A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disco de Ouro nesta quarta-feira (23) para investigar uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e crimes transnacionais. O cantor Alexandre Pires e seu ex-empresário Matheus Possebon figuram novamente entre os alvos da ofensiva policial realizada em diferentes regiões do país.
As autoridades federais cumprem 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais de sequestro de bens e patrimônio expedidas pela Justiça. O objetivo principal das medidas cautelares é colher novas provas, desarticular o suporte logístico e financeiro e recuperar ativos ligados à exploração em terras protegidas.
A investigação aponta que a rede criminosa movimentou e ocultou recursos superiores a US$ 48 milhões ao longo das apurações. Para burlar a fiscalização, os suspeitos utilizavam empresas nacionais e estrangeiras, além de contas de terceiros na pulverização dos valores ilícitos.
Polícia Federal cumpre mandados contra esquema
A operação policial desta quarta-feira representa um desdobramento das diligências iniciadas em períodos anteriores pelas equipes de investigação. Os agentes buscam consolidar provas sobre a participação dos suspeitos no suporte logístico e financeiro ao garimpo clandestino na região norte do território nacional.
A estrutura investigada contava com diversos operadores encarregados de dificultar o rastreamento dos valores obtidos com a comercialização de minérios. Entre os recursos utilizados estavam contas de terceiros e mecanismos informais de compensação financeira para ocultar a origem dos recursos.
As ordens judiciais expedidas incluem sequestro de bens e mandados de busca em endereços vinculados aos investigados. O material apreendido passará por perícia técnica para aprofundar o conhecimento sobre a rede de apoio ao garimpo em terras protegidas.
Esquema movimentou milhões em recursos
O montante superior a US$ 48 milhões movimentado pelo grupo criminoso revela a complexidade da rede montada para escoar o minério ilegal. As apurações indicam que empresas brasileiras e estrangeiras foram instrumentalizadas para dar aparência lícita ao capital obtido com a atividade mineradora clandestina.
A defesa do cantor Alexandre Pires vem a público esclarecer que a relação profissional mantida com o empresário Matheus Possebon esteve restrita à intermediação da venda de shows.”
Defesa de Alexandre Pires
A pulverização do dinheiro ocorria por meio de transações fracionadas e uso de laranjas para despistar os órgãos de controle financeiro. A estratégia visava proteger os cabeças da organização e garantir a continuidade das operações de exportação da matéria-prima extraída sem autorização.
Com o cumprimento das novas ordens de busca, os investigadores esperam rastrear o destino final dos valores e identificar outros beneficiários do esquema. O cerco aos ativos financeiros busca asfixiar a infraestrutura que viabiliza a extração irregular de minérios.
Investigação apura rota falsa de minério
As apurações sobre o garimpo ilegal em terras indígenas tiveram como ponto de partida a apreensão de cerca de 30 toneladas de cassiterita em janeiro de 2022. O minério estava armazenado na sede de uma empresa e preparado para envio ao exterior quando foi interceptado pelos agentes federais.
Para tentar burlar a fiscalização, a organização criminosa utilizava documentação ideologicamente falsa que simulava a origem legal da matéria-prima. Os registros apontavam falsamente que o produto vinha de um garimpo regular no Pará e passaria por processamento em Roraima.
No entanto, a polícia constatou que a rota declarada existia apenas no papel, confirmando que a extração ocorria diretamente na Terra Indígena Yanomami. A fraude documental era o principal mecanismo para esquentar o minério comercializado internacionalmente.
Defesa se manifesta sobre a operação
A defesa do cantor Alexandre Pires declarou que a relação profissional mantida com o empresário Matheus Possebon esteve restrita exclusivamente à intermediação da venda de shows. Os representantes afirmaram que não houve qualquer outro vínculo jurídico ou comercial com o artista fora da atividade artística.
Os advogados reforçaram que eventuais fatos investigados pelas autoridades fora desse contexto dizem respeito a atos atribuídos unicamente ao ex-empresário. O artista segue confiante no esclarecimento dos fatos e na demonstração de sua total inocência pelas instâncias competentes.
Representantes legais do cantor já haviam manifestado surpresa com a inclusão de seu nome nas investigações decorrentes das fases anteriores da operação. A gestão da carreira ressaltou que desconhece qualquer atividade irregular ligada a parceiros ou colaboradores externos.


