As vendas comparáveis do Carrefour no Brasil cresceram 1,4% no terceiro trimestre de 2026, impulsionadas pelo Atacadão, segundo os resultados divulgados nesta terça-feira (20). A operação de atacarejo avançou 2%, enquanto o Sam’s Club teve alta de 3,6% e o Carrefour Retail registrou queda de 2,3% no mesmo indicador.
O resultado brasileiro foi obtido em um ambiente de consumo afetado pelos juros elevados e por volumes de alimentos ainda pressionados, informou a companhia. Em euros, as vendas no país, incluindo tributos, somaram aproximadamente € 5,14 bilhões. O grupo afirmou que o Atacadão ganhou participação de mercado, apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor.
Atacadão acelera vendas
O crescimento de 2% nas vendas comparáveis do Atacadão representa melhora em relação ao segundo trimestre, quando a alta foi de 0,5%. No primeiro trimestre, o mesmo indicador havia caído 1%. A trajetória evidencia a recuperação gradual das unidades existentes ao longo de 2026, depois do resultado negativo do início do ano.
O Carrefour informou que o atacarejo melhorou a dinâmica de volumes e aumentou sua presença comercial. A medida de vendas comparáveis, conhecida como like-for-like ou LFL, exclui efeitos específicos de calendário, combustíveis e variações cambiais, além de considerar estabelecimentos abertos há pelo menos 12 meses.
Durante o terceiro trimestre, foram inauguradas duas unidades do Atacadão. A expansão da rede contribui para ampliar a presença física da bandeira, mas não integra da mesma forma o cálculo do crescimento comparável, que mede o desempenho de lojas já existentes em bases equivalentes.
| Compare as vendas de cada bandeira | |
|---|---|
| Operação no Brasil | Vendas comparáveis, 3º trimestre |
| Atacadão | +2,0% |
| Carrefour Retail | -2,3% |
| Sam’s Club | +3,6% |
| Brasil, consolidado | +1,4% |
Fonte: Carrefour, resultados do terceiro trimestre de 2026.
Varejo tradicional recua
O Carrefour Retail teve retração de 2,3% nas vendas comparáveis totais. A empresa atribuiu parte da queda ao encerramento das atividades de comércio eletrônico de produtos não alimentícios, dentro de sua estratégia de priorizar a rentabilidade da operação digital no Brasil.
O comportamento dos alimentos foi diferente. As vendas comparáveis dessa categoria no Carrefour Retail aumentaram 1,5%, enquanto os hipermercados apresentaram alta de 0,8%. Esses recortes indicam que a retração do conjunto da operação não corresponde a uma queda uniforme em todas as atividades.
No Sam’s Club, o avanço comparável de 3,6% foi associado ao crescimento dos volumes e ao aumento da base de associados ativos. A bandeira atua com um modelo de clube de compras e depende tanto da frequência de consumo quanto da participação dos clientes cadastrados.
A companhia também destacou a expansão da marca própria Bulnez, cuja linha passou a reunir 300 produtos. A iniciativa integra o plano Carrefour 2030, que prevê mudanças comerciais e operacionais nas atividades do grupo, incluindo esforços de competitividade e eficiência.
Brasil movimenta € 5,14 bilhões
As vendas brasileiras com impostos atingiram € 5,144 bilhões no período, segundo o quadro de indicadores do grupo. O valor representa receita de vendas e não lucro; por isso, não permite avaliar isoladamente a rentabilidade do negócio, informação que depende de outras medidas financeiras.
Na comparação anual, as vendas em euros correntes cresceram 9,4%, enquanto a variação a câmbio constante foi de 1,6%. A distância entre as taxas decorre de critérios distintos de conversão e reforça a importância de separar crescimento nominal, efeitos cambiais e desempenho comparável.
O conglomerado registrou € 22,694 bilhões em vendas no trimestre antes do ajuste de hiperinflação contábil. França e Espanha contribuíram com € 11,9 bilhões e € 3,107 bilhões, respectivamente. A variação comparável do grupo foi positiva em 2,3%, acima dos 2,1% registrados no primeiro semestre.
Grupo revisa metas anuais
Além dos indicadores brasileiros, a divulgação trouxe revisão das projeções para 2026 em razão dos distúrbios e saques que afetaram estabelecimentos na França. A empresa relatou interrupções operacionais, despesas adicionais e menor circulação de consumidores em algumas áreas urbanas.
A expectativa para o lucro ajustado por ação passou de crescimento elevado de um dígito para estabilidade ou avanço leve em relação a 2025. Trata-se de uma mudança de perspectiva para o conjunto do grupo, relacionada às condições de operação do mercado francês, e não de uma projeção específica para o Brasil.
Os investimentos planejados na França foram reduzidos de € 1,7 bilhão para € 1,6 bilhão em 2026. A companhia manteve seu plano de redução de custos em linha com a meta anual de € 1 bilhão, anunciada como parte de suas prioridades de gestão.
Na operação brasileira, a área de vendas somava aproximadamente 3,020 milhões de metros quadrados no fim de setembro, frente a 3,015 milhões no encerramento de junho, segundo o demonstrativo de expansão comercial publicado com os resultados do terceiro trimestre.
