita vem ampliando o uso de cruzamentos automatizados para identificar movimentações incompatíveis e relações entre estruturas societárias aparentemente separadas.
A participação de órgãos diferentes na força-tarefa permite combinar informações fiscais, financeiras e criminais. Esses dados precisam ser individualizados para separar operações legítimas de transações que possam ter sido usadas para ocultação.
A investigação também busca identificar quem controlava, de fato, ativos formalmente registrados em nome de fundos ou empresas intermediárias. Essa identificação é essencial para eventual bloqueio de bens e responsabilização futura.
Segundo o Ministério da Fazenda, a próxima etapa das diligências deverá aprofundar a análise sobre a Entre e sobre a aquisição de uma distribuidora de combustíveis por estruturas que teriam ocultado o beneficiário final.


