A Polícia Civil do Paraná deflagrou uma operação para cumprir mandados de prisão preventiva contra duas mulheres suspeitas de aplicar um golpe financeiro superior a R$ 70 mil contra três próprios familiares em Curitiba. A ação policial resultou na detenção de uma mulher de 44 anos e de sua filha, de 19 anos, apontadas como responsáveis por um esquema que combinava estelionato, extorsão continuada e sessões de tortura física e psicológica contra parentes próximos.
De acordo com os levantamentos da corporação, o caso começou quando uma das suspeitas convenceu os parentes a contratarem um seguro fictício contra a invasão e o hackeamento de aparelhos eletrônicos. A partir desse artifício inicial, a família passou a ser alvo de ameaças constantes, sendo chantageada sob o pretexto de que informações sigilosas seriam repassadas a criminosos virtuais caso não cedessem às exigências financeiras.
As investigações apontam que os ilícitos ocorriam de forma contínua dentro do ambiente familiar e provocaram prejuízo financeiro superior a R$ 70 mil às vítimas, que incluem o avô e duas tias das suspeitas. Com os valores obtidos, as investigadas adquiriram joias, um pacote turístico para a Bahia, além de diversos artigos de luxo, autênticos e réplicas de marcas de alto valor.
Ostentação com itens de luxo
Os recursos financeiros obtidos por meio da extorsão contra os parentes eram rapidamente convertidos em bens de alto valor e serviços de lazer para manter um padrão de vida ostentador. A apuração policial aponta que a dupla utilizou o dinheiro das vítimas para financiar viagens, como a compra de um pacote turístico com destino à Bahia.
Durante o cumprimento dos mandados em Curitiba, os agentes apreenderam diversos artigos de luxo adquiridos com o montante desviado. Entre os itens recolhidos estão joias de marcas conhecidas como Swarovski e Pandora, além de bolsas e peças de vestuário de grifes internacionais, a exemplo de Louis Vuitton, Dior e até mesmo uma peça íntima da marca Gucci.
As autoridades continuam as diligências para rastrear eventuais outros bens adquiridos com o dinheiro ilícito e verificar se outras pessoas participaram ou facilitaram a atuação da dupla. O material apreendido passa por perícia para integrar o inquérito policial em andamento na capital paranaense.
Tortura e humilhação familiar
Além da perda financeira, os familiares enfrentaram um ambiente de intensa violência psicológica e física estruturado pelas suspeitas. Segundo os detalhes divulgados pelas autoridades policiais, o esquema envolvia castigos vexatórios e humilhações públicas e privadas aplicadas de forma contínua dentro da própria residência.
A delegada El Santos relatou que as vítimas eram submetidas a rotinas degradantes e abusos documentados no inquérito. Entre as exigências impostas estavam pintar todo o corpo de azul, passar horas seguidas ouvindo áudios repetitivos com ruídos de flatulências e arrotos, além de comer ininterruptamente por longos períodos.
A crueldade do esquema também incluía o registro sistemático das vítimas em situações vexatórias. A dupla fotografava e filmava os parentes durante os castigos, utilizando o material como ferramenta adicional de coação para garantir a submissão e evitar denúncias às autoridades competentes.
Investigação e prisão no Paraná
A ordem de prisão preventiva contra mãe e filha foi expedida pelo Poder Judiciário após representação da Polícia Civil do Paraná, que reuniu elementos suficientes para comprovar a gravidade dos crimes. Com a captura das duas suspeitas, o inquérito entra em nova fase para a conclusão da instrução criminal.
A gravidade das acusações inclui crimes de estelionato, extorsão e tortura, tipificações que preveem penas severas no ordenamento jurídico brasileiro. A investigação revelou um cenário de extrema violência patrimonial e psicológica praticado dentro do próprio núcleo familiar, o que mobilizou os investigadores responsáveis pelo caso.
As duas mulheres foram encaminhadas ao sistema prisional do estado, onde permanecerão à disposição da Justiça enquanto o Ministério Público analisa a denúncia formal. A prioridade da corporação agora é dar suporte às vítimas e concluir os laudos periciais sobre os bens apreendidos.
Próximos passos do inquérito
O andamento das investigações agora se concentra na análise aprofundada dos materiais apreendidos durante a operação policial em Curitiba. Os investigadores buscam consolidar todas as provas materiais e digitais que compõem o conjunto probatório contra as duas suspeitas.
A apuração policial também mantém abertas frentes para esclarecer se terceiros prestaram algum tipo de apoio logístico ou financeiro à dupla. A identificação de eventuais novos valores ou bens ocultados pelas investigadas permanece no escopo das diligências conduzidas pela Polícia Civil do Paraná.
Com a conclusão dos laudos periciais e a eventual apresentação da denúncia formal pelo Ministério Público, o processo seguirá para a fase judicial regular. As vítimas continuam recebendo acompanhamento especializado enquanto o caso tramita nas instâncias competentes do Judiciário paranaense.


