Ex-deputado Carlos Xavier vai a júri popular por morte de jovem em 2004

Julgamento no Distrito Federal avalia acusação de homicídio contra o ex-deputado distrital; pai da vítima relatou ameaças antes do crime

Da
Redação
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O julgamento do ex-deputado Carlos Pereira Xavier ocorre no Tribunal do Júri do Recanto das Emas, no Distrito Federal.
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O ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, conhecido como Adão Xavier, enfrenta o Tribunal do Júri do Recanto das Emas, no Distrito Federal, sob a acusação de mandar matar o jovem Ewerton da Rocha Ferreira em março de 2004. O caso, que remonta a mais de duas décadas, movimenta o fórum local com o depoimento de testemunhas-chave, incluindo os pais da vítima e a ex-esposa do ex-parlamentar durante a sessão de julgamento.

A sessão do julgamento reúne acusação e defesa para debater os desdobramentos de um crime que chocou a comunidade local na época dos fatos. A motivação apontada pelas investigações policiais estaria ligada a desavenças decorrentes de uma suposta relação entre o adolescente, que tinha apenas 16 anos, e a ex-esposa do ex-deputado distrital, ponto central debatido no plenário do tribunal.

O andamento da sessão prevê o depoimento de diversas testemunhas arroladas pelas partes ao longo do dia, com expectativa de que a sentença seja proferida pela Justiça. Familiares da vítima acompanham de perto a movimentação no tribunal na busca por esclarecimentos sobre o homicídio ocorrido há mais de vinte anos na região administrativa do Distrito Federal.

Pai relata ameaças sofridas antes do crime

Durante o seu depoimento no Fórum do Recanto das Emas, o oficial do Corpo de Bombeiros Oscar Ferreira afirmou que o ex-deputado Carlos Pereira Xavier chegou a ameaçar seu filho dentro de sua residência antes do assassinato. O pai da vítima relatou que o ex-parlamentar foi até o local para tirar satisfação a respeito da suposta relação entre Ewerton e a esposa do réu na época.

Segundo o relato prestado perante a Justiça, o ex-deputado teria dito que recebeu propostas para matar o adolescente, mas que recusado o plano por respeito ao pai da vítima. O depoente acrescentou que o réu apontou o dedo na cara do jovem e fez alertas sobre o envolvimento com mulheres casadas, conforme os esclarecimentos dados durante a sessão do Tribunal do Júri.

Ele foi até à minha casa e perguntou qual era a relação do meu filho com a esposa dele.”

Oscar Ferreira, pai da vítima

A mãe de Ewerton, Cirlene Ribeiro da Rocha, também prestou depoimento e se emocionou ao relembrar o filho durante a instrução do processo. Ela clamou por justiça e definiu o adolescente como um jovem cheio de sonhos cuja ausência representa a maior saudade para a família, enquanto os pais afirmaram ter tomado conhecimento da suposta acusação de envolvimento do ex-deputado apenas por meio das investigações policiais.

Ex-esposa nega relação com o adolescente

A ex-esposa do réu, Maria Lúcia, negou ter mantido qualquer tipo de relacionamento amoroso com Ewerton da Rocha Ferreira durante o período retratado no processo judicial. Ela confirmou, contudo, que costumava dar presentes para o jovem, que frequentava a mesma igreja e havia trabalhado na campanha eleitoral de Carlos Xavier no ano de 2002.

A testemunha afirmou perante o júri que teve relacionamentos posteriores após a separação do casamento com o ex-deputado distrital. A mulher também manifestou convicção na inocência do réu e destacou a conduta dele como pai em relação às filhas do casal, resgatando detalhes sobre o convívio familiar anterior ao episódio que culminou na morte do adolescente.

Os desdobramentos do depoimento da ex-esposa integraram os debates conduzidos pelas autoridades presentes na sessão do Tribunal do Júri. A defesa e a acusação exploraram as declarações para sustentar teses divergentes sobre a dinâmica dos fatos apurados pela investigação policial ao longo dos anos desde o registro do homicídio.

Defesa aposta na absolvição do réu

A estratégia adotada pela defesa do ex-deputado Carlos Pereira Xavier busca convencer os jurados da inocência do ex-parlamentar perante as acusações de homicídio qualificado. O advogado responsável pela defesa enfatizou a confiança no resultado do julgamento e destacou a inclusão de uma autoridade policial como testemunha defensiva no processo.

O andamento do Tribunal do Júri no Recanto das Emas segue com a oitiva de novas testemunhas e a apresentação dos argumentos jurídicos pelas partes envolvidas no caso. Promotores e advogados debatem as provas reunidas nos autos para fundamentar as respectivas teses jurídicas perante o conselho de sentença responsável por definir o destino do réu.

A expectativa em torno do desfecho do julgamento mobiliza operadores do direito e moradores da região que acompanham o desfecho judicial de um dos casos mais antigos da política local. O encerramento da instrução e os debates em plenário antecedem a votação dos quesitos e a leitura da sentença pelo magistrado responsável pela condução dos trabalhos.

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