Uma mensagem divulgada no canal de WhatsApp “Tropa do Flávio”, ligado a apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), pediu que eleitores permaneçam nos locais de votação depois das 17h de domingo (25), dia do segundo turno presidencial, para acompanhar o encerramento das urnas. A orientação foi divulgada após o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) reproduzir a alegação, sem apresentar provas, de que mesários poderiam votar no lugar de eleitores ausentes para favorecer Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu a alegação. O voto depende da identificação e da habilitação do eleitor presente na seção. A Justiça Eleitoral também estabelece regras específicas para acompanhar o encerramento, inclusive para fiscais partidários credenciados e para as duas últimas pessoas a votar.
Convocação no canal de Flávio
No conteúdo divulgado aos apoiadores, Gayer relatou ter recebido denúncias sobre supostas irregularidades no primeiro turno, incluindo alegações relacionadas a estados do Nordeste. Segundo a versão que reproduziu, integrantes das mesas receptoras poderiam registrar votos atribuídos a cidadãos que não compareceram.
O parlamentar não apresentou documentação, registro oficial ou prova de que isso tenha ocorrido. A convocação foi associada à ideia de presença de voluntários nos locais de votação para acompanhar a etapa de fechamento das seções.
A mobilização também incluiu orientações para o cadastramento de interessados e para a divulgação das mensagens entre apoiadores. A permanência de eleitores após votar, porém, não substitui os procedimentos previstos pela Justiça Eleitoral nem confere automaticamente a condição de fiscal credenciado.
O segundo turno ocorre em 25 de outubro. A votação está prevista para acontecer das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, com atendimento posterior a quem já estiver na fila no horário de encerramento.
Mesários não votam por ausentes
É falsa a afirmação de que mesários possam usar a urna para escolher candidatos em nome de pessoas ausentes depois das 17h. Para que um voto seja registrado regularmente, o eleitor deve comparecer à seção, comprovar sua identidade e passar pelos procedimentos de habilitação.
O terminal da mesa receptora permite a conferência dos dados de identificação e da fotografia cadastrada, além das verificações biométricas aplicáveis. O mesário não visualiza os números digitados na cabine nem conhece a opção registrada pelo eleitor.
Quando a biometria não é reconhecida, a regulamentação prevê etapas adicionais para conferir a identidade de quem se apresentou à seção. Essa situação não autoriza que integrantes da mesa votem por alguém que não esteja presente.
As regras eleitorais ainda exigem registros formais dos procedimentos de votação e encerramento. Suspeitas concretas de irregularidade podem ser comunicadas à Justiça Eleitoral e às autoridades competentes, mas denúncias não comprovadas não demonstram a existência de votos fraudulentos.
Encerramento das seções eleitorais
Às 17h, a votação somente é encerrada quando não há mais pessoas aguardando para votar. Quem já estiver na fila naquele horário mantém o direito de participar, mediante o procedimento de senhas previsto pela regulamentação.
As duas últimas pessoas a votar são convidadas a acompanhar o encerramento da seção e podem receber uma via do Boletim de Urna. A aceitação ou a recusa do convite é registrada pela mesa receptora.
O Boletim de Urna apresenta os resultados da seção depois de encerrada a votação. Uma via é afixada em local visível, permitindo que os dados sejam consultados e comparados com a totalização divulgada pela Justiça Eleitoral.
O acompanhamento previsto nas normas não significa autorização irrestrita para ocupar a sala de votação ou interferir nos trabalhos. As atribuições da presidência da mesa e dos demais mesários continuam submetidas à legislação eleitoral.
Fiscalização prevista nas regras eleitorais
Partidos, federações e coligações podem indicar fiscais e delegados, observadas as exigências de credenciamento. Esses representantes têm prerrogativas específicas para acompanhar as atividades eleitorais, inclusive o encerramento dos trabalhos.
A simples participação em grupos de mensagens ou o atendimento a uma convocação política não concede as prerrogativas de um fiscal partidário. O acesso e a permanência nos ambientes de votação seguem as regras de organização e segurança estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Outro mecanismo de conferência é a Zerésima, relatório emitido antes do início da votação que demonstra que a urna não contém votos registrados. No fechamento, o Boletim de Urna documenta os resultados daquela seção e permite a verificação pública dos números.
A Resolução TSE nº 23.751/2026 regulamenta procedimentos de identificação, votação, atuação da mesa receptora e encerramento. Para o segundo turno de domingo (25), as seções funcionarão das 8h às 17h, pelo horário de Brasília, respeitado o direito de voto de quem estiver na fila no momento do fechamento.
| O que dizem as regras da votação | |
|---|---|
| Situação | Regra ou esclarecimento |
| Mesário votar por eleitor ausente | Alegação falsa: voto depende de identificação e habilitação do eleitor presente. |
| Eleitores na fila às 17h | Conservam o direito de votar. |
| Últimas duas pessoas a votar | São convidadas a acompanhar o encerramento. |
| Fiscais partidários | Atuam conforme credenciamento e regras eleitorais. |
| Resultados da seção | São registrados no Boletim de Urna, cuja via fica disponível para consulta. |
