PF mira blogueiras e irmãos Possebon em esquema milionário de cassiterita da Terra Yanomami

Polícia Federal cumpre mandados contra irmãos e blogueiras suspeitos de envolvimento em esquema milionário de venda ilegal de cassiterita extraída da Terra Indígena Yanomami

Da
Redação
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A Polícia Federal cumpre novos mandados na segunda fase da Operação Disco de Ouro contra o esquema de garimpo ilegal.
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A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disco de Ouro para desarticular um esquema de comércio ilegal de minérios extraídos de reservas indígenas. A nova etapa da investigação mira diretamente membros da família Possebon, incluindo irmãos e influenciadoras digitais, apontados por suspeita de envolvimento em fraudes financeiras e lavagem de dinheiro relacionados à exploração de cassiterita na Terra Indígena Yanomami.

As ordens judiciais emitidas pela Justiça Federal incluem o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão, além de 17 ordens de sequestro de bens e valores. O inquérito aponta que o grupo utilizava uma rede complexa de empresas nacionais e estrangeiras, contas de terceiros e operações financeiras informais para ocultar o rastro dos recursos milionários obtidos com a atividade clandestina.

Polícia Federal mira família Possebon

Entre os principais alvos da atual fase da investigação estão Diego Possebon, apontado pelas autoridades como o líder do esquema criminoso, e as influenciadoras digitais Larissa Carvalho Possebon e Francine Possebon. De acordo com os autos da investigação, os nomes das blogueiras aparecem como destinatárias de diversas transferências bancárias realizadas por outros investigados no processo.

Larissa é esposa de Diego Possebon, enquanto Francine é irmã dele e de Matheus Possebon, que também figura entre os investigados. Os investigadores classificam os demais familiares envolvidos como testas de ferro ou laranjas conscientes, utilizados para figurar formalmente em empresas e contas bancárias com o objetivo de mascarar o controle real das operações e a verdadeira titularidade dos valores.

O esquema investigado utilizava artifícios contábeis para esquentar o minério extraído ilegalmente em território indígena. Documentos oficiais apontavam falsamente que a cassiterita comercializada tinha origem em um garimpo regular localizado no município de Itaituba, no Pará, criando uma fachada de legalidade para a circulação e exportação do produto.

Esquema movimenta milhões ilegalmente

A investigação policial aponta que a rede criminosa movimentou cifras expressivas ao longo das atividades ilícitas. Na primeira fase da operação, deflagrada anteriormente, estimava-se que o grupo havia movimentado cerca de R$ 250 milhões por meio da exploração e da comercialização clandestina do minério retirado de Roraima.

Não houve qualquer outra relação jurídica ou comercial entre Alexandre Pires e Matheus Possebon além daquela diretamente ligada à atividade artística do cantor.”

Defesa de Alexandre Pires

Para blindar o patrimônio e dificultar o rastreamento pelas autoridades competentes, os suspeitos recorriam a mecanismos sofisticados de ocultação de capital. Entre as estratégias identificadas pela polícia estão o uso de contas de terceiros, operações internacionais e o sistema informal conhecido como dólar-cabo, que viabiliza a transferência de valores entre países sem passar pelos canais bancários tradicionais.

A origem de toda a apuração remonta ao início de 2022, quando as forças de segurança apreenderam aproximadamente 30 toneladas de cassiterita extraída irregularmente da Terra Indígena Yanomami. A partir dessa apreensão inicial, o inquérito revelou a teia de empresas e pessoas físicas envolvidas na cadeia de fornecimento e lavagem do dinheiro.

Defesa de Alexandre Pires se manifesta

A investigação também apura repasses financeiros direcionados a uma empresa ligada ao cantor Alexandre Pires na época em que Matheus Possebon atuava como seu empresário. Documentos reunidos no inquérito indicam que a empresa do artista recebeu uma transferência de aproximadamente R$ 2,53 milhões originada de investigados no esquema.

Em nota oficial enviada à imprensa, a defesa do cantor negou qualquer irregularidade e limitou a relação profissional com Matheus Possebon à intermediação da venda de shows do artista. Segundo os advogados, não houve nenhum outro tipo de vínculo jurídico ou comercial entre o cantor e o empresário além da atividade estritamente artística.

A nota acrescenta que o cantor segue tranquilo em relação às suas atividades pessoais e profissionais, mantendo total confiança no esclarecimento dos fatos pelas instâncias competentes e na comprovação de sua inocência perante a Justiça Federal.

Origem da Operação Disco de Ouro

A primeira etapa da Operação Disco de Ouro obteve grande repercussão nacional em dezembro de 2023, quando agentes federais realizaram buscas a bordo de um navio onde Alexandre Pires se apresentava, em Santos, no litoral paulista. Naquela ocasião, Matheus Possebon chegou a ser preso preventivamente pelas autoridades policiais.

O desdobramento atual reforça o cerco contra a rede de intermediários que facilitavam a circulação do minério ilegal. A utilização de documentos falsos para burlar os órgãos de controle ambiental e fiscal também constitui um dos eixos centrais apurados pelos investigadores nesta fase.

As autoridades continuam a análise dos materiais apreendidos nos mandados cumpridos para identificar novos beneficiários finais dos recursos e dimensionar o impacto total das fraudes fiscais e ambientais atribuídas ao grupo investigado.

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