Alexandre Pires vira alvo de nova operação da PF sobre garimpo

Cantor é alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase de operação que apura esquema transnacional de lavagem de dinheiro e garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami.

Da
Redação
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O cantor Alexandre Pires voltou a ser alvo de diligências da Polícia Federal em desdobramento de operação sobre garimpo ilegal.Caio Duran)
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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a segunda fase da Operação Disco de Ouro, tendo o cantor Alexandre Pires e os empresários Matheus e Diego Possebon entre os alvos de mandados de busca e apreensão. A nova etapa da investigação apura um esquema transnacional de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e ocultação de mais de US$ 48 milhões, o equivalente a cerca de R$ 246 milhões, ligados à exploração e exportação de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami.

As ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal compreendem doze mandados de busca e apreensão e dezessete ordens de sequestro de bens e valores. Os investigadores apontam que a organização criminosa utilizava empresas nacionais e estrangeiras, contas de terceiros e operações internacionais para ocultar os recursos financeiros obtidos por meio do garimpo ilegal.

A investigação teve origem em janeiro de 2022 após a apreensão de aproximadamente trinta toneladas de cassiterita retiradas de forma irregular da reserva indígena em Roraima. De acordo com a apuração policial, o minério extraído ilegalmente tentava ser legalizado por meio de declarações falsas que indicavam suposta procedência de garimpos regulares situados no Pará.

Cantor enfrenta nova investigação policial

O cantor Alexandre Pires já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão em dezembro de 2023, durante a deflagração da primeira fase da Operação Disco de Ouro. Naquela ocasião, os policiais federais cumpriram ordens contra o artista enquanto ele estava a bordo de um navio em São Paulo.

A apuração inicial indicava o recebimento de valores relacionados às empresas investigadas, incluindo repasses para contas pessoais e transferências entre empresas ligadas ao artista. A defesa do cantor sustentou que a relação profissional com Matheus Possebon limitou-se estritamente à intermediação de shows artísticos.

Os advogados afirmaram ainda que Alexandre Pires permanece com tranquilidade em suas atividades pessoais e profissionais. A defesa declarou plena confiança no esclarecimento dos fatos e na demonstração da verdade perante as autoridades competentes.

Esquema movimenta valores milionários

O volume financeiro movimentado pelo esquema criminoso ultrapassa a marca de US$ 48 milhões ao longo das investigações conduzidas pela Polícia Federal. Os recursos eram pulverizados por meio de mecanismos informais e complexos para dificultar o rastreamento feito pelos órgãos de controle.

Entre os métodos utilizados pelo grupo estava o chamado dólar-cabo, um sistema informal de transferência internacional de valores. A utilização desse mecanismo permitia movimentar os valores entre diferentes países sem passar pelos controles bancários tradicionais.

As autoridades federais destacam que o esquema envolvia diversas etapas, desde a extração clandestina na reserva indígena até a comercialização e exportação do minério de estanho para mercados externos.

Polícia cumpre novos mandados

A nova fase da Operação Disco de Ouro concentrou esforços no cumprimento de mandados de busca e apreensão e de medidas de sequestro patrimonial. Diferente da primeira etapa, esta nova movimentação não incluiu ordens de prisão preventiva ou temporária contra os investigados.

Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor.”

Defesa de Alexandre Pires

Os empresários Matheus e Diego Possebon também figuram como alvos principais das diligências cumpridas pelos agentes federais. A Justiça Federal autorizou as medidas para desarticular a rede financeira de ocultação de ativos.

A cassiterita apreendida e investigada é o principal minério utilizado na obtenção de estanho, metal essencial para a indústria de alta tecnologia e fabricação de componentes eletrônicos globais.

Investigados respondem por crimes

Os suspeitos investigados no âmbito da operação podem responder, de acordo com o grau de participação individual, por crimes graves como lavagem de dinheiro, formação de organização criminosa e falsidade ideológica.

Além dessas infrações, a apuração também engloba a prática de crimes contra o sistema financeiro e operação irregular de instituição financeira decorrente do uso de canais paralelos de remessa de valores.

A primeira fase da operação já havia resultado no sequestro de mais de R$ 130 milhões em bens, além de prisões preventivas executadas à época contra lideranças do esquema criminoso.

Defesa contesta acusações publicamente

A representação jurídica de Alexandre Pires reiterou que o artista não possui envolvimento societário com as mineradoras investigadas pelo esquema de exploração mineral. Os defensores enfatizaram que os contratos firmados restringiam-se estritamente à prestação de serviços artísticos.

O cantor tem mantido sua agenda profissional enquanto acompanha os desdobramentos judiciais por meio de seus advogados. A expectativa da defesa é de que a instrução processual comprove a ausência de participação ilícita por parte do cantor.

As investigações continuam em andamento na Justiça Federal para esgotar a análise sobre o destino final dos recursos movimentados pelas empresas ligadas aos demais investigados.

Garimpo provoca danos ambientais

A exploração ilegal de minérios na Terra Indígena Yanomami tem provocado severos danos socioambientais na região norte do país nos últimos anos. As autoridades ambientais e policiais intensificaram o combate às rotas de escoamento da cassiterita.

O uso de documentos ideologicamente falsos representava uma das principais barreiras para tentar burlar a fiscalização sobre a origem do minério comercializado. As empresas utilizavam CPFs e CNPJs de fachada para mascarar o trajeto dos caminhões e cargas.

O desmonte dessa rede logística e financeira é apontado pela Polícia Federal como um passo fundamental para coibir o financiamento de novas frentes de garimpo ilegal na floresta amazônica.

Fonte: Polícia Federal

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