Ex-presidente do BRB ordenou aceitar R$ 2,9 bi do Master sob risco de falência

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram que Paulo Henrique Costa determinou pressa na aceitação de garantias sob a justificativa de que a instituição de Daniel Vorcaro poderia falir.

Da
Redação
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Sede do Banco de Brasília, instituição alvo de investigações da Polícia Federal sobre transações com o Banco Master.
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Conversas interceptadas pela Polícia Federal revelam que o entāo presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, determinou que a instituição financeira aceitasse com urgência R$ 2,9 bilhões em ativos problemáticos oferecidos pelo Banco Master. A ordem ocorreu em setembro de 2025, dias após o Banco Central reprovar a compra do Master pelo BRB.

A justificativa apresentada pela cúpula do banco era de que a instituição parceira poderia quebrar a qualquer momento. Naquele período, o BRB já havia acumulado bilhões em carteiras de crédito do Banco Master e buscava alternativas para mitigar os riscos financeiros da operação investigada pelos órgãos de controle.

Ordem direta e pressa

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram o ex-presidente orientando a aceitação imediata de garantias sem uma análise prévia detalhada. A orientação era formalizar o negócio para depois verificar o conteúdo dos ativos oferecidos pelo conglomerado ligado a Daniel Vorcaro.

Relatórios da Polícia Federal apontam que a instituição adotava procedimentos atípicos para absorver os papéis. A pressa era motivada pelo receio de que o parceiro financeiro colapsasse, o que arrastaria o banco público para uma crise de proporções ainda maiores.

Ativos sem lastro e fundos

A lista de bens aceitos incluía participações societárias, cotas de empreendimentos imobiliários e ações de empresas diversas. Entre os itens negociados estavam papéis extintos e fundos de investimento sem comprovação documental adequada para a mensuração correta de valuation.

Documentos anexados à investigação demonstram que o banco público assumiu passivos e cotas cujos valores reais eram desconhecidos no momento da formalização. A falta de transparência nas avaliações acendeu o alerta dos órgãos fiscalizadores sobre a governança das transações.

Sobrepreço em imóveis

As negociações também envolveram a aquisição de terrenos por valores significativamente superiores às estimativas de mercado. Um imóvel localizado em Contagem, em Minas Gerais, foi aceito por uma cifra muito acima da avaliação técnica inicial realizada para mensurar o patrimônio.

A análise policial destacou inconsistências metodológicas na precificação dos bens imobiliários aceitos como garantia. Enquanto os relatórios internos apontavam discrepâncias evidentes, a direção da instituição buscou alternativas para justificar os montantes envolvidos.

Tentativa de salvar carteiras

Diante da baixa qualidade dos créditos repassados pelo parceiro, a gestão do BRB tentou reestruturar as bases de cobrança aplicando filtros menos rigorosos. Os relatórios indicam que a instituição tentava validar ativos que originalmente apresentavam altas taxas de inadimplência e restrições cadastrais.

Para os investigadores, a condução das tratativas evidencia que o banco público operava sem os cuidados exigidos para mitigar riscos dessa magnitude. O material apreendido reforça os indícios de irregularidades e a falta de lastro sólido nas operações conduzidas pela gestão anterior.

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