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O Grupo Casas Bahia negocia um empréstimo de R$ 200 milhões a R$ 300 milhões para financiar o funcionamento de suas operações durante a recuperação judicial. A expectativa é concluir a primeira contratação nas próximas semanas, após a Justiça de São Paulo autorizar, na quarta-feira (21), o processamento do pedido de recuperação da companhia. O dinheiro ainda não foi liberado, e a operação permanece em negociação.

A varejista procura recursos para manter despesas do dia a dia enquanto renegocia obrigações financeiras que totalizam R$ 17,3 bilhões. A modalidade discutida é o financiamento DIP, sigla em inglês para crédito concedido a empresas que atravessam processos de recuperação. A contratação depende das condições acertadas com credores e das aprovações aplicáveis.

Crédito para manter operações

A primeira etapa deve representar apenas parte das necessidades de caixa informadas por pessoas próximas às negociações. Segundo informações publicadas nesta sexta-feira (23), o grupo busca concluir a operação inicial em até três semanas e pretende levantar, ao todo, cerca de R$ 1 bilhão em novas linhas de financiamento.

O crédito em negociação mais adiantada envolve uma instituição financeira que já mantém relação de crédito com a companhia. Outra apuração aponta tratativas para uma linha de R$ 200 milhões com o Itaú Unibanco, além da necessidade de novas operações. Os valores e prazos informados por essas fontes são estimativas de negociação, não contratos fechados.

Financiamentos DIP são estruturados para proporcionar liquidez a empresas em reestruturação, com condições específicas de garantias e prioridade que dependem do caso. No varejo, o capital de giro é utilizado em despesas como aquisição de estoques, logística, pagamentos a fornecedores e manutenção de lojas e serviços.

A empresa vinha procurando alternativas desde agosto, quando apresentou seu pedido de recuperação. A tramitação judicial era apontada nas negociações como etapa necessária para avançar com os credores interessados em oferecer recursos.

Justiça autoriza recuperação

A decisão da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, publicada em 21 de outubro, autorizou o processamento do pedido da Casas Bahia. Essa etapa permite o prosseguimento do processo e a negociação estruturada de dívidas, mas não significa aprovação de um plano definitivo nem assegura o sucesso da reestruturação.

O processo envolve o grupo e outras empresas relacionadas à operação. Em seus comunicados ao mercado, a companhia informou a existência de obrigações que somam R$ 17,3 bilhões e passou a prestar informações aos investidores sobre as etapas judiciais da recuperação.

A recuperação judicial prevê a apresentação de um plano para análise dos credores, com medidas de reorganização financeira e condições de pagamento. O pedido também está sujeito a exigências documentais e à fiscalização judicial. A continuidade do funcionamento de lojas não equivale à quitação das dívidas.

Executiva assume negociações

Nesta sexta-feira (23), a companhia comunicou a contratação de Camille Faria, sócia da Althia Partners, para liderar as conversas com os credores e a elaboração do plano de recuperação judicial. A executiva tem experiência em reestruturações corporativas e ocupou cargos na Oi e na Americanas.

Faria participou das negociações financeiras e da recuperação judicial da Americanas, onde atuou como diretora financeira e de relações com investidores. A contratação acrescenta uma profissional especializada em reorganização financeira ao processo conduzido pela companhia.

A Alvarez & Marsal continua prestando assessoria na estruturação do plano. A empresa também informou que a estratégia de reestruturação permanece apoiada por seu conselho e pela acionista controladora Mapa Capital. Mateus Tessler, anteriormente envolvido na função de negociação, deverá colaborar pontualmente.

Números e próximas etapas

O financiamento pretendido precisa ser distinguido do passivo em recuperação. Os R$ 200 milhões a R$ 300 milhões representam a faixa discutida para a primeira linha de crédito; R$ 1 bilhão é o objetivo indicado para captações adicionais; R$ 17,3 bilhões correspondem às dívidas informadas no processo.

Casas Bahia: valores da recuperação e do novo crédito
Indicador Valor ou prazo Situação
Primeiro empréstimo DIP R$ 200 milhões a R$ 300 milhões Em negociação
Meta de financiamento R$ 1 bilhão Objetivo informado por fontes próximas
Dívidas em recuperação R$ 17,3 bilhões Valor declarado no pedido
Processamento judicial 21 de outubro de 2026 Deferido pela Justiça paulista
Primeira contratação Próximas semanas Previsão, sem liberação confirmada

Os próximos passos dependem da formalização do empréstimo e da evolução das tratativas com bancos, fundos e demais credores. Uma linha de financiamento concluída aumentaria os recursos disponíveis para a operação, mas não substitui a negociação do passivo submetido à recuperação judicial.

Na página de relações com investidores, o Grupo Casas Bahia mantém os fatos relevantes de 16 de agosto, quando informou o pedido de recuperação judicial, e de 21 de outubro, quando comunicou o deferimento do processamento. Esses documentos são referências públicas para acompanhar as etapas formais do caso.

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