PF entra na mansão de Vorcaro e encontra muito mais que dinheiro

Imóvel no Jardim América guardava bens de luxo, obras de arte e equipamentos que passaram a integrar a investigação do caso Master

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
Polícia Federal
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Polícia Federal encontrou US$ 44,6 mil em espécie, mais de R$ 60 mil, 12 relógios de luxo, joias, obras de arte e dispositivos eletrônicos durante buscas na mansão de Daniel Vorcaro, no Jardim América, em São Paulo. O material foi documentado ou apreendido no contexto da Operação Compliance Zero, enquanto o imóvel também chamava atenção por academia, cinema privativo e adega subterrânea.

As imagens do interior da residência mostram salas amplas, áreas de convivência e espaços de alto padrão. Segundo o levantamento feito pelos agentes, os itens apreendidos ou registrados no endereço passaram a integrar a investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e às operações examinadas pela Polícia Federal.

Dinheiro, relógios e joias

No cofre do quarto, os policiais localizaram US$ 43 mil. Outros US$ 1.660 estavam no closet. Uma mochila guardava R$ 53.950 em espécie, enquanto mais R$ 6.100 foram encontrados em uma gaveta-cofre, de acordo com o material reunido durante as buscas.

Os agentes também registraram 12 relógios de luxo, de marcas como Rolex, Richard Mille, Audemars Piguet e Jacob & Co. Entre as peças descritas havia ainda um colar com pedras semelhantes a diamantes e um pingente tridimensional com a letra “D”, acondicionado em uma caixa da joalheria Sabbadini.

Na garagem, a PF identificou três veículos: um Land Rover Range Rover RR D350 LE, um BMW X7 M50i e um Chevrolet Trailblazer. Os bens foram documentados no contexto da diligência e passaram a compor o conjunto de elementos analisados pelos investigadores.

A residência fica no Jardim América, região dos Jardins conhecida por concentrar imóveis de alto padrão na capital paulista. A busca ocorreu no dia seguinte à detenção de Vorcaro em Guarulhos, no âmbito da Operação Compliance Zero.

Obras e ambientes da mansão

Nas paredes, os policiais encontraram uma pintura de 1879 atribuída ao francês Pierre-Auguste Renoir. Também foram registradas obras ou telas associadas ao estilo de artistas brasileiros como Os Gêmeos e Beatriz Milhazes, além de quadros temáticos espalhados por diferentes ambientes.

O imóvel possui estrutura de lazer e convivência que inclui academia, sala de cinema e adega subterrânea. Em uma das fotografias feitas no local, um telão instalado na adega aparecia ligado em uma cobertura televisiva sobre buscas realizadas em endereços ligados a Vorcaro.

Uma das imagens mostra o próprio empresário sentado de costas em um sofá da sala de estar. A fotografia, porém, foi feita em outro momento, já que Vorcaro estava preso quando a Polícia Federal cumpriu a diligência na residência em novembro de 2025.

Equipamentos entram na investigação

Além dos bens de alto valor, os agentes apreenderam um HD de 6 TB retirado de um gravador NVR Hikvision ligado ao circuito interno de câmeras da residência. O objetivo era preservar e analisar as gravações do sistema de segurança do imóvel.

Três pen-drives HP de 32 GB também foram encontrados dentro de uma mochila no quarto, junto a parte do dinheiro em espécie. Esses dispositivos passaram a integrar o material eletrônico submetido à análise pericial e investigativa.

O celular de Vorcaro, por sua vez, foi apreendido no aeroporto no momento da prisão. Dados extraídos do aparelho passaram a subsidiar outras frentes do caso Master, incluindo apurações posteriores autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal.

Caso Master segue no STF

Em março de 2026, o ministro André Mendonça, do STF, determinou nova prisão preventiva de Daniel Vorcaro e de outros investigados, atendendo a pedido da Polícia Federal. A decisão citou risco concreto de interferência nas investigações sobre supostas fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master.

Em junho, o relator manteve a prisão preventiva e rejeitou pedido da defesa para substituí-la por prisão domiciliar. O STF informou que a medida continuava fundamentada, entre outros pontos, na necessidade de preservar a investigação.

As apurações da Operação Compliance Zero examinam suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações continuam em andamento, e as responsabilidades penais dependem das decisões judiciais nos processos correspondentes.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *