A dupla explosão em quartel boliviano deixou dois mortos, sete desaparecidos e 81 feridos em Viacha, município próximo à região metropolitana de La Paz. As detonações ocorreram na tarde de sexta-feira, 4 de setembro, no Centro Geral de Manutenção do Regimento de Artilharia Mecanizada RAM-2 “Bolívar”.
O balanço mais recente foi divulgado pelo ministro da Defesa, Ernesto Justiniano. Segundo ele, dois feridos permaneciam em estado grave, enquanto equipes mantinham buscas entre os escombros e avaliavam os danos no complexo militar e nas casas do entorno.
As autoridades ainda não concluíram o que provocou o desastre. A primeira explosão teria envolvido pólvora negra associada a material pirotécnico guardado no local; no entanto, a composição e a causa da segunda detonação, mais forte, seguem sob investigação.
Detonações atingem centro de manutenção
O episódio ocorreu no Centro Geral de Manutenção do Regimento Bolívar, unidade militar situada em uma área urbana de Viacha. A força da onda de choque alcançou imóveis próximos ao quartel.
Justiniano afirmou que foram registradas duas explosões relevantes. A primeira, conforme a informação preliminar do governo, esteve ligada à pólvora negra e a material pirotécnico armazenado na instalação.
A segunda detonação teve maior magnitude, segundo o ministro. Até a manhã de 5 de setembro, os investigadores não haviam estabelecido qual material esteve envolvido nem a causa dessa explosão.
Por isso, a hipótese inicial de acidente não representa uma conclusão definitiva. A perícia técnica e a investigação criminal devem determinar a sequência dos fatos e possíveis responsabilidades.
Balanço de feridos é atualizado
O Ministério da Defesa informou 81 feridos, dos quais dois estavam em condição grave. Os pacientes foram levados a hospitais de La Paz e El Alto.
O número aumentou ao longo do atendimento à emergência. Em um primeiro informe, a Defesa havia apontado 58 feridos, sendo 52 civis e seis militares.
Em outro momento, a Polícia divulgou 59 pessoas feridas, além de dois mortos e sete desaparecidos. A diferença entre os números ocorreu durante o resgate e a triagem das vítimas.
Para o balanço mais recente, o governo boliviano mantém a contagem de dois mortos, sete desaparecidos e 81 feridos. As autoridades alertaram, contudo, que os dados podem mudar enquanto as equipes avançam na remoção dos escombros.
Buscas continuam por desaparecidos
Sete pessoas continuavam desaparecidas no último balanço oficial. As equipes de emergência concentravam os trabalhos na localização dessas vítimas e na retirada de materiais da área atingida.
Defesa, Polícia, bombeiros, profissionais de saúde e órgãos municipais participaram da resposta ao desastre. Ao mesmo tempo, o isolamento do perímetro buscou reduzir a exposição a novos riscos.
As autoridades também não divulgaram a identidade dos mortos. Não havia, até então, uma confirmação consolidada sobre a condição — civil, militar, policial ou premilitar — das pessoas feridas.
“Foram produzidas duas detonações de grande magnitude”, declarou Ernesto Justiniano ao descrever o ocorrido. O ministro acrescentou que a investigação ainda definia a causa e o material associado à segunda explosão.
Moradores deixam área afetada
O impacto ultrapassou os limites do quartel e atingiu a vizinhança. O prefeito de Viacha, Jenrry Patzi, informou que cerca de 25 famílias tiveram imóveis danificados.
Além dos prejuízos nas moradias, a explosão derrubou ou afetou postes e interrompeu o fornecimento de energia elétrica em partes do município. Técnicos avaliaram a segurança das construções atingidas antes de permitir o retorno dos moradores.
Como medida preventiva, famílias próximas foram retiradas de suas casas. O governo planejou oferecer abrigo temporário na Escola Militar de Música.
A prefeitura de Viacha declarou três dias de luto. A medida ocorre enquanto o município enfrenta os efeitos materiais e humanos das explosões em uma instalação localizada dentro da malha urbana.
Promotoria abre apuração criminal
A Promotoria de La Paz abriu uma investigação por suspeitas de homicídio culposo, lesões culposas e outros estragos. O promotor departamental Luis Carlos Torrez informou a abertura do procedimento.
Em paralelo, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, ordenou uma investigação minuciosa, técnica e transparente. A apuração deverá examinar os protocolos de segurança adotados na unidade e eventuais responsabilidades.
“Determinei uma investigação minuciosa, técnica e transparente”, afirmou Paz. A determinação presidencial reforça que a origem integral do desastre permanece sem definição oficial.
Assim, a referência a pólvora negra e material pirotécnico se limita, por enquanto, à primeira detonação. A perícia precisa esclarecer o que desencadeou a segunda explosão e se houve falhas que contribuíram para o caso.


