A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira a Operação Rota Diplomática com o objetivo de desarticular um grupo criminoso suspeito de fraudar a fiscalização aduaneira no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, interior de São Paulo. A investigação aponta que a organização utilizava falsas malas diplomáticas para introduzir eletrônicos estrangeiros no país sem o pagamento de tributos. No total, a Justiça Federal determinou o bloqueio patrimonial de aproximadamente R$ 20 milhões contra os alvos da investigação.
De acordo com os levantamentos da corporação, os suspeitos adquiriam grandes remessas de produtos eletrônicos — com forte predominância de smartphones — nos Estados Unidos. Para burlar a fiscalização, as cargas eram enviadas ao território brasileiro ostentando selos e elementos visuais falsificados que simulavam o serviço consular do Chipre. A estratégia visava conferir falsa imunidade aduaneira aos volumes.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal revelaram que o esquema operou com intensidade entre os anos de 2023 e 2024. Nesse período, o grupo conseguiu introduzir clandestinamente cerca de 230 toneladas de mercadorias estrangeiras pelo terminal paulista. O volume expressivo movimentado pelos suspeitos chamou a atenção das autoridades fiscais e policiais, motivando a deflagração da operação para interromper as atividades ilícitas.
Cumprimento de mandados
A Justiça Federal expediu nove mandados de busca e apreensão para serem cumpridos em diferentes municípios do estado de São Paulo. As ordens judiciais mobilizaram agentes federais em endereços situados na capital paulista, além de cidades da Região Metropolitana e do interior, como Indaiatuba, Santana de Parnaíba e Mauá.
As diligências têm como principal finalidade apreender documentos, dispositivos eletrônicos e outros vestígios que possam detalhar a estrutura da rede criminosa. A coleta de novas provas é considerada essencial para dimensionar o lucro obtido com a revenda clandestina dos produtos eletrônicos importados de maneira irregular.
Bloqueio de bens
Além das buscas e apreensões domiciliares e comerciais, a ordem de bloqueio patrimonial no valor de R$ 20 milhões busca atingir bens, contas bancárias e ativos adquiridos com os recursos do esquema. A medida cautelar pretende assegurar a recuperação de valores em favor da União e impedir a dissipação do patrimônio acumulado pelos investigados.
A operação policial visa descapitalizar a organização criminosa, impedindo que os lucros obtidos com o descaminho sejam reinvestidos em novos negócios ilícitos. O congelamento de ativos é uma das ferramentas estratégicas adotadas pelas autoridades federais em investigações de grande porte.
Crimes apurados
Com o avanço das apurações, os investigados poderão responder criminalmente por condutas graves previstas na legislação brasileira. Entre os delitos atribuídos ao grupo estão o crime de descaminho, a formação de organização criminosa e a prática de lavagem de dinheiro.
As penas previstas para esses crimes podem ser severas, variando conforme a participação de cada indivíduo no esquema de importação clandestina e ocultação de bens. A Polícia Federal informou que as diligências continuam em andamento para identificar outros eventuais envolvidos e receptadores das mercadorias estrangeiras.


