O detalhe que ganhou peso foi o relato de que Isabelle Caracristi não podia sequer ir sozinha à farmácia. A Polícia Civil do Ceará afirma que testemunhas descreveram restrições de liberdade e violência psicológica atribuídas ao namorado, João Munhoz Neto, preso preventivamente durante a investigação da morte.
Depoimentos apontam restrições
Márcio Gutiérrez afirmou que investigadores receberam diversos relatos sobre o comportamento de João dentro do relacionamento. Segundo ele, as informações ainda passam por trabalho de corroboração.
Testemunhas disseram que Isabelle tinha dificuldade para sair sozinha, inclusive para tarefas simples, e que o namorado a constrangia e restringia decisões sobre a própria vida.
A polícia caracteriza esses elementos, em tese, como possíveis sinais de violência psicológica. Essa classificação ainda depende do conjunto de provas e das conclusões formais do inquérito.
Isabelle cursava Direito e foi encontrada morta em 13 de setembro no pátio do edifício onde morava com João e a mãe dele.
Prisão busca preservar provas
O namorado está preso preventivamente. Segundo a Polícia Civil, a medida foi considerada necessária para evitar eventual destruição de provas e garantir condições para a continuidade da investigação.
O delegado afirmou que a prisão também busca preservar a instrução criminal, permitindo que testemunhas e outros elementos sejam analisados sem interferência.
Prisão preventiva não representa condenação. Ela é uma medida cautelar e pode ser revista conforme o andamento do processo e as decisões judiciais.
Três hipóteses de indiciamento
A polícia trabalha com três possibilidades de indiciamento de João: indução ao suicídio, obstrução de prova e abuso psicológico.
Os investigadores precisam demonstrar, para cada hipótese, os elementos de autoria e materialidade exigidos pela legislação. A apuração inclui depoimentos, perícias, imagens e análise de aparelhos e mensagens.
A defesa do investigado terá direito de contestar as acusações, apresentar provas e acompanhar os atos processuais conforme as regras do processo penal.
Polícia sustenta hipótese de suicídio
Durante a coletiva, delegados e peritos afirmaram que as evidências reunidas até o momento sustentam a hipótese de que Isabelle morreu por suicídio, embora outras possibilidades ainda não tenham sido formalmente descartadas.
Segundo a corporação, imagens de câmeras e depoimentos indicam que a jovem teria ido sozinha ao terraço do 23º andar antes da queda.
A investigação segue aberta para esclarecer as circunstâncias da morte e verificar se condutas atribuídas ao namorado contribuíram de alguma forma para o desfecho.
A polícia afirmou que a análise do relacionamento faz parte da tentativa de compreender o contexto anterior à morte, sem substituir a perícia sobre o momento da queda. As duas frentes são avaliadas de forma complementar.
Os investigadores também buscam confirmar os relatos de testemunhas por meio de mensagens, registros de deslocamento e outros elementos que possam mostrar como funcionava a rotina do casal.
Mesmo com a hipótese de suicídio considerada a principal linha pericial, a apuração sobre eventual indução exige demonstrar se houve conduta concreta capaz de influenciar o desfecho e se existe nexo entre essa conduta e a morte.
A corporação informou que a prisão de João também foi fundamentada no risco de interferência na coleta de provas, argumento que será submetido ao controle judicial ao longo da investigação.


