Morte de estudante em Fortaleza: defesa nega feminicídio e aponta suicídio

João Munhoz Neto foi preso por suspeita de obstrução da Justiça após a morte de Isabelle Caracristi, de 22 anos, ocorrida em condomínio na capital cearense

Da
Redação
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Investigação sobre a morte de estudante em Fortaleza mobiliza a Polícia Civil e gera contestação da defesa do namorado preso
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A defesa do empresário João Munhoz Neto, de 34 anos, contestou veementemente a prisão do cliente, efetuada em Fortaleza, e alegou que o caso envolvendo a morte da estudante de direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, tratou-se de suicídio. A jovem foi encontrada morta no dia 13 de setembro de 2026, após cair em uma área comum de um condomínio localizado no bairro Aldeota, na capital cearense. A detenção ocorreu sob a suspeita de obstrução da Justiça, conduzindo o investigado para a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher, no bairro Papicu.

Segundo a advogada Lígia Peixe, responsável pela defesa, o investigado sequer estaria presente no condomínio no momento em que a estudante faleceu. Durante declarações públicas, a representante jurídica afirmou que há uma tentativa de caracterizar o episódio de forma diversa da realidade factual apurada pela defesa. A prisão desse rapaz não vai aliviar em nada a dor de uma mãe, declarou a advogada ao criticar a medida restritiva de liberdade decretada pelas autoridades policiais do estado.

O caso ganhou ampla repercussão nacional após manifestações da mãe da vítima, Isorlanda Caracristi, que utilizou as redes sociais para cobrar esclarecimentos sobre o ocorrido. De acordo com o relato materno, o conhecimento sobre o falecimento da jovem chegou apenas no dia posterior ao fato, após deslocamento até o edifício onde a estudante residia na companhia de João Neto e da mãe dele. A investigação da Polícia Civil do Ceará segue conduzida sob a perspectiva de gênero, contando com diligências contínuas e análise de materiais apreendidos.

Defesa contesta prisão e alega suicídio

Durante entrevistas concedidas à imprensa, a defesa detalhou que o casal havia iniciado o relacionamento em julho de 2026, passando a morar juntos após poucos dias de convivência. A advogada do investigado pontuou que ele era casado e encontrava-se em processo de divórcio amigável, fator que, segundo a representação legal, poderia justificar divergências com a família da vítima. Para a defesa, a imputação de crimes relacionados a contexto de violência psicológica carece de fundamento diante dos elementos apresentados.

As autoridades policiais informaram que o investigado prestou depoimento formal após a efetivação da ordem de prisão e teve o aparelho celular apreendido para exames periciais. Paralelamente, novas oitivas com testemunhas têm sido realizadas pela corporação para esclarecer todas as circunstâncias que antecederam a queda da estudante da faculdade de direito. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará acompanha o desdobramento das diligências policiais.

O inquérito policial busca esgotar todas as hipóteses por meio de depoimentos e cruzamento de informações colhidas desde o acionamento inicial. A condução do caso mobiliza equipes especializadas da Polícia Civil, que mantêm o sigilo em determinados aspectos da investigação para preservar a integridade dos atos processuais em curso na capital cearense.

Perícia aponta politraumatismo e descarta gravidez

Os levantamentos técnicos realizados pela Perícia Forense do Estado do Ceará indicam que a causa do falecimento foi politraumatismo decorrente do impacto do corpo contra o solo. Os exames laboratoriais complementares, incluindo o laudo toxicológico, apresentaram resultados negativos para substâncias de interesse médico-legal, enquanto a necropsia formalmente descartou a hipótese de gravidez da estudante no momento do óbvio.

A equipe técnica da Pefoce realizou os procedimentos periciais no apartamento, no terraço do edifício e no ponto exato da queda ainda na noite da ocorrência. O reconhecimento formal da vítima ocorreu no próprio condomínio, facilitado pela apresentação de documentos de identificação por moradores que estavam no imóvel no momento em que o socorro foi acionado.

Até o momento, a Secretaria da Segurança Pública informou a conclusão de dez laudos periciais distintos, enquanto outros exames complementares permanecem em fase final de elaboração. A robustez do material técnico reunido pela perícia forense tem servido de base para orientar os próximos passos da investigação conduzida pela delegacia especializada.

Mãe cobra esclarecimentos nas redes sociais

A repercussão do caso ampliou-se significativamente depois que Isorlanda Caracristi publicou vídeos na internet cobrando justiça e respostas sobre as circunstâncias da morte da filha. A mãe relatou que tentou estabelecer contato telefônico com a jovem na noite de domingo, mas obteve apenas mensagens sem retorno, culminando na descoberta do óbvio no dia seguinte ao visitar o local onde a estudante morava.

Conforme o relato materno, a síndica do condomínio foi a responsável por informar sobre o falecimento e o encaminhamento do corpo para o Instituto de Medicina Legal. A última mensagem recebida por Isorlanda continha uma demonstração afetuosa da filha, acompanhada de um lembrete doméstico rotineiro antes de ocorrer a tragédia no bairro Aldeota.

As manifestações públicas da família motivaram novas diligências e atraíram a atenção de órgãos de proteção aos direitos das mulheres. A pressão social exercida por familiares e conhecidos tem mantido o caso em evidência nos debates públicos sobre segurança e apuração de mortes violentas de mulheres no estado.

Investigação policial analisa novos depoimentos

A condução do inquérito pela Polícia Civil do Ceará contempla a oitiva de diversas testemunhas para reconstruir os passos finais da estudante de direito. Além do depoimento prestado pelo namorado após a detenção, pelo menos sete pessoas já foram ouvidas formalmente pelas autoridades encarregadas da apuração dos fatos.

A Delegacia de Defesa da Mulher planeja novos depoimentos nos próximos dias para confrontar versões apresentadas por pessoas próximas ao casal. A análise do conteúdo extraído dos aparelhos celulares apreendidos também é apontada pelos investigadores como peça-chave para esclarecer a dinâmica dos acontecimentos que antecederam a queda.

As autoridades reforçam que o trabalho pericial e a coleta de testemunhos continuam em ritmo acelerado para definir se houve participação de terceiros ou se a ocorrência confirma as hipóteses levantadas pela defesa do investigado. O inquérito deverá ser remetido ao Poder Judiciário assim que todas as diligências obrigatórias forem concluídas.

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