O cirurgião vascular Harold Benjamin Aranibar, de 43 anos, foi vítima de um assalto violento e acabou baleado no braço esquerdo nas proximidades do Maracanã, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O episódio ocorreu após o médico cair no chamado golpe do retrovisor, uma modalidade criminosa em que condutores são induzidos a abrir os vidros dos veículos. O caso gerou forte repercussão e levantou novas discussões sobre os índices de criminalidade e a sensação de insegurança enfrentada por moradores em grandes centros urbanos do estado fluminense.
Motorista comprou blindagem após assalto
Mesmo dirigindo um automóvel equipado com blindagem, adquirido justamente para reforçar a proteção pessoal após sofrer um roubo à mão armada quatro meses antes, o médico não conseguiu evitar a nova violência. Na ocasião anterior, realizada com um carro sem proteção balística, ele havia perdido pertences pessoais como celular, carteira e aliança. A compra do carro blindado buscava garantir segurança, mas a dinâmica do crime recente burlou a proteção física do veículo ao explorar a desatenção no trânsito.
O investimento em segurança automotiva tem se tornado comum entre profissionais que circulam por áreas consideradas vulneráveis da capital. No entanto, criminosos vêm adaptando táticas para forçar a interação direta com as vítimas, neutralizando parcialmente as vantagens operacionais de veículos blindados. A estratégia de simular pequenos acidentes de trânsito expõe motoristas justamente no momento em que decidem verificar supostos danos materiais.
Especialistas em segurança pública apontam que esse tipo de abordagem aproveita-se da boa-fé e do reflexo imediato de civilidade dos motoristas. Ao notar o retrovisor deslocado e receber um gesto de desculpas do condutor da motocicleta, a vítima tende a baixar a guarda. A aparente cordialidade do primeiro criminoso serve como armadilha para o bote executado por cúmplices armados que aguardam o momento exato da abertura da janela.
Abordagem simulou acidente no trânsito
O ataque aconteceu no final da tarde, por volta das 18h, quando o médico retornava para casa após um dia de trabalho. Enquanto o veículo aguardava próximo a um semáforo fechado, um motociclista colidiu propositalmente contra o retrovisor esquerdo, tirando o espelho do lugar correto. Em seguida, o condutor da moto parou à frente, virou-se e gesticulou pedindo desculpas pelo impacto, induzindo a vítima a acreditar em um descuido comum de trânsito.
Ao sinalizar que estava tudo bem e acionar o comando para abaixar o vidro a fim de reposicionar o espelho retrovisor, o cirurgião vascular abriu a brecha necessária para o assalto. Um segundo motociclista surgiu com um garupa e anunciou o roubo empunhando uma arma de fogo. A exigência principal dos criminosos era a entrega imediata do telefone celular do profissional de saúde, que estava visível no interior do carro.
O raio caiu duas vezes no mesmo lugar. Graças a Deus, minha mão, ela está com a funcionalidade preservada. Dos mais trágicos cenários, esse aqui foi o menor.”
Harold Benjamin Aranibar
A situação escalou rapidamente para a violência física devido a um movimento involuntário provocado pelo nervosismo da abordagem. Assustado com a arma apontada em sua direção, o médico deixou o aparelho celular cair dentro do habitáculo do automóvel. A reação imprevista irritou o criminoso armado, que disparou contra o profissional antes de fugir do local com os cúmplices.
Cirurgia reparou fratura no braço
O disparo efetuado pelo assaltante atravessou o braço esquerdo de Harold Benjamin Aranibar e provocou a fratura do osso úmero. Mesmo ferido e sem receber ajuda imediata de pedestres ou outros motoristas no local, o cirurgião conseguiu dirigir o próprio veículo até buscar atendimento médico especializado. A gravidade da lesão exigiu intervenção cirúrgica para a fixação óssea.
No último domingo, o médico passou por um procedimento cirúrgico para a colocação de pinos externos destinados a estabilizar a fratura decorrente do tiro. Embora os danos ósseos tenham sido significativos, a avaliação médica inicial indicou que a funcionalidade da mão foi preservada, afastando cenários mais trágicos. Ele ainda deverá se submeter a novas avaliações e intervenções complementares nos próximos dias para garantir a recuperação completa dos movimentos.
O impacto emocional do segundo atentado em tão pouco tempo pesou de forma decisiva na rotina e nos planos futuros da família. O profissional relatou que a esposa e as duas filhas compartilham o mesmo sentimento de vulnerabilidade extrema e que o grupo familiar avalia seriamente a possibilidade de deixar o estado do Rio de Janeiro em busca de um ambiente com melhores condições de segurança pública e tranquilidade.
Polícia Civil investiga o caso
O registro oficial da ocorrência foi encaminhado para a 12ª Delegacia Polícia, localizada em Copacabana, na Zona Sul, que assumiu a condução das investigações. Os agentes responsáveis pelo caso trabalham na coleta de elementos de prova que possam esclarecer a dinâmica completa da ação criminosa e identificar os autores dos disparos e da tentativa de roubo na Zona Norte da capital.
Como parte dos procedimentos de praxe, a equipe de investigação realiza diligências de campo e busca imagens gravadas por câmeras de segurança instaladas nos arredores do local do crime. A análise dessas gravações é considerada fundamental para traçar a rota de fuga utilizada pelos motociclistas e verificar se há conexão com outros roubos cometidos com o mesmo modus operandi na região metropolitana.
A Secretaria de Segurança Pública mantém o alerta para motoristas sobre a recorrência do golpe do retrovisor e orienta que condutores evitem abrir vidros em vias públicas caso ocorram colisões suspeitas. A recomendação oficial das autoridades policiais é que o motorista procure um posto policial, um posto de gasolina iluminado ou uma área movimentada antes de realizar qualquer verificação externa em caso de pequenos abalroamentos.


