Combinação de gordura abdominal e baixa força muscular está ligada a maior risco de morte

Estudos de coorte indicam que a chamada obesidade abdominal dinapênica representa um sinal de risco superior ao de cada condição isoladamente

Da
Redação
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Idosa realiza teste de força de preensão manual durante avaliação de saúde em Trondheim, na Noruega.Trondheim kommune / NTNU
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A combinação de excesso de gordura abdominal com baixa força muscular tem sido associada a risco aumentado de morte em estudos de acompanhamento de adultos e idosos. O quadro é chamado de obesidade abdominal dinapênica e reúne dois marcadores diferentes: concentração de gordura na região central do corpo e perda de força, geralmente avaliada por testes de preensão manual.

Um estudo prospectivo recente com 5.674 adultos dos Estados Unidos encontrou associação entre esse perfil e quase o dobro do risco de mortalidade por todas as causas ao longo de uma mediana de 6,75 anos. Pesquisas anteriores com populações do Brasil e do Reino Unido apontaram direção semelhante, embora os métodos e os pontos de corte variem.

Risco aumenta na combinação

No estudo americano, participantes foram divididos em quatro grupos: sem as duas condições, apenas obesidade abdominal, apenas baixa força e combinação das duas. O grupo com obesidade dinapênica apresentou o maior risco relativo de morte.

Após ajustes estatísticos, o hazard ratio foi de 1,97 para a combinação, equivalente a uma associação de risco quase duas vezes maior em comparação ao grupo de referência. A baixa força isolada também apresentou associação significativa.

A obesidade abdominal isolada, naquele estudo, não teve associação estatisticamente significativa com mortalidade depois dos ajustes. Isso reforça a importância de avaliar composição corporal e função muscular em conjunto.

Os achados sugerem que medir apenas o peso corporal pode deixar de identificar pessoas que combinam gordura central elevada e baixa capacidade muscular.

Estudos mostram padrão semelhante

Estudo População Associação principal
Coorte norte-americana recente 5.674 adultos HR 1,97 para obesidade dinapênica
ELSA/SABE 6.173 idosos HR 1,37 para combinação
Coorte europeia de idosos 262 participantes HR 2,46 para combinação

Fonte: estudos indexados no PubMed.

Os números não são diretamente comparáveis porque cada pesquisa usou definições diferentes de gordura abdominal, força e grupo de referência. Ainda assim, o padrão geral aponta para pior prognóstico quando as duas condições aparecem juntas.

Pesquisadores também observam que idade, doenças crônicas, tabagismo, atividade física e alimentação influenciam o risco e precisam ser considerados nas análises.

Força oferece informação adicional

A força de preensão manual é utilizada porque o teste é simples e fornece uma medida funcional. Valores baixos podem indicar dinapenia, perda de força que pode ocorrer mesmo sem grande redução aparente de massa muscular.

Já a gordura abdominal costuma ser estimada por circunferência da cintura, relação cintura-altura ou medidas de imagem. O acúmulo de gordura visceral está ligado a alterações metabólicas e inflamatórias.

A avaliação conjunta pode ajudar profissionais de saúde a reconhecer um perfil de maior vulnerabilidade, especialmente em pessoas de meia-idade e idosos.

Achado não substitui avaliação

Os estudos observacionais identificam associação e não provam que a combinação seja, sozinha, a causa direta das mortes. Outros fatores podem participar da relação observada.

Também não existe um único ponto de corte universal para definir baixa força e obesidade abdominal em todas as idades e populações. Os critérios devem considerar sexo, idade e contexto clínico.

Atividade física, especialmente exercícios de força, alimentação adequada e controle de fatores cardiometabólicos são medidas frequentemente recomendadas para preservar função muscular e reduzir risco associado à adiposidade central.

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