A campanha do Partido dos Trabalhadores protocolou uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal, endereçada diretamente ao ministro Flávio Dino, para solicitar a abertura de um inquérito pela Polícia Federal sobre uma suposta interferência estrangeira na eleição presidencial de 2026. A medida busca contornar a condução do Tribunal Superior Eleitoral e apurar anúncios pagos no exterior favoráveis ao candidato Flávio Bolsonaro.
PT pede inquérito no STF
A petição protocolada pela legenda aponta a circulação de anúncios pagos em redes sociais por perfis internacionais entre 18 e 21 de setembro. O documento menciona menções à plataforma Polymarket e postagens direcionadas a beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. Diante disso, a sigla acionou o STF para requerer providências imediatas de investigação.
O movimento jurídico ocorre no mesmo período em que o candidato Renan Santos e o partido Missão também acionaram a justiça eleitoral para tratar de propaganda irregular e influências externas vinculadas aos mesmos episódios. A legislação brasileira proíbe expressamente o financiamento externo de campanhas e publicidades eleitorais.
A escolha de direcionar a petição ao gabinete de Flávio Dino faz parte de uma estratégia da base governista para levar temas sensíveis diretamente ao Supremo. Com isso, a articulação busca evitar a condução de controvérsias eleitorais em instâncias consideradas desfavoráveis pelo Palácio do Planalto.
Estratégia contorna o TSE
Analistas políticos apontam que a petição apresentada pelo partido governista representa mais um movimento para desviar de instâncias da justiça eleitoral. A cúpula do Tribunal Superior Eleitoral enfrenta divisões internas e conflitos institucionais recentes, o que motivou a busca por alternativas no Supremo.
A defesa da campanha argumenta que o caso exige uma resposta firme para salvaguardar a soberania nacional contra influências digitais e financeiras de fora do país. A estratégia jurídica busca consolidar um entendimento mais amplo sobre a proteção do pleito eleitoral contra aportes ilegais.
A defesa de Flávio Bolsonaro negou ter qualquer conhecimento ou envolvimento com os anúncios veiculados por perfis internacionais na rede social X. Enquanto isso, as investigações e os desdobramentos jurídicos continuam sob análise das autoridades competentes.
Tese busca ampliar soberania
Para fundamentar o pedido, a campanha do PT resgatou uma decisão anterior proferida por Flávio Dino em agosto de 2025. Na ocasião, o ministro relatou uma ação sobre a atuação de municípios e firmou o entendimento sobre a ineficácia de atos unilaterais estrangeiros não incorporados pelo ordenamento jurídico brasileiro.
O advogado Angelo Ferrari, responsável pela manifestação da campanha, destacou que a petição atual visa complementar e dar efetividade aos comandos de soberania nacional. A intenção é explicitar a incidência dessas regras sobre o processo eleitoral e sobre os agentes que possam executar ordens externas no país.
A petição pede formalmente o recebimento dos novos fatos como notícia de descumprimento e a instauração imediata de inquérito policial. As providências cobradas incluem a preservação de dados e a instrução necessária para o cumprimento integral da decisão judicial invocada.
Governo repete manobra jurídica
A ofensiva do PT no Supremo segue uma linha de atuação recente adotada pela base governista para resolver disputas de grande repercussão longe do tribunal eleitoral. Na semana passada, o próprio governo federal utilizou uma estratégia semelhante ao direcionar ao ministro Gilmar Mendes uma petição sobre o reajuste do Bolsa Família.
No caso do programa social, a petição atravessou a competência do TSE para tentar validar o anúncio do reajuste sob a relatoria de Gilmar Mendes, que havia relatado anteriormente uma ação sobre benefícios concedidos em gestões passadas. A escolha de ministros alinhados ao Palácio do Planalto tem sido o eixo central dessa articulação no STF.
Essa dinâmica evidencia um cenário de disputa de competências e alinhamentos entre os tribunais superiores. Enquanto alas do Supremo concentram decisões de impacto político, o TSE vivencia impasses internos decorrentes de investigações e controvérsias envolvendo membros da corte.


