Mortes por desnutrição caem 75,7% na Terra Yanomami, diz Ministério da Saúde

Dados do primeiro semestre de 2026 apontam redução também nos casos de malária e nas mortes por infecções respiratórias em comparação com 2023

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Redação
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Ações de saúde e acompanhamento nutricional foram ampliados na Terra Indígena Yanomami após a crise sanitária de 2023.Fernando Frazão/Agência Brasil
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Mortes por desnutrição na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, caíram 75,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2023, segundo dados do Ministério da Saúde. A redução ocorre três anos após o território enfrentar uma grave crise sanitária.

Além disso, o governo informou queda de 50,6% nos casos confirmados de malária e de 40,8% nas mortes por infecção respiratória aguda no mesmo intervalo. Entre janeiro e junho de 2026, não houve registro de óbitos por malária, de acordo com a pasta.

Os óbitos por desnutrição recuaram

A queda de 75,7% compara os primeiros semestres de 2026 e 2023. O Ministério da Saúde apresentou o resultado como um avanço no atendimento à população indígena do território.

O indicador está relacionado a um período de forte deterioração das condições sanitárias na Terra Yanomami. Em janeiro de 2023, o governo declarou Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional por causa da desassistência enfrentada pelos povos que vivem na região.

Naquele período, indígenas foram encontrados com desnutrição e doenças infecciosas. O cenário levou o poder público a ampliar ações de assistência, vacinação, acompanhamento nutricional e controle de doenças.

A malária também diminuiu

Entre janeiro e junho de 2026, foram confirmados 6,8 mil casos de malária na Terra Indígena Yanomami. O volume representa uma redução de 50,6% em relação ao primeiro semestre de 2023, segundo o Ministério da Saúde.

Ao mesmo tempo, a pasta informou que não houve mortes pela doença nos seis primeiros meses de 2026. A informação contrasta com o quadro registrado durante a crise sanitária anterior.

Em todo o ano de 2022, o território registrou 11.530 casos de malária. Entre 24 e 27 de dezembro daquele ano, três crianças morreram em decorrência da doença, conforme o material divulgado.

A crise levou o governo a decretar emergência

O governo federal declarou a emergência sanitária em janeiro de 2023. A medida ocorreu após a identificação de desassistência, desnutrição e infecções entre os indígenas Yanomami.

Problema não começou agora, já vem de longa data.”

Sônia Guajajara, então ministra dos Povos Originários

Na época, a então ministra dos Povos Originários, Sônia Guajajara, afirmou que o problema tinha origem anterior àquele momento. Ela também mencionou mortes de crianças e idosos associadas à subnutrição, à diarreia e à malária.

A crise colocou a saúde indígena Yanomami no centro das ações federais. Desde então, o atendimento passou a incluir medidas de vigilância, vacinação, controle de estoques e acompanhamento sistemático das crianças.

A vacinação ampliou a cobertura infantil

O número de doses de vacinas aplicadas no primeiro trimestre passou de 11.273, em 2023, para 20.267, em 2026, segundo os dados apresentados pelo Ministério da Saúde.

Entre crianças menores de um ano, a proporção com o esquema vacinal completo subiu de 28% para 57,6%. Dessa forma, a cobertura informada mais que dobrou no período analisado.

Há, porém, uma divergência na própria informação divulgada: o material classifica a variação no número de doses como aumento de 9,8%, mas os valores de 11.273 e 20.267 correspondem a uma alta aproximada de 79,7%.

O acompanhamento nutricional alcançou as crianças

O acompanhamento nutricional passou a alcançar 84% das crianças no território, conforme os dados do Ministério da Saúde. A medida busca identificar situações de risco e orientar o atendimento.

O número de profissionais de saúde também aumentou. Atualmente, funcionam 37 polos-base e 30 Unidades Básicas de Saúde na Terra Indígena Yanomami.

Essas estruturas integram a rede de atendimento instalada no território. Além do cuidado clínico, elas apoiam ações de prevenção e acompanhamento das condições de saúde da população indígena.

O governo reforçou estruturas e estoques

O monitoramento de medicamentos e insumos passou a abranger 228 itens. A verificação ocorre semanalmente para orientar a reposição dos estoques nas unidades de atendimento.

As Casas de Saúde Indígena também receberam intervenções em banheiros, alojamentos, cozinhas, lactários, sistemas de efluentes e poços. As melhorias alcançaram áreas usadas no atendimento e na permanência dos pacientes.

Além da queda nos óbitos por desnutrição, o Ministério da Saúde informou redução de 40,8% nas mortes por infecção respiratória aguda entre os primeiros semestres de 2023 e 2026. Os resultados fazem parte do balanço das ações adotadas após a emergência sanitária.

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