O sequestro de crianças em Atlanta levou à prisão de Lakesha Brown, acusada de não devolver dois irmãos à mãe após ficar responsável por eles. Segundo o mandado de prisão citado pelas autoridades, Zola, de 4 anos, e Norah, de 11 meses, desapareceram em 15 de agosto e foram encontrados dois dias depois.
A polícia localizou as crianças em um reboque de guincho trancado e sem janelas, em um conjunto de apartamentos no bairro de Sylvan Hills. Brown foi indiciada por dois crimes de sequestro e dois de crueldade contra crianças e ficou detida sem direito a fiança, de acordo com o registro carcerário mencionado no caso.
Mãe combinou a entrega dos filhos
Elica Redding conheceu Brown em um grupo de apoio a gestantes e mães no Facebook, segundo seu relato a emissoras locais afiliadas à CNN. Ao longo de cerca de um ano, as duas criaram uma amizade, e Brown chegou a oferecer ajuda gratuita a mães.
No dia 14 de agosto, Brown esteve na casa de Redding. A mãe concordou que, no dia seguinte, ela cuidasse das crianças e as levasse para passear, conforme o mandado de prisão.
Brown teria dito que levaria os irmãos a uma unidade do Walmart. Durante o dia, Redding telefonou para saber como eles estavam e recebeu a informação de que estava tudo bem, além de uma foto das crianças, segundo a gravação da chamada de emergência 911 mencionada na apuração.
| Momento | O que ocorreu |
|---|---|
| 14 de agosto | Redding e Brown passaram um período juntas na casa da mãe. |
| 15 de agosto | Brown ficou com as duas crianças e não apareceu para devolvê-las. |
| Dois dias depois | Policiais encontraram os irmãos em um reboque no bairro de Sylvan Hills. |
Buscas começaram após o desaparecimento
Na noite marcada para a entrega, Redding e Brown haviam combinado de se encontrar na casa da avó das crianças. Brown e os irmãos não chegaram ao local, e a mãe passou a ligar e enviar mensagens, segundo o mandado.
De acordo com esse documento, Brown respondeu inicialmente com justificativas de atraso. Mais tarde, ela teria dito que sofreu um acidente de carro e que os menores estavam sob os cuidados da Divisão de Serviços para Crianças e Famílias da Geórgia.
Esse era o objetivo principal: a segurança dessas crianças.”
Lukasz Sajdak, investigador
Depois, Brown deixou de responder às mensagens e ligações. Redding procurou as autoridades no dia seguinte, e os detetives verificaram que as crianças não estavam em hospitais da região nem com o órgão estadual citado.
Polícia rastreou o telefone de Brown
O Departamento de Polícia de Atlanta, o Georgia Bureau of Investigation e o FBI usaram dados de localização de celular para rastrear o telefone de Brown até um complexo de apartamentos em Sylvan Hills. Uma pessoa no local informou à polícia que a havia visto perto de um reboque branco.
Ao se aproximarem do veículo, agentes bateram nas portas lateral e traseira. O investigador Sherrod Stancil relatou ter ouvido um bebê chorando e afirmou, em coletiva em 19 de agosto, que a equipe decidiu entrar para retirar as crianças.
Imagens de câmera corporal mostraram policiais cortando o ferrolho da porta traseira. Segundo a polícia, Brown e as crianças estavam entre pilhas de cobertores no interior do reboque, que não tinha ar-condicionado e contava apenas com ventilação no teto e um ventilador.
Calor agravou o risco no reboque
As autoridades disseram que a temperatura chegou a 36°C no dia do resgate. A polícia avaliou que o reboque não era apropriado para moradia, especialmente diante das condições em que os dois irmãos foram encontrados.
Após o resgate, Brown foi interrogada e presa. Conforme o mandado, ela reconheceu que as crianças estavam sob seus cuidados e que deveria devolvê-las à mãe, mas não apresentou uma razão lógica para não fazê-lo.
O investigador Lukasz Sajdak descreveu o desfecho da ação como um alívio para a equipe. A próxima audiência de Brown estava marcada para 10 de setembro, segundo as informações divulgadas no caso.
Caso no Alabama ampliou a apuração
As autoridades de Atlanta afirmaram que Brown já era procurada em outro estado e que teria empregado uma estratégia semelhante pelas redes sociais. O mandado citado no caso descreve uma aproximação de mães para conquistar confiança antes de tentar levar crianças.
O melhor resultado que saiu de ambos os casos no Alabama e também na Geórgia é que essas crianças foram encontradas com vida e foram devolvidas aos seus pais.”
Lynneice Washington, promotora distrital do Condado de Jefferson
Em agosto de 2021, Brown teria desaparecido com um bebê de 4 dias em Fairfield, no Alabama, segundo o Departamento do Xerife do Condado de Jefferson. A família identificou fotos e vídeos de um recém-nascido nas redes sociais de Brown, informou o órgão.
As autoridades localizaram o bebê horas depois em uma residência em Lipscomb. Brown negou participação no desaparecimento, segundo o departamento do xerife, e passou a responder a um mandado por sequestro em primeiro grau; ela pagou fiança em outubro de 2021, conforme documento judicial.
A promotora distrital Lynneice Washington afirmou que o processo no Alabama demorou a avançar devido ao acúmulo de ações após a pandemia de Covid-19. Segundo ela, o caso foi apresentado ao grande júri em fevereiro de 2025, e Brown não compareceu à audiência seguinte.
Autoridades alertam sobre cuidadores
Na Geórgia, Brown também enfrenta uma acusação de contravenção por obstrução no Condado de Paulding. O xerife Ashley Henson disse que a acusação se relaciona a informações falsas que, segundo a investigação, dificultaram o trabalho policial.
Em agosto de 2025, policiais receberam uma denúncia sobre a saúde de um suposto recém-nascido ligado a Brown. A pessoa que procurou a polícia apresentou capturas de tela e fotos nas quais Brown aparentava estar grávida e falava sobre o nascimento de uma menina.
Os agentes foram à residência de Brown e não encontraram um recém-nascido. Henson afirmou que a investigação concluiu que ela teria usado algo semelhante a uma boneca para simular a existência de um bebê.
O Departamento de Polícia de Atlanta recomendou cautela na escolha de pessoas que cuidarão de crianças. O tenente Christapher Butler, comandante da Unidade de Homicídios, orientou famílias a buscar parentes ou empresas credenciadas quando precisarem de apoio.


