A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disco de Ouro para investigar a atuação de uma organização criminosa envolvida em crimes financeiros e no garimpo ilegal. O cantor Alexandre Pires figura entre os alvos da ofensiva policial realizada nesta quinta-feira.
As autoridades federais cumprem mandados expedidos pela Justiça para desarticular a rede de apoio logístico e financeiro ligada à exploração em terras protegidas. A investigação abrange delitos de caráter transnacional cometidos por suspeitos de integrar o esquema.
A apuração conduzida pelos agentes federais rastreia operações sofisticadas de ocultação de valores e falsificação de documentos. O objetivo principal das ordens judiciais é colher novas provas e interromper o fluxo financeiro ilícito.
Polícia Federal investiga rede de lavagem de dinheiro
As apurações indicam que o esquema criminoso movimentou e ocultou recursos financeiros superiores a US$ 48 milhões ao longo das investigações. Esse montante bilionário era gerido por meio de empresas nacionais e estrangeiras para burlar os órgãos de fiscalização.
Para dificultar o rastreamento, a organização utilizava operações financeiras internacionais e contas de terceiros na pulverização dos valores. O mecanismo contava com o emprego de pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem real do capital.
A polícia também analisa a cadeia de comercialização de minérios e o uso de documentação ideologicamente falsa para legalizar o ouro extraído de forma irregular. As fraudes serviam para conferir aparência de regularidade às operações mercantis.
Esquema financiava logística do garimpo em terras indígenas
A investigação aponta que a estrutura criminosa atuava diretamente no financiamento e na manutenção da logística do garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Os recursos obtidos com as fraudes sustentavam as frentes de exploração predatória na região.
A ofensiva atual representa um desdobramento das diligências iniciadas em dezembro de 2023, quando ocorreu a primeira fase da Operação Disco de Ouro. O aprofundamento das análises permitiu mapear novos núcleos de atuação da rede.
As autoridades buscam responsabilizar os envolvidos conforme o grau de participação em cada etapa da cadeia criminosa. O cerco policial visa desmantelar o suporte financeiro que viabiliza a atividade ilegal na Amazônia.
Justiça determina sequestro de bens e valores
A Justiça Federal expediu um total de 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de sequestro de bens e patrimônio dos investigados. As medidas cautelares buscam garantir a recuperação de ativos vinculados aos crimes apurados.
Os alvos da operação poderão responder por crimes como lavagem de capitais, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira. Novas infrações penais também podem ser adicionadas conforme o avanço das análises.
A corporação mantém o foco na desarticulação completa das redes de apoio e na interrupção definitiva das atividades ilícitas. A cooperação entre diferentes órgãos de fiscalização tem sido essencial para rastrear o patrimônio oculto.


