Alvo de uma operação policial contra um esquema de agiotagem no Distrito Federal, Leonardo Alves de Oliveira Júnior foi solto após uma decisão judicial que dispensou o pagamento de uma fiança estipulada em 100 salários mínimos, equivalente a R$ 151,8 mil. O investigado já havia sido preso anteriormente em novembro de 2025, durante uma apuração voltada a fraudes no sistema de trânsito local.
As investigações recentes fazem parte da Operação Rota, deflagrada pela 16ª Delegacia de Polícia de Planaltina, vinculada à Polícia Civil do Distrito Federal. O grupo criminoso é suspeito de praticar agiotagem, aplicar juros superiores a 20% ao mês e realizar cobranças violentas com o uso de armas de fogo contra devedores.
Justiça concede habeas corpus e revoga prisão preventiva
No pedido de habeas corpus apresentado ao Superior Tribunal de Justiça, a defesa alegou a ausência dos requisitos necessários para a manutenção da prisão preventiva do investigado. O desembargador relator concedeu parcialmente a liminar para revogar a detenção cautelar, mas impôs o pagamento da fiança de 100 salários mínimos e outras medidas restritivas.
Entre as obrigações impostas estavam a manutenção do endereço atualizado perante a Justiça, a proibição de se ausentar do Distrito Federal por mais de 10 dias sem comunicação prévia e o comparecimento obrigatório aos atos processuais do caso.
A defesa argumentou posteriormente que o montante estipulado era incompatível com a realidade financeira do suspeito. Os advogados informaram que ele possuía emprego de baixa remuneração, era pai de uma criança pequena e contava com a esposa grávida no momento da decisão.
Investigação aponta esquema de juros abusivos e violência
A nova ofensiva policial resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra integrantes do grupo suspeito. As apurações indicam que a organização atuava no Distrito Federal e em municípios de Goiás e Minas Gerais, como Formosa, Goiânia e Buritis.
Conforme o inquérito policial, os empréstimos concedidos aos devedores contavam com taxas de juros superiores a 20%. Quando o pagamento não ocorria no prazo estabelecido, os suspeitos passavam a utilizar ameaças graves e armas de fogo para coagir as vítimas.
A Delegacia de Polícia identificou que algumas vítimas perderam bens pessoais e estabelecimentos comerciais inteiros por causa das dívidas acumuladas. Em um dos episódios relatados, o grupo tomou uma estética automotiva, além de veículos e motocicletas, para garantir a quitação forçada.
Conexão com fraudes no Detran-DF revela nova faceta
A Operação Rota teve início a partir de elementos periciais obtidos em celulares apreendidos durante uma fase anterior de investigações. A análise do material revelou indícios concretos da existência de um segundo grupo criminoso dedicado à agiotagem sistemática na região.
A primeira investida contra o investigado ocorreu em novembro de 2025, durante a Operação Backdoor. Naquela ocasião, a polícia apurava fraudes estruturadas no sistema do Departamento de Trânsito do Distrito Federal e esquemas de revenda ilegal de veículos.
As diligências anteriores culminaram na apreensão de bens de alto valor, incluindo automóveis de luxo como BMWs e Porsche, além de bolsas de grife. Os investigadores apontaram que os itens eram utilizados para lavar o dinheiro obtido por meio das fraudes no sistema de trânsito.
Defesa alega incapacidade financeira para quitar valor
O argumento aceito pela Justiça para dispensar o pagamento baseou-se na demonstração detalhada da situação econômica do investigado. A família sustentou que a exigência da fiança de mais de R$ 151 mil inviabilizava o cumprimento da ordem de soltura concedida pelo tribunal superior.
Mesmo com a liberação do pagamento pecuniário, o investigado permanece sujeito ao cumprimento rigoroso das demais cautelares impostas pelo Poder Judiciário. A fiscalização dessas medidas visa garantir o andamento regular do processo criminal instaurado na comarca.
A Polícia Civil continua com as diligências em andamento para identificar outros possíveis participantes e recuperar valores e bens que possam ter sido subtraídos das vítimas durante as cobranças violentas realizadas pela quadrilha.


