Explosões perto da Ilha de Kharg, no Golfo Pérsico, foram ouvidas neste sábado (5), segundo relato da agência semioficial iraniana Fars. A origem dos sons, porém, permanecia desconhecida até a publicação da informação.
A Nournews, ligada ao Estado iraniano, informou haver relatos locais não confirmados de que um navio-tanque iraniano teria sido atingido por um míssil disparado por forças dos Estados Unidos. As autoridades iranianas ainda não haviam se pronunciado oficialmente sobre o episódio.
Relatos apontam explosões no Golfo
Um correspondente da Fars na Ilha de Kharg disse ter ouvido explosões vindas do Golfo. No entanto, ele não observou fumaça na área, de acordo com a agência.
O relato não identificou a causa dos sons nem detalhou danos, vítimas ou alvos. Dessa forma, não havia confirmação independente sobre uma ação militar ou outro evento nas proximidades da ilha.
A Nournews mencionou a hipótese de um ataque a um petroleiro iraniano. Ainda assim, a própria agência classificou os relatos de fontes locais como não confirmados.
Autoridades não confirmam ataque
Até aquele momento, autoridades do Irã não tinham feito manifestação oficial sobre as explosões reportadas. Também não havia, no material disponível, uma confirmação oficial de que um navio-tanque tivesse sido atingido.
A atribuição de um eventual lançamento de míssil a forças dos Estados Unidos partiu dos relatos citados pela Nournews. Portanto, a informação não estabelecia de forma comprovada a autoria ou mesmo a ocorrência do suposto ataque.
as mais vitais do sistema petrolífero iraniano
Documento da CIA de 1984
A falta de sinais de fumaça observados pelo correspondente da Fars adicionava uma limitação ao relato inicial. O episódio seguia em desenvolvimento, sem esclarecimento sobre a origem das explosões.
Kharg concentra escoamento de petróleo
A Ilha de Kharg fica a cerca de 25 quilômetros da costa iraniana, no Golfo Pérsico. A formação coralínea abriga um terminal decisivo para a distribuição do petróleo produzido no país.
Oleodutos levam à ilha o óleo bruto extraído de campos como Ahvaz, Marun e Gachsaran. Em seguida, os carregamentos podem ser transferidos para grandes navios, favorecidos pelas águas profundas ao redor do terminal.
Os quebra-mares da ilha protegem a estrutura costeira e permitem a operação de superpetroleiros. Por isso, Kharg tem papel central no escoamento da produção iraniana e é submetida a rígido controle militar, sendo conhecida no país como “Ilha Proibida”.
Um documento da CIA de 1984 descreveu as instalações como “as mais vitais do sistema petrolífero iraniano”. Segundo o documento, a continuidade das operações era essencial para a economia do país.
Dados mostram peso do terminal
Dados citados pela Reuters indicam que o Irã fornece cerca de 4,5% do petróleo mundial. A produção diária mencionada é de 3,3 milhões de barris de petróleo bruto, além de 1,3 milhão de barris de condensado e outros líquidos.
A capacidade de armazenamento de Kharg é estimada em cerca de 30 milhões de barris. Já a empresa de análise Kpler calculou, segundo a Reuters, que aproximadamente 18 milhões de barris de petróleo bruto estavam armazenados na ilha.
O serviço TankerTrackers.com afirmou que navios-tanque vinham recebendo carregamentos na ilha sem interrupção desde o início da guerra mencionada no material. Além disso, uma nota do JP Morgan divulgada pela Reuters apontou que as exportações de Kharg tinham avançado para perto de níveis recordes nas semanas anteriores aos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Assim, qualquer ocorrência nas proximidades da ilha atrai atenção não apenas pelo cenário de segurança, mas também pela relevância de Kharg para a infraestrutura petrolífera iraniana. No caso das explosões relatadas neste sábado, contudo, a causa e os possíveis efeitos ainda não haviam sido confirmados.


