A Polícia Metropolitana de Londres abriu uma investigação criminal sobre possíveis irregularidades no financiamento eleitoral do Reform UK, partido britânico liderado por Nigel Farage. A apuração surgiu após uma reportagem do Channel 4 News sobre pesquisas de opinião ligadas à legenda e pagas, segundo a emissora, com recursos de origem estrangeira.
Segundo a polícia, as informações recebidas apontaram possíveis infrações que exigem investigação. O caso será incorporado a uma apuração que já estava em curso sobre outras doações ao Reform UK, ampliando a pressão sobre o partido em torno de suas finanças.
Polícia apura possíveis infrações
Um porta-voz da Polícia Metropolitana informou que a corporação recebeu diversas denúncias depois da reportagem exibida pelo Channel 4 News em 3 de setembro. As queixas tratavam de doações e de pesquisas relacionadas a um partido político.
Após analisar o material apresentado, os investigadores decidiram iniciar a investigação criminal. A polícia não detalhou, no conteúdo disponível, quais pessoas serão alvo da apuração nem quais medidas serão adotadas inicialmente.
Além disso, a nova frente será reunida a uma investigação já existente sobre outras doações ao Reform UK. Dessa forma, a corporação concentrará sob a mesma apuração denúncias distintas envolvendo o financiamento da legenda.
Reportagem expõe pesquisas do partido
A reportagem do Channel 4 utilizou um repórter infiltrado que se apresentou como filho britânico de um americano rico. Conforme o relato, ele disse estar disposto a canalizar dinheiro para o grupo por meio do filho.
Doações estrangeiras a partidos políticos são proibidas pela legislação eleitoral britânica, segundo o material. A reportagem alegou que recursos de uma empresa dos Estados Unidos seriam usados para pagar três pesquisas encomendadas pelo Reform UK.
Esses levantamentos foram publicados posteriormente por jornais nacionais como se fossem independentes, de acordo com a reportagem. As pesquisas ajudaram a reforçar, antes das eleições locais de maio, a percepção de crescimento eleitoral do Reform diante do Partido Trabalhista e dos Conservadores.
Ex-assessores deixaram funções
O Channel 4 mostrou encontros do repórter com James Orr, então ex-chefe de políticas do Reform UK, e Dan Jukes, descrito como assessor sênior da sigla. Os dois deixaram seus cargos após a exibição da reportagem.
Segundo a emissora, Orr e Jukes organizaram uma reunião entre o repórter infiltrado, um ator que interpretava o suposto pai rico e Nigel Farage. O encontro teria como objetivo discutir uma doação maior que viria dos americanos.
Farage lidera o Reform UK e é descrito no material como aliado próximo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A investigação ocorre, portanto, em meio ao debate sobre a origem de recursos empregados em atividades políticas do partido.
Partido nega irregularidades
Em resposta à CNN, um porta-voz do Reform UK afirmou que a legenda nega qualquer irregularidade e cooperará plenamente com a investigação. A declaração representa a posição oficial do partido diante da abertura da apuração.
O Reform UK já vinha enfrentando alegações sobre suas finanças. Em abril, o jornal The Guardian informou que Farage teria aceitado, em 2024, uma doação de 5 milhões de libras de um bilionário radicado na Tailândia sem declará-la.
O episódio aumentou a pressão política sobre Farage. Segundo o material, ele renunciou ao cargo no Parlamento e voltou a disputar sua cadeira, vencendo a eleição durante o verão.


