Cartilha propõe prevenção do suicídio além do Setembro Amarelo

Material do Instituto Vita Alere orienta profissionais a transformar a campanha em ações permanentes de cuidado e promoção da saúde mental.

Da
Redação
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A cartilha propõe que a prevenção do suicídio seja mantida durante todo o ano.
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A cartilha Para Além do Setembro Amarelo, lançada pelo Instituto Vita Alere, propõe que a prevenção do suicídio e a promoção da saúde mental não se limitem às mobilizações de setembro. O material é direcionado a psicólogos e outros profissionais que atendem pessoas em situação de risco.

A publicação parte da avaliação de que a campanha ampliou o debate público e pode favorecer a busca por ajuda, mas que a redução da mortalidade exige medidas contínuas de cuidado. Além disso, o conteúdo aborda a capacidade dos serviços para responder à demanda e a saúde de quem trabalha diretamente com prevenção.

Cartilha amplia a prevenção contínua

O Instituto Vita Alere apresenta a cartilha como um instrumento para qualificar iniciativas relacionadas ao Setembro Amarelo. A proposta não é abandonar a campanha, mas discutir sua execução e seus efeitos ao longo de todo o ano.

Segundo Karen Scavacini, psicóloga, doutora pela Universidade de São Paulo e fundadora do instituto, as evidências científicas disponíveis não identificaram queda nas taxas de suicídio associada à campanha desde sua criação, em 2015.

A autora diferencia o aumento da informação sobre o tema da redução de mortes. Dessa forma, a cartilha defende que a visibilidade seja acompanhada de estratégias permanentes de prevenção e de promoção da saúde mental.

Dados mostram aumento das mortes

O Brasil registrou 16.747 suicídios em 2024, segundo dados do Ministério da Saúde citados no material. O número reforça a dimensão do desafio tratado pela publicação.

Entre 2010 e 2024, a taxa nacional de suicídios cresceu 50,6%, ainda de acordo com os dados apresentados. O aumento mais expressivo ocorreu entre jovens de 20 a 29 anos.

Os indicadores integram o argumento da cartilha de que ações pontuais não substituem uma resposta continuada. Por isso, o material direciona a discussão para práticas de cuidado que permaneçam ativas depois do período de campanha.

Visibilidade exige rede de cuidado

A publicação chama de “paradoxo da visibilidade” a possibilidade de que a maior exposição do tema revele uma procura maior por atendimento. Essa demanda, por sua vez, precisa encontrar serviços capazes de acolhê-la.

Para o Instituto Vita Alere, a divulgação isolada pode mobilizar sofrimento em pessoas vulneráveis, entre elas quem já tentou suicídio ou perdeu alguém dessa forma. No entanto, a cartilha associa esse risco à necessidade de ampliar respostas concretas de cuidado.

O material orienta profissionais a analisar se ações do Setembro Amarelo contam com medidas práticas de atendimento e prevenção. A avaliação busca distinguir iniciativas sustentadas por uma rede de cuidado daquelas restritas à divulgação do tema.

Profissionais também precisam de apoio

A cartilha inclui os efeitos do trabalho sobre psicólogos e outros profissionais que acompanham pessoas em risco. Entre os temas tratados estão burnout, trauma vicário e fadiga por compaixão.

O trauma vicário e a fadiga por compaixão aparecem no contexto da exposição contínua ao sofrimento alheio. Assim, o documento coloca o autocuidado desses trabalhadores como parte da própria prevenção, e não como medida adicional ou opcional.

A abordagem amplia o foco das ações: além de atender pessoas em sofrimento, a prevenção também depende de condições para que os profissionais mantenham seu trabalho de cuidado. A cartilha, portanto, propõe uma responsabilidade compartilhada e contínua.

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