O Brasil registra uma média de 16 acidentes com helicópteros por ano, conforme apontam os dados consolidados do Painel SIPAER, sistema vinculado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB). O levantamento ganha forte repercussão nacional após a queda de uma aeronave que transportava o cantor Rick e outras quatro pessoas em Santa Catarina.
Os registros oficiais mostram que, desde 2016, foram contabilizadas 182 ocorrências acidentais com esse tipo de aeronave em todo o território nacional. Desse total de casos mapeados pelo sistema de prevenção, 53 episódios tiveram vítimas fatais, resultando em um total de 124 óbitos confirmados ao longo do período analisado.
Estatísticas e modelos mais atingidos
No recorte geográfico divulgado pelo painel oficial, o estado de São Paulo lidera o número de ocorrências acumuladas nos últimos dez anos, com 33 registros. Em seguida aparecem Minas Gerais, com 28 casos, o Rio de Janeiro, com 22, e o Paraná, que soma 20 notificações de acidentes aéreos com helicópteros.
Em relação aos modelos de aeronaves mais envolvidos em ocorrências, o Robinson R44 lidera o ranking com 63 registros no período. O Eurocopter AS-350 aparece logo depois, com 41 ocorrências, seguido pelos modelos Robinson R22, com 17, Bell 206, com 14, e o Robinson R66, que contabilizou oito registros.
Fases do voo e principais causas
Os dados detalhados da Força Aérea Brasileira indicam ainda os fatores recorrentes e as etapas em que os acidentes costumam se concentrar. Desde 2016, 57 ocorrências foram motivadas por perda de controle em voo, enquanto 25 decorreram de falha ou mau funcionamento de motor e 21 envolveram colisão com obstáculo na decolagem.
No que tange às fases da operação aérea, o maior volume de acidentes ocorre durante a etapa de cruzeiro, somando 50 casos. Outras fases críticas apontadas pelo levantamento incluem o pouso, com 40 registros, a decolagem, com 20 ocorrências, e a aproximação final, que contabilizou 16 episódios.
Resgate das vítimas em Santa Catarina
Os corpos das cinco vítimas da queda do helicóptero que estava desaparecido em solo catarinense foram resgatados e liberados pelo Instituto Médico Legal. Entre os mortos na tragédia estão o cantor sertanejo Rick Sollo, o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antonio Roberto Nobrega de Araujo e o copiloto Leopoldo de Barros Teixeira.
A operação de busca conduzida pelo Corpo de Bombeiros mobilizou dezenas de efetivos, cães farejadores, viaturas e drones com capacidade térmica. A aeronave utilizada no suporte identificou os destroços em uma área de difícil acesso após o desaparecimento do helicóptero, que havia decolado do litoral catarinense com destino a São Joaquim.
Investigação e ausência de alerta
Em entrevista recente, a tenente-coronel Heloísa Batista, do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, destacou que a aeronave envolvida no acidente era considerada moderna, mas não emitiu nenhum sinal de alerta ou pedido de socorro durante o trajeto percorrido.
A corporação confirmou que o aparelho não sofreu explosão nem gerou fumaça antes do impacto no solo. As circunstâncias exatas que provocaram a queda seguem sob apuração rigorosa conduzida em conjunto pela Força Aérea Brasileira e pela Polícia Civil catarinense.


