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A criptomoeda B22, lançada com conteúdo favorável à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, registrou queda de 86% em seu valor e teve o encerramento anunciado pelos responsáveis cerca de uma semana depois de começar a circular. A iniciativa entrou na mira de decisões e apurações da Justiça Eleitoral.

A moeda digital era apresentada como recompensa a pessoas que divulgassem conteúdo político nas redes sociais. A associação entre incentivo econômico e propaganda de campanha levantou questionamentos sobre as regras que proíbem determinadas formas de propaganda eleitoral paga por terceiros.

B22 perde valor e será encerrada

Os organizadores comunicaram que o projeto chegaria ao fim após a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A queda na cotação mostra uma perda expressiva de valor do ativo, mas não permite calcular automaticamente quanto cada participante perdeu.

A origem dos recursos, a participação dos divulgadores e a ligação do projeto com a campanha são aspectos que passaram a ser examinados pelas autoridades. Ter conteúdo de apoio a um candidato não demonstra, isoladamente, que sua equipe tenha coordenado todas as ações.

TSE determina interrupção de recompensas

A ministra Estela Aranha determinou a retirada do site e a suspensão das recompensas associadas ao projeto, diante de indícios de pagamento por propaganda eleitoral. A medida foi adotada no âmbito da análise da regularidade da iniciativa.

A suspensão administrativa ou judicial não deve ser confundida com condenação definitiva por infração eleitoral. Ainda há espaço para esclarecimentos dos envolvidos, apresentação de documentos e análise das condutas à luz da legislação de campanha.

A investigação também alcançou a forma como a moeda se apresentava ao público, a natureza dos incentivos e a circulação de conteúdos favoráveis ao candidato. A atividade de prometer tokens por engajamento político demanda exame distinto do simples compartilhamento espontâneo de opiniões.

Marcos conhecidos do caso

Entenda os principais dados
IndicadorSituação
Queda da B2286% em relação ao valor de referência informado
Tempo desde lançamentoCerca de uma semana
Recompensas por divulgaçãoSuspensas por decisão eleitoral
EncerramentoAnunciado pelos organizadores

Projeto usou publicidade política digital

A B22 utilizou a participação do grupo infantil Hypers Kids Africa, de Uganda, em materiais de divulgação ligados à campanha digital. A presença das crianças acrescentou uma dimensão internacional ao caso e gerou questionamentos sobre o uso das imagens em publicações políticas.

Os criadores reconheceram que associaram o projeto ao ambiente eleitoral para obter visibilidade e divulgaram um pedido de desculpas. Também negaram que a iniciativa tivesse por objetivo comprar votos, versão que deverá ser considerada junto das demais provas disponíveis.

O grupo Hypers Kids Africa informou que devolveria os tokens recebidos e pediu desculpas ao público brasileiro. A intenção anunciada de devolver ativos não confirma, por si só, que todas as operações financeiras tenham sido concluídas.

Mensagens internas divulgadas na apuração mostraram conflitos entre participantes do projeto e discussões sobre a cotação do ativo. Eventuais sinais de manipulação de preço exigem análise técnica e não equivalem, isoladamente, à comprovação judicial de fraude.

Investigações seguem após anúncio

O corregedor-geral eleitoral Ricardo Villas Bôas Cueva solicitou explicações relacionadas à campanha do PL e ao influenciador Pablo Marçal. Essa etapa busca delimitar responsabilidades e verificar se houve participação ou benefício político relacionado ao mecanismo de recompensa.

A oscilação dos preços de criptoativos pode ser intensa, especialmente em projetos recentes e de baixa liquidez. Uma perda de 86% significa que um valor hipotético de R$ 100 passaria a R$ 14, sem considerar custos ou diferenças de preço entre negociações.

A queda percentual não demonstra quanto os organizadores captaram nem o valor de transações realizadas por usuários. Para responder a essas questões seriam necessários dados sobre volume negociado, distribuição das moedas e registros das carteiras utilizadas.

Mesmo com o encerramento anunciado, as autoridades podem analisar atos praticados durante a operação da moeda. A distinção entre campanha política, publicidade digital remunerada e atividade financeira continuará relevante para as apurações.

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