Pelo menos 67 pessoas morreram após o desabamento de uma mina de ouro artesanal na região de Kordofan Ocidental, no Sudão. O acidente trágico aconteceu na última terça-feira (15), mas o balanço oficial com o número de vítimas foi divulgado na quarta-feira (16) pela Rede de Médicos do Sudão. A ocorrência mobilizou equipes de socorro que enfrentam grandes dificuldades logísticas para encontrar eventuais sobreviventes sob os escombros da estrutura colapsada.
A ocorrência foi registrada na mina de Al-Zara, nas proximidades da cidade de Al-Nuhud. Enquanto os trabalhos de busca prosseguem de forma intensa, organizações humanitárias alertam que o total de mortes pode subir nas próximas horas, visto que há registros de trabalhadores desaparecidos. A área onde o desastre ocorreu é atualmente controlada pelas Forças de Apoio Rápido, grupo paramilitar que trava um violento conflito armado contra o Exército regular sudanês desde abril de 2023.
Denunciam falta de segurança
Após a confirmação do desastre, a Rede de Médicos do Sudão expressou forte indignação com a situação enfrentada pelos garimpeiros locais. A instituição independente criticou duramente a negligência generalizada nas condições de trabalho e a completa ausência de equipamentos de proteção individual nas frentes de extração mineral. A exploração de minas sem estrutura adequada representa um risco direto à vida.
Além de cobrar o envio imediato de recursos médicos para o atendimento aos feridos, os profissionais de saúde exigiram a interrupção de atividades garimpeiras irregulares. Por outro lado, o acesso restrito e a falta de apoio logístico adequado dificultam a operação das equipes de resgate voluntárias que tentam alcançar os pontos mais profundos da mina soterrada.
A vulnerabilidade dos trabalhadores reflete um problema estrutural que afeta diversas frentes de exploração clandestina ou semi-artesanal no país africano. Dessa forma, entidades locais reforçam que a omissão de protocolos mínimos de engenharia e escoramento torna novos desabamentos uma ameaça constante para os garimpeiros.
Alimenta a economia de guerra
A mineração artesanal de ouro ganhou enorme relevância econômica no Sudão nos últimos anos, impulsionada principalmente pela profunda recessão gerada pela guerra civil. Com a escassez de empregos formais e a destruição da infraestrutura urbana, centenas de cidadãos migraram para o garimpo manual como única alternativa de subsistência para as suas famílias.
Apesar de absorver grande parte da mão de obra desocupada, o setor opera predominantemente à margem da lei, utilizando áreas abandonadas ou métodos rudimentares de escavação. Ainda assim, a produção aurífera funciona como uma engrenagem financeira vital, servindo inclusive para sustentar os custos operacionais das facções envolvidas na disputa pelo controle territorial.
O conflito armado no Sudão destruiu a estabilidade institucional e gerou uma crise humanitária sem precedentes na região. Enquanto o Exército e as Forças de Apoio Rápido disputam o poder político e militar, os recursos minerais continuam a ser explorados sem qualquer fiscalização estatal efetiva.
Enfrentam crise humanitária grave
A catástrofe na mina de Al-Zara ocorre em um momento em que o Sudão já lida com deslocamentos em massa, fome generalizada e colapso do sistema de saúde. A prolongada guerra civil fragilizou o tecido social do país, deixando milhões de civis totalmente desamparados diante de emergências climáticas e sanitárias.
Organizações internacionais apontam que a dependência de atividades de risco extremo é apenas um sintoma da desesperança econômica que domina o território sudanês. Enquanto persistirem os combates entre as forças militares regulares e os paramilitares, a população continuará exposta a trabalhos perigosos para garantir o sustento básico.
A ausência de um governo central forte e unificado impede a implementação de políticas públicas voltadas para a regulamentação do setor de mineração artesanal. Por fim, especialistas em geopolítica africana avaliam que qualquer melhoria nas condições de segurança dos trabalhadores dependerá fundamentalmente de um cessar-fogo duradouro no país.
Buscam socorro aos feridos
As equipes de resgate continuam mobilizadas na tentativa de localizar possíveis sobreviventes que ainda estejam presos sob a grande quantidade de escombros na região de Kordofan Ocidental. A operação conta com o apoio de moradores locais e voluntários que tentam cavar a terra com ferramentas rudimentares diante da escassez de maquinário pesado adequado.
A falta de hospitais estruturados nas proximidades de Al-Nuhud agrava ainda mais o cenário, obrigando o transporte de feridos em estado grave para centros urbanos mais distantes. O trajeto perigoso é dificultado pelos confrontos armados e pelas estradas precárias que cortam o território dominado pelo grupo paramilitar.
Representantes da sociedade civil reforçam apelos urgentes à comunidade internacional para o envio de suprimentos médicos e equipes especializadas em salvamento de minas. Sem essa ajuda externa, as chances de encontrar mais pessoas com vida diminuem drasticamente a cada hora que passa.


