A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira (23/9) uma operação para desarticular um esquema criminoso especializado em fraudes virtuais contra estudantes universitários. A investigação aponta que criminosos criaram páginas na internet que simulavam portais oficiais de instituições de ensino superior para aplicar o chamado golpe do Pix.
As diligências são conduzidas pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). Nesta fase da operação, os agentes cumprem mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Espírito Santo para recolher provas e identificar todos os envolvidos na criação e sustentação das plataformas fraudulentas.
Criminosos usavam brindes falsos para atrair vítimas
O grupo criminoso utilizou pelo menos seis domínios na internet que imitavam a identidade visual de faculdades associadas à Universidade Estácio de Sá. Com um layout convincente, os sites falsos atraíam estudantes ao prometer vantagens e brindes de alto valor, como notebooks e viagens de formatura, além de descontos expressivos nas mensalidades.
Para garantir o recebimento dos supostos benefícios, as vítimas eram induzidas a preencher formulários com dados pessoais e, em seguida, orientadas a realizar transferências financeiras. A cobrança simulava uma taxa de administração inexistente para liberar as vantagens prometidas pela página.
O funcionamento da fraude foi registrado entre os meses de junho e julho de 2025. O caso chegou ao conhecimento das autoridades policiais após representantes da empresa responsável pelas instituições de ensino procurarem a delegacia ao identificarem o uso indevido e não autorizado de suas marcas.
Investigadores identificam técnica de phishing digital
A atuação dos criminosos enquadra-se tecnicamente como phishing, método em que páginas ou mensagens eletrônicas falsas são desenhadas para ludibriar o usuário, roubar informações confidenciais ou induzir a pagamentos indevidos. A utilização de nomes de grandes redes de ensino conferia uma falsa camada de credibilidade às páginas fraudulentas.
Após o pagamento das falsas taxas pelos estudantes, os valores eram direcionados por meio de plataformas de pagamento instantâneo para contas vinculadas a duas empresas suspeitas. A análise financeira realizada pelos investigadores apontou um volume expressivo de transações consideradas atípicas.
Entre os registros bancários examinados pela polícia, constavam descrições incomuns como rematrícula e recarga. Além disso, a verificação identificou diversas tentativas de transações que acabaram não sendo concluídas, bem como solicitações de estorno feitas por vítimas que perceberam a fraude.
Polícia realiza rastreamento financeiro de suspeitos
O cruzamento aprofundado dos dados digitais e financeiros permitiu aos investigadores mapear o caminho percorrido pelo dinheiro arrecadado durante o período em que o esquema esteve ativo na internet. A apuração apontou indícios sobre a identidade dos operadores das contas utilizadas para absorver os recursos das vítimas.
As evidências reunidas pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática indicam a participação de um homem apontado como possível beneficiário direto dos valores ilícitos. A investigação apontou que ele tentou realizar saques utilizando uma chave Pix diretamente vinculada ao próprio CPF.
As autoridades continuam o trabalho de análise do material apreendido nos dois estados para dimensionar o prejuízo total causado aos estudantes e apurar se há ramificações da quadrilha em outras regiões do país. Os suspeitos poderão responder por estelionato e associação criminosa.
Especialistas recomendam medidas de segurança digital
Especialistas em segurança cibernética recomendam que estudantes e consumidores redobrem a atenção ao acessar portais educacionais ou páginas que ofereçam vantagens financeiras e brindes na internet. Verificar o endereço oficial do site e desconfiar de cobranças antecipadas de taxas para liberação de prêmios são passos fundamentais para evitar fraudes.
Instituições de ensino e órgãos de defesa do consumidor reforçam que o pagamento de taxas acadêmicas deve ser feito exclusivamente por meio dos canais oficiais e autenticados das próprias faculdades. Em caso de suspeita de fraude ou clonagem de páginas, o caso deve ser registrado imediatamente junto às autoridades policiais competentes.
A operação policial segue em andamento nos estados envolvidos para desarticular totalmente a rede criminosa responsável pela criação das páginas falsas e pela aplicação dos golpes financeiros.


