Operação da PF mira Alexandre Pires e empresário por lavagem de dinheiro

Cantor e empresário voltam a ser alvos de investigação da Polícia Federal sobre esquema milionário de lavagem de dinheiro e comércio ilegal de minérios.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
6 min leitura
O cantor Alexandre Pires voltou a ser alvo de investigações da Polícia Federal na segunda fase da Operação Disco de Ouro.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a segunda fase da Operação Disco de Ouro, voltando a mirar o cantor Alexandre Pires e o empresário Matheus Possebon. A nova etapa da investigação apura um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro e comércio ilegal de minérios que teria movimentado mais de US$ 48 milhões, o equivalente a cerca de R$ 246 milhões.

As autoridades cumpriram 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e valores autorizados pela Justiça Federal. A apuração inicial da primeira fase, ocorrida em dezembro de 2023, já indicava indícios de que o grupo utilizava falsas declarações de origem para esquentar cassiterita retirada ilegalmente da Terra Indígena Yanomami, em Roraima.

Polícia Federal amplia investigações

Durante a nova etapa, os agentes federais aprofundaram os rastreios financeiros para desarticular a rede de ocultação de recursos. Segundo a corporação, os suspeitos teriam recorrido a empresas nacionais e estrangeiras, contas de terceiros, operações internacionais e ao esquema conhecido como dólar-cabo para esconder o montante milionário movimentado pelo grupo.

A cassiterita investigada é um minério essencial na produção de estanho, cuja extração em terras indígenas é proibida por lei e gera danos ambientais severos. Na primeira fase, o inquérito apontou que o minério extraído ilegalmente em Roraima era declarado falsamente como proveniente de áreas regulares de garimpo situadas em Itaituba, no Pará, criando uma fachada de legalidade documental.

Em dezembro de 2023, a ofensiva policial incluiu buscas no navio onde Alexandre Pires realizava apresentações em Santos, no litoral paulista, além da prisão temporária de Matheus Possebon. O empresário foi solto posteriormente após o Tribunal Regional Federal da 1ª Região revogar a detenção por entender que faltavam elementos suficientes para mantê-lo preso.

Defesa de Matheus Possebon reage

A equipe jurídica de Matheus Possebon manifestou surpresa com o desdobramento e reiterou que o empresário jamais atuou no comércio ou na exportação de minérios. Os advogados destacaram que os fatos investigados remontam aos anos de 2022 e 2023, integrando uma apuração longa.

A defesa de Matheus Possebon recebeu com surpresa a nova fase da operação deflagrada nesta quarta-feira e, até o momento, não teve acesso à decisão que a fundamentou.”

Equipe de defesa de Matheus Possebon

De acordo com a nota oficial divulgada pela assessoria, o empresário atua exclusivamente nos setores de música e entretenimento e sempre permaneceu à disposição das autoridades competentes.

Os defensores também lembraram que a própria Justiça reconheceu anteriormente a licitude das atividades empresariais de Possebon, compatíveis com os rendimentos declarados por ele. A revogação da prisão no final de 2023 serviu, segundo a defesa, para afastar a necessidade de medidas extremas durante o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

Equipe de Alexandre Pires esclarece

Por sua vez, a defesa do cantor Alexandre Pires negou qualquer participação do artista nas fraudes investigadas. O comunicado oficial sustenta que a relação profissional mantida com Matheus Possebon limitou-se estritamente à intermediação de shows do cantor durante o período analisado.

Segundo a nota dos advogados do artista, eventuais fatos sob apuração que fujam desse escopo comercial referem-se unicamente a atos atribuídos ao empresário fora de sua função como agente de shows. Na primeira fase da operação, a Polícia Federal havia investigado repasses financeiros direcionados a empresas ligadas ao cantor e depósitos em sua conta pessoal.

A investigação anterior apontou o recebimento de cerca de R$ 1 milhão vinculado a uma mineradora investigada, além de outras transferências e a apreensão do aparelho celular do cantor. A defesa, contudo, mantém a posição de que o músico não possui envolvimento com as irregularidades relacionadas ao garimpo ilegal.

Esquema com cassiterita indígena

O foco central da Operação Disco de Ouro continua sendo o combate à exploração e à comercialização clandestina de minérios extraídos da Terra Indígena Yanomami. O esquema descoberto pelos investigadores utilizava artifícios burocráticos para simular a origem da cassiterita, driblando os controles oficiais de fiscalização ambiental e tributária.

As autoridades apontam que a rota do minério incluía documentos falsificados para despistar os órgãos reguladores sobre a verdadeira procedência da carga extraída em Roraima. Com o avanço das apurações, novas ordens de sequestro de bens buscam recuperar os valores movimentados pela rede criminosa estruturada entre os estados envolvidos.

A continuidade das diligências demonstra o esforço da Polícia Federal em sufocar a cadeia logística e financeira do garimpo ilegal. O inquérito segue sob análise do Poder Judiciário, que avaliará os novos elementos coletados nos mandados cumpridos nesta semana.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *