A consultora de investimentos Graciane Micucci, o marido dela — o soldado da Polícia Militar Ricardo Salles Gasparini Patini — e a filha Caroline Yasmin Micucci estão entre os alvos presos na Operação Paládio. Deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) com apoio do 1° Batalhão de Ações Especiais (Baep), a ofensiva visa desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes milionários por meio de falsos investimentos e de praticar lavagem de dinheiro.
As investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apontam que os negócios eram intermediados pela Ateena Novos Negócios. A empresa funcionava em um prédio empresarial no bairro Cambuí, em Campinas, interior paulista. De acordo com os promotores, a organização criminosa utilizava intensa exposição em redes sociais e em programas de televisão para atrair vítimas com promessas de retornos financeiros elevados.
Esquema usava fachada sofisticada para atrair investidores
Segundo o MPSP, as vítimas sentiam-se confiantes diante do aparato montado pela consultora, que contava com um escritório de alto padrão para conferir credibilidade às operações oferecidas. Os investimentos fraudulentos estariam vinculados a outras empresas investigadas e a empreendimentos imobiliários e do agronegócio. Relatórios do Gaeco apontam dezenas de vítimas identificadas no país, com prejuízos que podem atingir cifras milionárias de até dois dígitos.
O soldado Patini, marido de Graciane, foi preso pela Corregedoria da Polícia Militar sob suspeita de gerenciar a empresa e participar da divulgação dos serviços. Investigações apontam ainda que ele teria tentado usar a condição de agente público para intimidar investidores que cobravam o ressarcimento de valores perdidos. A jovem Caroline Yasmin, filha da consultora, também atuava na divulgação das campanhas publicitárias da corretora.
Investigadores apuram suposta lavagem de dinheiro do PCC
Além do golpe financeiro contra investidores, as autoridades identificaram que a estrutura empresarial tinha como objetivo secundário a suposta lavagem de dinheiro obtido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em outras atividades ilícitas. Durante o cumprimento dos mandados, veículos de luxo alugados de uma concessionária da capital paulista, incluindo modelos Porsche e Dodge, foram apreendidos com os suspeitos.
A operação resultou em ordens de prisão preventiva e de busca e apreensão cumpridas em quatro estados brasileiros. A maioria das prisões ocorreu em Campinas, sede da empresa investigada, enquanto outros alvos foram capturados em estados como o Mato Grosso. A Justiça também emitiu mandados de prisão para outros suspeitos apontados como sócios e colaboradores do esquema criminoso.
Defesa não foi localizada após o início da operação
A ofensiva do Ministério Público mobilizou dezenas de policiais e agentes de segurança para cumprir as ordens judiciais expedidas pela Justiça paulista. O desdobramento busca agora identificar novos participantes da rede criminosa e rastrear o destino dos valores subtraídos das vítimas ao longo dos meses em que a corretora manteve suas atividades em funcionamento no interior do estado.
A reportagem tentou contato com a defesa dos investigados citados na operação policial, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço permanece aberto para manifestações dos citados e de seus representantes legais acerca das acusações formalizadas pelo Ministério Público de São Paulo.
Autoridades mantêm diligências para localizar foragidos
As equipes do Gaeco e das polícias envolvidas continuam as diligências para capturar suspeitos que ainda constam como foragidos da Justiça. O material apreendido nos endereços vasculhados durante a operação será submetido a perícias financeiras e telemáticas para detalhar a extensão da movimentação ilícita atribuída ao grupo investigado em território nacional.
As autoridades orientam que eventuais novas vítimas de esquemas semelhantes procurem os órgãos competentes para registrar boletins de ocorrência e colaborar com o avanço das apurações em curso no estado de São Paulo e demais regiões afetadas pela atuação da empresa.


