O Santos encerrou o segundo trimestre de 2026 com déficit contábil de R$ 119,7 milhões, valor 62% superior ao previsto no orçamento do período. O resultado negativo ocorreu mesmo com receitas de R$ 126,5 milhões, cerca de R$ 35 milhões acima da estimativa inicial.
Os dados foram apresentados pelo Conselho Fiscal aos conselheiros do clube. O documento também aponta endividamento total próximo de R$ 1,2 bilhão e cobra maior controle dos gastos, conciliação de obrigações de direitos de imagem e um plano para reduzir a dependência de receitas futuras.
Relatório explica aumento do déficit
O orçamento previa déficit contábil de R$ 73,7 milhões até o encerramento de junho. No entanto, o valor realizado chegou a R$ 119,7 milhões, uma diferença de aproximadamente R$ 46 milhões.
Embora a arrecadação tenha superado a meta, os custos avançaram em ritmo mais forte. O custo operacional atingiu R$ 165 milhões, contra R$ 108,6 milhões orçados, enquanto o déficit operacional medido pelo Ebitda ficou em R$ 55,9 milhões.
A folha de salários e encargos somou R$ 74,2 milhões, ante previsão de R$ 57,2 milhões. Além disso, as despesas administrativas alcançaram R$ 17,3 milhões, cerca de R$ 5,9 milhões acima do orçamento.
Conselho compara números do trimestre
O quadro reúne os principais indicadores apresentados para o período e permite observar onde ocorreram os maiores desvios.
| Indicador | Realizado | Orçado |
|---|---|---|
| Déficit contábil | R$ 119,7 milhões | R$ 73,7 milhões |
| Receitas | R$ 126,5 milhões | R$ 91,5 milhões |
| Déficit operacional | R$ 55,9 milhões | R$ 28,5 milhões |
| Custos operacionais | R$ 165 milhões | R$ 108,6 milhões |
| Salários e encargos | R$ 74,2 milhões | R$ 57,2 milhões |
| Despesas administrativas | R$ 17,3 milhões | R$ 11,4 milhões |
Fonte: Conselho Fiscal do Santos FC
A comparação mostra que a expansão da receita não compensou a alta das despesas. O desvio dos custos operacionais, sozinho, superou R$ 56 milhões em relação ao planejamento.
O Conselho Fiscal avaliou que o crescimento da arrecadação não foi acompanhado por controle proporcional dos gastos. Por isso, o órgão pediu mais rigor orçamentário para os próximos trimestres.
Conselho busca conciliar dívida total
A diretoria contabiliza passivo total de R$ 1,193 bilhão, excluindo receitas diferidas. Já o Conselho Fiscal calcula R$ 1,242 bilhão, uma diferença de aproximadamente R$ 48,4 milhões.
A divergência está concentrada nas obrigações de longo prazo. O balancete do clube registra passivo não circulante de R$ 864,9 milhões, enquanto os fiscais apontam R$ 913,3 milhões. No curto prazo, ambos registram R$ 619,6 milhões.
O parecer cita dúvidas sobre contratos de direitos de imagem, especialmente as obrigações com a NR Sports, empresa da família de Neymar. Segundo o Conselho, a contabilidade “não apresentou conciliação suficiente para demonstrar, de maneira objetiva, a composição integral da obrigação”.
Clube busca controlar os gastos
O Santos tinha oito parcelamentos tributários ativos e enfrentava pendências que impediram a renovação da Certidão Negativa de Débitos. A diretoria também havia regularizado atrasos de salários referentes a março e abril e um mês de direitos de imagem de maio.
Para reforçar o caixa, o clube elevou os empréstimos de curto prazo para R$ 77,7 milhões e antecipou R$ 20,1 milhões em recebíveis com a MLD Capital. O Conselho Fiscal alertou que o uso recorrente de receitas futuras reduz a margem financeira dos períodos seguintes.
Em maio, os pagamentos a atletas chegaram perto de R$ 30 milhões, somando R$ 14,2 milhões em salários e R$ 15,1 milhões em direitos de imagem. Em junho, houve redução temporária por causa das férias durante a pausa do calendário.
Gestão explica impacto dos reforços
Os números encerrados em junho ainda não incluem os compromissos com os reforços contratados no terceiro trimestre. Arthur, Rodinei, Lima, Everton Cebolinha e Philippe Coutinho, entre outros movimentos posteriores, deverão aparecer na próxima prestação de contas.
Assim, o relatório seguinte mostrará se a ampliação do elenco elevou novamente o custo mensal ou se saídas de atletas compensaram parte das novas obrigações. A evolução das receitas também será decisiva para medir o impacto.
O Santos participa desde 2026 do Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF. A nova estrutura exige reportes de solvência, demonstrações financeiras, governança, transparência e informações orçamentárias dos clubes das Séries A e B.


